“Sediar uma copa nos coloca em um momento importante para a formação de mulheres no futebol” | Danielle Torri Professora que pesquisa esporte pela lente da teoria crítica entende a Copa do Mundo Feminina da Fifa 2027 sediada no Brasil como uma chance de o futebol feminino sair da margem e ganhar protagonismo
Árbitra de futebol e futsal, Danielle Torri vê a participação de mulheres na arbitragem da Copa de 2026 como “uma evolução, mas ainda lenta”. Foto: Karine Gerlach/Divulgação

É boa a expectativa de Danielle Torri, professora e pesquisadora do Departamento de Educação Física da Universidade Federal do Paraná (UFPR), para a Copa do Mundo Fifa Feminina de 2027, que será sediada no Brasil. A estreia do campeonato de seleções em um país da América do Sul, continente onde o futebol feminino tem dificuldade de se firmar, pode funcionar como catalisador para mudanças estruturais e culturais no esporte nacional.

“É um momento muito importante para fomentar a formação de mulheres técnicas, preparadoras físicas, fisiologistas, de fomentar a prática de futebol de meninas, de dar visibilidade e pensar os direitos de todas as mulheres “, explica.

Especialista em educação escolar e pesquisadora com abordagem crítica do esporte, Danielle Torri vive o futebol na pesquisa e ao vivo. Cresceu em uma família catarinense que “respira esporte” e até chegou a morar em um ginásio. Ela mesma, o pai e as irmãs arbitram futebol e futsal. “Meu pai teve três filhas, nenhum menino e isso não nos impediu de nos relacionarmos com o esporte.”

Como cientista, Danielle Tori pensa a Copa de 2027 como campo rico de estudos para analisar aspectos migratórios, a elitização do esporte e a evolução das técnicas de treinamento. Também como oportunidade para o Brasil repensar sua própria estrutura futebolística.

Nesta entrevista, falamos com Danielle Torri também sobre a Teoria Crítica do Esporte, os desafios de gênero do futebol — com destaque para a arbitragem —, e o papel atual do futebol a educação física escolar.


🗣️ Continuando a reflexão sobre a Copa do Mundo de 2026, leia também a entrevista com André Capraro

O que a Copa do Mundo de 2026 traz de temas e significados para pesquisadores de educação física?   


Danielle Torri | A Copa do Mundo é um evento muito importante para quem pensa e pesquisa sobre o esporte. Em termos de treinamento, de fisiologia, de formas de jogo, e em outras áreas que talvez não sejam tão evidentes. Temos questões econômicas, vinculadas à publicidade nas pausas para hidratação, os altos preços dos ingressos, às vendas de figurinhas e álbuns, entre tantos outros produtos associados ao campeonato. Há também tópicos de política internacional, como os das relações entre a superpotência Estados Unidos e o restante do mundo com a Fifa sendo uma plataforma para os interesses desse país. Observa-se ainda as problemáticas relacionadas à tecnologia, com os novos dispositivos que interferem nos jogos alterando sua dinâmica, assim como questões éticas sobre racismo, preconceito, gênero, nacionalismo e xenofobia, entre tantos temas.  

Enfim é uma oportunidade imensa para pensar sobre o futebol e mais ainda sobre a estrutura esportiva como um todo.  

É o esporte mais praticado, falado e estudado no Brasil. Ainda toma, por exemplo, grande parte das atividades das aulas de Educação Física nas escolas brasileiras, seja em versões distantes do rendimento, seja como expectativa de que se revelará futuros atletas profissionais.  

Perder novamente uma Copa do Mundo leva toda a estrutura do futebol no Brasil a se repensar. Pelo menos é o que deveria acontecer. Não somos mais a referência em termos de qualidade futebolística. Estamos há mais de 20 anos sem vencer.  

Como professora, me coloco a pensar sobre nossos treinadores, que preparamos em nossas universidades, mas também a respeito das técnicas de treinamento, a evolução do futebol no mundo e como isso nos afeta.  

Como pesquisadora, penso em todas as questões que interferem nesse processo, como os aspectos migratórios, a elitização do nosso esporte, o treinamento das crianças e adolescentes e ainda o futebol de mulheres, cuja Copa do ano que vem será disputada aqui. É um campo muito rico de estudo.  

 Todos deveriam assistir futebol e outros esportes com lentes ampliadas. Que possam, além de se deliciar com as atuações de suas seleções e equipes nacionais, desfrutar de outros aspectos do jogo. Olhar além daquilo que apenas se desenrola no gramado, porque é um assunto riquíssimo para ser apreciado. 

Os bastidores das entidades são importantes para os rumos do futebol como é o comentário geral?  


DT | A relação entre futebol e política é muito forte e bem complexa. Não tem como ser diferente. A Fifa, por exemplo, é um órgão independente, mas acaba assumindo questões políticas vinculadas ao país sede de suas competições. Veja a problemática com os Estados Unidos neste ano, e os países com os quais eles não têm tido boas relações. Sua política migratória impedindo que árbitros de determinados países entrassem na América, por exemplo.  

Há decisões que embora pareçam esportivas, são políticas e influenciadas por decisões que não se circunscrevem as entidades esportivas.  

Sua pesquisa se fundamenta na Teoria Crítica do Esporte, por meio da qual acaba subvertido muito do ideário do esporte (que ele é democratizador, por exemplo), que por sua vez é apresentado como parte de um aparelho ideológico. Que análise poderia ser feita de um evento como a Copa do Mundo, e de entidades como a Fifa, à luz dessa abordagem?   


DT | Uma Teoria Crítica procura captar o curso de uma dinâmica histórica, em um mundo que está em constante transformação, mesmo que essa seja para manter-se como está. Então, analisar o esporte é tentar observar como ele vai respondendo e ao mesmo tempo ajudando a configurar as novas formas sociais de seu tempo. Para isso é muito importante analisar as mudanças internas dessa prática.  

Por exemplo, como o futebol vai sendo organizado, como jogo, para responder a novas demandas do espetáculo, como vai se tornando uma modalidade para ser assistida pelas telas, ou como o desenvolvimento científico e tecnológico altera as condições de preparação dos atletas, de maneira a estabelecer renovadas formas estéticas, moldando também o gosto dos espectadores.  

Sobre a Copa de 2026, por exemplo, houve a divisão da partida em quatro tempos, por causa das pausas para hidratação. A hidratação pode ser importante, mas, com exceção de situações de temperatura muito alta, ou de baixíssima umidade do ar, não seria necessário parar a partida. Isso parece atender muito mais aos interesses comerciais, já que se pode fazer mais publicidade nesse tempo. Assim como talvez os novos regimes de atenção, porque a concentração de espectadores se dá por períodos cada vez mais curtos, demandando, então, que um evento longo, como o futebol, seja mais vezes interrompido.  

Outro exemplo é a enorme presença das bets, propagandeadas durante as transmissões, quando se aproveita a atmosfera de emoção produzida pelas narrações para o incentivo às apostas.    

Pensando na experiência brasileira, como o futebol reproduz hierarquias sociais sem que possamos perceber?  A ideia de “futebol-mercadoria” da indústria cultural tira a chance de o futebol ser uma “ponte” para a igualdade social? Se sim, como fica o poder do esporte como política pública?    


DT | Há certamente um momento de igualdade nas torcidas, ao menos no plano imaginário, já que, em princípio qualquer pessoa pode se engajar a favor de uma equipe. No entanto, isso cada vez mais se mostra limitado, uma vez que os custos para ser torcedor e participar da vida de um time são excludentes, desde os canais de TV e streaming pagos até o preço dos ingressos, passando por outros custos, como as camisetas oficiais.  

Seria preciso levar a sério o futebol como patrimônio cultural brasileiro, estendendo o direito à apreciação do espetáculo a todas as pessoas. Por exemplo, garantindo seu televisionamento aberto e livre.   

Em seu trabalho sobre as “agruras da arbitragem”, você destaca que o árbitro é o único ator em campo não reconhecido como profissional, porque leva uma vida laboral sem seguridade. Essa é uma situação no Brasil ou generalizada? 


DT | É uma situação que, de uma forma ou de outra, está no mundo todo. Supõe-se que ao caráter “amador” e de ganhos episódicos por partida em que ele atua, corresponde uma vida profissional que o faz independente dos interesses econômicos do esporte. Isso não quer dizer que suas atuações, preparações, não devam ser mais profissionalizadas por suas entidades e que haja maior segurança financeira. 

No Brasil, por exemplo, temos agora um grupo de árbitros que recebe mensalmente da CBF, não por meio de remuneração por jogo arbitrado. Isso dá segurança para sua preparação física, para o pagamento de cursos, para se manterem atuando e para que se dediquem ao ofício. O fato de não haver vínculo empregatício com empresa não quer dizer que o árbitro não deva ser bem remunerado e ter garantias ao dedicar-se a arbitragem.  

 Ao mesmo tempo que se pode ver vantagem em apresentar o árbitro como um abnegado, como não ser um trabalho justificaria topar se expor à animosidade de uma massa de torcedores?    


DT | A gente sempre se pergunta sobre isso [risos]. Veja, é um trabalho, somos remunerados, gostamos do ambiente esportivo, mas não estamos profissionalizados. Não há seguridade social. Não se pode atuar para sempre. Há idade limite, por exemplo. Então é natural que tenhamos outras profissões.  

Mas é gratificante. Não há qualquer esporte sem árbitros. E quem o faz, faz porque realmente gosta de fazer parte do estafe esportivo. O desejo é por mais respeito e por mais reconhecimento financeiro e profissional.  

Ainda tratando da legitimação da arbitragem como elemento “neutro”: os mecanismos atuais para garantir essa neutralidade, como escolher árbitro de “fora” ou por sorteios, estão sendo desafiados pelo cenário em que apostas esportivas estão amplamente disseminadas, inclusive como financiadoras de atletas, equipes, federações e eventos?   


DT | É uma discussão nova e extremamente importante. Nós, federados e confederados, somos proibidos de participar de plataformas de apostas. As regras dizem que se houver tentativas, as plataformas devem barrar o lance.  

Isso é correto e não apenas por causa dos “possíveis” arranjos, mas porque compartilho da ideia de que é uma atividade adoecedora, como apontam estudos aqui mesmo do Setor de Biológicas da UFPR, como a do professor Marcelo de Meira Santos Lima [coordenador do Laboratório de Neurofisiologia da UFPR].  

Acho que há muito a se pesquisar e compreender sobre o assunto.   

Depois da estreia de arbitragem feminina no Catar, em 2022, para a Copa do Mundo de 2026 a Fifa manteve o número de seis árbitras mulheres entre os 170 oficiais de arbitragem, alterando, porém, o número de árbitras principais. Das três no Catar, foi para duas este ano, que se somam a três assistentes e a uma profissional de VAR. Avalia que as posições das árbitras mulheres indica uma delimitação de espaço para elas, como dá a parecer, ou não necessariamente?   


DT | Sim, ainda não há um espaço igualitário. Há evolução, mas ainda lenta. Porque quando um árbitro erra, por exemplo, é um equívoco individual e ele é provavelmente corretamente criticado. Quando uma árbitra erra é como se todas as mulheres cometessem uma falta grave e não fosse esse um ofício para elas.  

Ela não erra porque se preparou mal, estava mal posicionada, mas porque é mulher e não deveria estar ali.  

Então, ainda menos mulheres procuram essa profissão. Existem mulheres muito preparadas, mas precisam ser estimuladas e vistas para que mais delas se sintam à vontade sendo oficiais de arbitragem o e número de árbitras, cresça.  

 Existe algum avanço em relação à trajetória de árbitras como Edina Alves, que revela as mulheres ainda vistas como “intrusas” em um território masculino?   


DT | Existe. Hoje há departamento feminino nas federações. Tem quadro Fifa feminino, coisa impensável tempos atrás. Há mulheres como a própria Edna e outras arbitrando partidas masculinas em todas a divisões. E com a proximidade da Copa as federações têm feito trabalhos intensivos com a arbitragem feminina para que estejam preparadas para as convocações. Então, embora lentamente, as mulheres vêm provando que podem, sim, ocupar esse ofício.   

 No que a dominação masculina serve ao futebol como aparelho ideológico? As árbitras mulheres ameaçam isso?    


DT | O esporte é masculino de nascimento. As mulheres começam a praticá-lo muito mais tarde. Assim também é com o futebol. Vivemos em um mundo ainda muito patriarcal, mas há um movimento progressista que pensa a posição das mulheres e outros direitos humanos. No futebol, por ser um palco ainda muito dominado pelos homens, a resistência é maior, então a presença das árbitras, mas também de mulheres jornalistas que falam de futebol, de jogadoras, de técnicas, coloca em xeque essa parcela que insiste em viver em um mundo que não existe mais.  

É lento o processo, mas é também esperançoso.   

Conte mais como a sua própria experiência como árbitra: como começou, como está agora, o que significa em termos de experiência de esporte e de vida?   


DT | Sou de uma família que respira esporte. Meu pai foi árbitro. Temos uma loja de artigos esportivos. Minhas irmãs foram atletas. Acompanhávamos todo e qualquer esporte na televisão, embora o futebol tivesse protagonismo. Por um tempo, moramos em um ginásio de esportes. Então foi um caminho muito natural. Meu pai teve três filhas mulheres, nenhum menino e isso não nos impediu de nos relacionarmos intimamente com o esporte. Todas atuamos no futsal e no futebol. Começamos desde cedo nos campeonatos municipais, trabalhando nas súmulas, na organização. Depois uma irmã foi goleira e chegou ao quadro da Fifa como árbitra de futsal. Eu saí de casa para estudar em Florianópolis, mas precisava trabalhar para poder permanecer longe. Então, como meu pai já era árbitro, procuramos, uma de minhas irmãs e eu, a federação e fomos fazendo cursos, estudando, trabalhando em jogos mais amadores até chegar a Confederação Brasileira de Futsal. Como hoje sou professora, atuo menos do que gostaria, mas ainda é campo de trabalho e de pesquisa.  

Ano que vem teremos a Copa do Mundo Fifa de Futebol Feminino no Brasil, pela primeira vez na América do Sul. Em qual cenário chega o campeonato, considerando a ”desimportância”, como já escreveu, de tratamento que o futebol feminino recebe no país, onde times são fechados assim que o departamento masculino fracassa?    


DT | Infelizmente o futebol feminino no Brasil ainda existe no modo que eu chamo de “marginal”, que segue acompanhando a via principal, mas nunca é assumido com o protagonismo que deve. Está sempre à sombra.  

Então acredito que a oportunidade de sediar esse evento nos coloca em um momento muito importante para fomentar a formação de mulheres técnicas, preparadoras físicas, fisiologistas, de fomentar a prática de futebol de meninas, de dar visibilidade e de pensar os direitos de todas as mulheres, mesmo as que não jogam.  

Vivemos um momento em que retrocessos com relação aos diretos humanos vem se intensificando no mundo. A participação feminina com protagonismo e a Copa do Mundo no Brasil podem ser uma oportunidade para se aprovar políticas públicas efetivas que ajudem a assegurar suas vidas, reduzam desigualdades de salários, garantam a presença em todos os lugares em que desejem estar e permitam que pratiquem, comentem, orientem futebol, tendo suas opiniões e atuações respeitadas.  

Como romper com a lógica de que os times femininos são uma obrigação formal para que os clubes disputem competições como a Libertadores?    


DT | É preciso mudar a cultura. Normas como essa são importantes, mas precisam estar mais asseguradas. São formas de ampliar a participação de mulheres, e, com essa visibilidade, a cultura vai sendo modificada. Meninas veem outras meninas jogarem, homens compreendem que as mulheres podem orientar, jogar, comentar futebol. Mulheres sentem-se seguras para seguirem carreiras ainda pouco procuradas por elas.  

É um ciclo. E a educação é fundamental nesse processo. 

Sobre a educação básica nisso tudo: pensando nas mudanças curriculares da educação nos últimos anos, o mais provável é que o que chama de “monocultura esportiva”, o foco na prática e na competição, se aprofunde na substituição de um currículo amplo da Educação Física, que trata da formação humana e da dignidade de qualquer corpo?  


DT | A educação física na escola deve apresentar e tematizar as práticas corporais produzidas pela humanidade e que são importantes de serem compreendidas para que sigamos vivendo em sociedade. Então, circo, dança, esporte, ginástica, jogos e brincadeiras e outras manifestações devem ser trabalhadas na escola. 

Competir e o que você chama de parte prática, apenas jogar, são constituintes dessa cultura, mas não podem ser únicas. O papel da educação física escolar vai além.  

Também é preciso desvincular o futebol apenas de seu aspecto do alto rendimento, que não oportuniza experiências para todos os corpos.  

Nosso conteúdo segue sendo o esporte, mas vamos além de apenas experimentá-lo jogando, antes sim alcançando todas as questões que permeiam a realização dessa prática corporal, sejam questões técnicas, sejam suas regras, questões fisiológicas ou ainda questões de gênero, por exemplo. Compreender por que a copa das mulheres não tem a mesma visibilidade do que a masculina também é conteúdo da disciplina.   

No caso do futebol, a educação básica tem participado de alguma forma dos fenômenos de profissionalização precoce? Se sim, quais os efeitos disso?   


DT | Já participou mais. Uma de minhas primeiras pesquisas, com colegas ainda na graduação, mostrava como a educação física escolar era eventualmente substituída pela participação dos estudantes em escolinhas de treinamento, pois havia um entendimento, associado a uma fase anterior da área, muito vinculada ao ensino apenas dos esportes, de que a disciplina deveria “caçar talentos esportivos”. 

Felizmente as pessoas que pensam políticas públicas educacionais perceberam que era muito pouco formativo substituir todo o conteúdo da educação física escolar pela monocultura esportiva. Hoje a simples substituição das aulas pelo treinamento de uma modalidade não é mais permitido.  

Mas de certa forma a educação física ainda fomenta essa profissionalização precoce porque o senso comum ainda afirma que ser bem-sucedido é ser jogador profissional, ganhar dinheiro sendo atleta e as crianças se sentem estimuladas a apenas praticarem essas modalidades cada vez mais cedo e assim acabam tendo menos experiências de movimento do que poderiam.   

É por essa faceta que a educação apresenta ao cidadão o esporte que se promove “adestramento para o capital” no Brasil?  


DT | Sim. Pode promover essa possibilidade e não apenas no Brasil.  

No momento em que estávamos saindo de um período ditatorial foi um texto da Educação Física brasileira que foi importante para esse debate [o artigo “A criança que pratica esporte respeita as regras do jogo… capitalista”, de Valter Bracht, publicado em 1986 na Revista Brasileira de Ciências do Esporte]. Durante esse período a Educação Física foi muito vinculada ao regime por meio do esporte, principalmente pelo futebol, pois a vitória da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1970 foi utilizada como vitrine, como modelo de sucesso de governo.  

De lá para cá o campo avançou muito nessas discussões. Mas, como o futebol no Brasil ainda é muito praticado nas aulas dessa disciplina, muito transmitido, as crianças pedem por esse conteúdo, ele acaba sendo intensamente consumido como um produto, como mais um produto da indústria cultural.  

Veja a febre das figurinhas e do álbum, por exemplo, a idolatria com alguns jogadores, o valor das camisas dos times, as apostas, as pausas para hidratação que citei e que mais servem a disseminação de propagandas do que ao aspecto fisiológico.  

Todas essas questões apontam como o futebol e o esporte têm afinidades com a forma mercadoria, com os aspectos reificadores do capital.  

➕ Leia o capítulo “Mulheres no Futebol, em todos os lugares: também na arbitragem”, no livro Deporte y Politica, de 2023 (aberto; em português); e “Do centro à periferia: sobre a presença da teoria crítica do esporte no Brasil”, na Revista Brasileira de Ciências do Esporte (aberto; em português) 
Tags:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *