{"id":28539,"date":"2026-03-10T10:26:30","date_gmt":"2026-03-10T13:26:30","guid":{"rendered":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/?p=28539"},"modified":"2026-03-19T17:02:16","modified_gmt":"2026-03-19T20:02:16","slug":"mata-se-uma-mulher-nao-apenas-por-atos-reais-mas-tambem-aniquilando-sua-memoria-e-existencia-priscilla-placha-sa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/mata-se-uma-mulher-nao-apenas-por-atos-reais-mas-tambem-aniquilando-sua-memoria-e-existencia-priscilla-placha-sa\/","title":{"rendered":"\u201cMata-se uma mulher n\u00e3o apenas por atos reais, mas tamb\u00e9m aniquilando sua mem\u00f3ria e exist\u00eancia\u201d | Priscilla Placha S\u00e1"},"content":{"rendered":"<p>Dizer que os corpos femininos s\u00e3o \u201cmat\u00e1veis\u201d, ou seja, t\u00eam matabilidade, significa apontar o poder de vida e morte que os homens acreditam possuir sobre a mulher, a quem consideram um bem-patrim\u00f4nio. Esse \u00e9 o ponto de partida dos estudos sobre feminic\u00eddio \u2014 o assassinato motivado pelo desprezo \u00e0 mulher \u2014 do grupo de pesquisa \u201cTodas as mulheres importam\u201d, que Priscilla Placha S\u00e1 coordenou no Departamento de Direito Penal e Processual Penal da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR).<\/p>\n<p>A descri\u00e7\u00e3o pode chocar quem prefere ignorar que vive num mundo assim. Por\u00e9m, a tese da criminologia feminista se materializa com frequ\u00eancia no cotidiano acad\u00eamico e profissional de Placha S\u00e1, que tamb\u00e9m \u00e9 desembargadora do Tribunal de Justi\u00e7a do Paran\u00e1 (TJPR). A tentativa de controlar corpos femininos pela viol\u00eancia est\u00e1 na base de casos criminais que chegavam \u00e0 2\u00aa Vara Criminal antes da cria\u00e7\u00e3o da 6\u00aa C\u00e2mara Criminal, especializada em viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar.<\/p>\n<p>J\u00e1 s\u00e3o 11 anos de lei espec\u00edfica contra o feminic\u00eddio no Brasil \u2014 inclusive com aumento recente de pena \u2014 e, <a href=\"https:\/\/fontesegura.forumseguranca.org.br\/quatro-mulheres-por-dia-o-feminicidio-como-falha-estrutural-do-estado-brasileiro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">apesar de o fen\u00f4meno parecer distante de ser amenizado<\/a>, consegue com facilidade destaque na esfera p\u00fablica. Assim, suas diversifica\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m ficam mais evidentes.<\/p>\n<p>\u00c9 por representar um feminic\u00eddio metaf\u00f3rico, por exemplo, que a viol\u00eancia que busca atingir a mulher vitimando seus entes queridos \u2014 geralmente filhos e pais \u2014 tem levantado discuss\u00f5es sobre a necessidade de atualiza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o. Vale ressaltar que familiares sempre foram v\u00edtimas colaterais do feminic\u00eddio. No <a href=\"https:\/\/inovacao.tjpr.jus.br\/web\/cevid\/materiais-e-documentos\/-\/asset_publisher\/R8lhF1uabGFg\/content\/dossie-feminicidio-por-que-aconteceu-com-ela-\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cDossi\u00ea Feminic\u00eddio: Por que aconteceu com ela?\u201d<\/a>, publicado em 2021 pela Coordenadoria de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica e Familiar contra a Mulher do TJPR em conjunto com pesquisadoras da UFPR, quando Placha S\u00e1 estava \u00e0 frente da unidade, filhos aparecem como principal v\u00edtima secund\u00e1ria de casos de feminic\u00eddio tentados e consumados, muitas vezes porque tentam impedir a agress\u00e3o.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o, por\u00e9m, est\u00e1 em quando o foco principal da viol\u00eancia s\u00e3o entes queridos, mantido o intuito de atingir uma mulher. Popularizada pela express\u00e3o viol\u00eancia vic\u00e1ria (do latim <em>vicarius<\/em>, que significa substituto), esse tipo de agress\u00e3o \u00e0s vezes poupa a vida da mulher, mas n\u00e3o a blinda da dor e menos ainda do escrut\u00ednio social. \u201c[Ocorre] uma morte em vida ou uma morte da mem\u00f3ria da mulher\u201d, avalia Placha S\u00e1.<\/p>\n<p>Nesta entrevista, a professora e pesquisadora fala sobre viol\u00eancia vic\u00e1ria, o que espera da legisla\u00e7\u00e3o e da atua\u00e7\u00e3o do judici\u00e1rio e a &#8220;linguagem feminicida&#8221;, que antecede e normaliza o feminic\u00eddio.<\/p>\n<p><strong>O projeto de pesquisa \u201cTodas as mulheres importam\u201d aborda a maior \u201cmatabilidade\u201d dos corpos femininos. Como a viol\u00eancia vic\u00e1ria, que busca atingir a mulher de forma indireta, por meio de seus entes queridos, dialoga com os aspectos do feminic\u00eddio?<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Priscilla Placha S\u00e1 <span style=\"color: #cf6777\">|<\/span><\/strong> O projeto \u201cTodas as Mulheres importam\u201d buscava evidenciar que mulheres que est\u00e3o fora de um estere\u00f3tipo \u201ctradicional\u201d de mulher tamb\u00e9m s\u00e3o merecedoras da prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica e cujas mortes tamb\u00e9m devem ser compreendidas como feminic\u00eddio. Ou seja, mulheres cisg\u00eaneras, com prole, e que tem uma &#8220;vida tradicional\u201d, desde uma perspectiva de uma mulher herdada de um modelo colonial. Como se pens\u00e1ssemos nas &#8220;sinhazinhas\u201d da Col\u00f4nia.<\/p>\n<p>Quando a primeira legisla\u00e7\u00e3o sobre feminic\u00eddio foi aprovada em 2015, uma das quest\u00f5es que emergiu nos debates feministas e grupos de interesse, era o fato de que a associa\u00e7\u00e3o da primeira hip\u00f3tese como a exist\u00eancia de um quadro anterior de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar, institucionalizaria uma prefer\u00eancia do sistema ao chamado feminic\u00eddio \u00edntimo deixando de lado outros feminic\u00eddios decorrentes da segunda hip\u00f3tese: menosprezo e discrimina\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia contra a mulher, os denominados feminic\u00eddios p\u00fablicos. Nesse, as mulheres atingidas performam uma mulher que n\u00e3o \u00e9 considerada \u201ctradicional\u201d, ou que est\u00e1 fora das teias de prote\u00e7\u00e3o mais cristalizadas: as mulheres transg\u00eaneras, mulheres n\u00e3o brancas, por exemplo.<\/p>\n<blockquote><p>A viol\u00eancia vic\u00e1ria, que \u00e9 uma express\u00e3o recente e ainda n\u00e3o incorporada como circunst\u00e2ncia direta, de alguma maneira, j\u00e1 gerava \u2014 mesmo na reda\u00e7\u00e3o de 2015 \u2014 uma maior reprovabilidade quando o fato era praticado na presen\u00e7a de ascendentes [pais, sogros, etc.] e descendentes [filhos].<\/p><\/blockquote>\n<p>Em um <a href=\"https:\/\/opo.iisj.net\/index.php\/osls\/article\/view\/1629\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">trabalho no qual pesquisei sobre crian\u00e7as e adolescentes em contextos de feminic\u00eddio<\/a>, pude perceber que isso n\u00e3o tem apenas consequ\u00eancias emocionais e sociais, podendo ser v\u00edtimas potenciais e diretas.<\/p>\n<p><strong>Muito tem se falado de como o caso de Itumbiara (GO) <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/justica\/noticia\/2026-02\/caso-itumbiara-defensoria-de-go-move-acao-contra-10-veiculos-de-midia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mostrou uma opini\u00e3o p\u00fablica que tende \u00e0 vilaniza\u00e7\u00e3o da mulher<\/a> que foi v\u00edtima, adotando, por exemplo, como realista o discurso da postagem aberta que o assassino dos pr\u00f3prios filhos deixou em uma rede social. Qual a simbologia por tr\u00e1s desse caso, na sua compreens\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Placha S\u00e1 <span style=\"color: #cf6777\">|<\/span><\/strong> N\u00e3o vou comentar o caso direto, por dever \u00e9tico e legal.<\/p>\n<blockquote><p>No que concerne ao modo de comunica\u00e7\u00e3o de casos de feminic\u00eddio ou de casos de exclusiva viol\u00eancia vic\u00e1ria, entendo que uma mulher pode ser morta de outros modos que n\u00e3o apenas por atos reais, como um tiro ou uma facada. Aqui falo de matar a mem\u00f3ria de uma mulher que j\u00e1 foi morta ou de aniquilar uma exist\u00eancia fazendo-a ser a \u201cculpada\u201d. A forma de comunica\u00e7\u00e3o do fato revela muito sobre a postura diante dele.<\/p><\/blockquote>\n<p>Essa viol\u00eancia contra a prole ou os ascendentes da v\u00edtima \u00e9 uma linguagem de poder, como heran\u00e7a colonial do pater familiae, uma figura herdada do modelo dominador, em que ao \u201cpater\u201d era dado o poder da vida e da morte, sobre a mulher, a prole, os escravos, os estrangeiros. Como nos mostra Rita Laura Segato, ao explicar o patriarcado de alta intensidade, em que o sujeito exerce um \u201cmandato de propriet\u00e1rio\u201d. Ele \u00e9 o dono e por isso pode dispor disso, inclusive, da vida.<\/p>\n<p>E, claro, nisso h\u00e1 uma diversidade da atitude dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, que pode estar muito al\u00e9m do alcance desse meio, da posi\u00e7\u00e3o editorial e de outros dados, mas que implica em qual mensagem se quer passar com uma not\u00edcia, inclusive com indicativos mais claros ou mesmo ocultos sobre a responsabilidade pelo desencadear do fato. J\u00e1 h\u00e1 trabalhos organizados por integrantes do sistema de justi\u00e7a a fim de debater como comunicar esses casos, inclusive, para inibir o efeito \u201ccopycat\u201d ou efeito de imita\u00e7\u00e3o que uma not\u00edcia possa gerar.<\/p>\n<p><strong>Temos hoje na legisla\u00e7\u00e3o do Brasil os tipos de viol\u00eancia psicol\u00f3gica previstos na Lei Maria da Penha e na Lei de Aliena\u00e7\u00e3o Parental \u2014 <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=2338753\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">para a qual existe um movimento de revoga\u00e7\u00e3o<\/a>. Essas leis se complementam ou competem no enfrentamento do problema? Ajudaria que a previs\u00e3o da Maria da Penha estivesse tamb\u00e9m no Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA), passando assim a considerar a vitimiza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes? Existe tamb\u00e9m projeto de lei para incluir a viol\u00eancia vic\u00e1ria na Maria da Penha.<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Placha S\u00e1 <span style=\"color: #cf6777\">|<\/span><\/strong> As duas leis [Maria da Penha e Aliena\u00e7\u00e3o Parental] t\u00eam origem protetiva e isso \u00e9 um ganho. A quest\u00e3o que gira em torno de alegadas distor\u00e7\u00f5es em seu uso ou pr\u00e1tica jur\u00eddica, n\u00e3o parece justificar uma completa invalida\u00e7\u00e3o de seus ganhos \u2014 e quando digo, ganhos, s\u00e3o necessariamente o que veio de positivo com elas em mat\u00e9ria de prote\u00e7\u00e3o de direitos. E podem ser complementares, a depender do caso concreto. Os ajustes legislativos precisam de maturidade social e n\u00e3o devem ser feitos em ondas. Exigindo reflex\u00e3o e debate s\u00e9rio, inclusive, com setores qualificados.<\/p>\n<blockquote><p>A viol\u00eancia psicol\u00f3gica, e sua inclus\u00e3o no C\u00f3digo Penal, relativamente recente, veio da constata\u00e7\u00e3o de que o legislador percebeu que a \u201casfixia social\u201d ou \u201csufocamento invis\u00edvel\u201d provocados sem marcas f\u00edsicas, como a viol\u00eancia sexual, f\u00edsica ou letal, s\u00e3o um fato que j\u00e1 era noticiado h\u00e1 muitas d\u00e9cadas.<\/p><\/blockquote>\n<p>J\u00e1 quanto \u00e0 inclus\u00e3o da viol\u00eancia vic\u00e1ria, ela pode figurar no rol j\u00e1 existente no art. 7\u00aa da Lei Maria da Penha, ao lado das demais, e ser inclu\u00edda de forma espec\u00edfica tanto no C\u00f3digo Penal quanto no ECA. No C\u00f3digo Penal, ela pode ter um espectro mais amplo, por exemplo, se o autor atingir a genitora da v\u00edtima ou seu atual companheiro, bem como a prole. Se for no ECA, de modo coerente com sua sistem\u00e1tica protetiva, seria inclu\u00edda uma possibilidade quanto a crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n<p><strong>Na criminologia que chega \u00e0 m\u00eddia (muito baseada na est\u00e9tica do <em>true crime<\/em>) existem os termos \u201cfamilicida\u201d ou \u201caniquilador de fam\u00edlia\u201d (sem g\u00eanero). No geral esses conceitos focam na psiqu\u00ea do agressor em vez de em quest\u00f5es sociais relacionadas \u00e0 viol\u00eancia. Avalia que essas abordagens ajudam ou atrapalham?<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Placha S\u00e1 <span style=\"color: #cf6777\">|<\/span><\/strong> A denominada \u201ccriminologia midi\u00e1tica\u201d tem muitos recortes de an\u00e1lise, e um deles \u00e9 o de g\u00eanero. Um pouco do que falamos aqui, anteriormente.<\/p>\n<p>O uso da express\u00e3o \u201cfamilicida\u201d retorna \u00e0 reflex\u00e3o dos feminic\u00eddios \u00edntimos e a cen\u00e1rios de viol\u00eancia dom\u00e9stica que respondem, \u00e9 verdade, por uma parte importante dos casos. Mas e as mortes de outras mulheres que n\u00e3o ocorrem em contexto de rela\u00e7\u00f5es que caracterizam viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar?<\/p>\n<p>Gosto muito de uma reflex\u00e3o da autora Rebecca Solnit que diz, quem mata as mulheres, j\u00e1 que n\u00e3o vemos mulheres \u2014 como regra \u2014 envolvidas em brigas de torcida, disputas militares, no caso brasileiro, brigando por pontos de droga? A viol\u00eancia urbana ou o feminic\u00eddio p\u00fablico tamb\u00e9m vitimam mulheres de um modo distinto.<\/p>\n<blockquote><p>A est\u00e9tica de que a fam\u00edlia se sobrep\u00f5e \u00e0 mulher, enquanto sujeito de direitos, \u00e9 uma perman\u00eancia muito complexa. Embora, por certo, que a morte de crian\u00e7as e adolescentes, \u00e9 sempre um dos eventos mais tr\u00e1gicos que podemos presenciar enquanto sociedade, especialmente porque algu\u00e9m que as deveria proteger passa a ser quem vai lhes tirar a vida.<\/p><\/blockquote>\n<p>E \u00e9 essa \u00e9 uma heran\u00e7a colonial ainda muito presente, a de que o patriarca tem o poder da vida e da morte, sobre \u201csua\u201d mulher e a \u201csua prole\u201d, num rol de bens de que disp\u00f5e.<\/p>\n<p><strong>As pol\u00edticas p\u00fablicas de combate \u00e0 viol\u00eancia de g\u00eanero geralmente buscam ampliar os canais de den\u00fancia, torn\u00e1-los mais acess\u00edveis \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e reduzir estigmas sobre a den\u00fancia. Acredita que esse \u00e9 o caminho? Faltam a\u00e7\u00f5es complementares?<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Placha S\u00e1 <span style=\"color: #cf6777\">|<\/span><\/strong> A confian\u00e7a no sistema por parte de uma pessoa atingida por qualquer extrato de viol\u00eancia \u00e9 essencial para que ela seja conhecida pelo poder p\u00fablico e que permita a responsabiliza\u00e7\u00e3o de quem a praticou. Algumas dessas viol\u00eancias, como a de g\u00eanero, exigem alguns descritores adicionais.<\/p>\n<p>Dificilmente uma mulher que pretenda registrar uma ocorr\u00eancia de roubo (do seu rel\u00f3gio, bolsa ou celular), pensar\u00e1 duas vezes em faz\u00ea-lo, por conta de perguntas atravessadas: \u201cMas por que voc\u00ea levou o celular para o trabalho\u201d, e com menor chance ainda, \u201cque roupa voc\u00ea estava usando nesse dia\u201d.<\/p>\n<p>Agora quando se fala em uma das modalidades de viol\u00eancia sexual, por exemplo, a situa\u00e7\u00e3o passa a uma discuss\u00e3o em torno de \u201cvitimiza\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria\u201d, ou revitimiza\u00e7\u00e3o institucional. Surgem perguntas como: \u201cvoc\u00ea tem certeza de que n\u00e3o queria estar com ele\u201d ou o \u201cque voc\u00ea estava fazendo sozinha na rua a essa hora\u201d.<\/p>\n<p>Uma das tarefas que o poder p\u00fablico e o sistema de justi\u00e7a t\u00eam trabalhado \u00e9 capacitar profissionais evitando que isso aconte\u00e7a, n\u00e3o s\u00f3 para que haja confian\u00e7a no registro, mas em seu processamento at\u00e9 uma decis\u00e3o final.<\/p>\n<blockquote><p>Ainda h\u00e1 muito o que fazer, mas se tem avan\u00e7ado, no que cito como exemplos o Protocolo de Julgamento com Perspectiva de G\u00eanero e a Lei Mariana Ferrer, a fim de que n\u00e3o haja, o que comentei antes: uma morte em vida ou uma morte da mem\u00f3ria da mulher.<\/p><\/blockquote>\n<p>N\u00e3o deixo de considerar, por fim, que a tarefa \u00e9 multin\u00edvel e intersetorial, no que implica, inclusive, uma tomada de postura social. Quando se compartilha num grupo, uma not\u00edcia de um estupro coletivo, e algu\u00e9m comenta: \u201cmas ser\u00e1 que ela n\u00e3o quis\u201d, a posi\u00e7\u00e3o a partir disso pode repercutir num extrato de mais ou menos viol\u00eancias.<\/p>\n<p>Ou seja, como n\u00f3s enquanto sociedade nos colocamos diante de casos de viol\u00eancia de g\u00eanero. Recordo-me de um caso ocorrido h\u00e1 muitos anos fora do Estado: algumas garotas foram tirar fotos num ponto tur\u00edstico em plena luz do dia, e alguns garotos praticaram contra elas viol\u00eancia sexual, agress\u00f5es f\u00edsicas, e, ainda jogaram uma das meninas do penhasco. A pergunta que apareceu aqui e ali foi: Mas o que faziam garotas tirando foto num ponto tur\u00edstico? O que denuncia nosso progresso ou retrocesso civilizat\u00f3rio n\u00e3o \u00e9 a resposta em si, e sim a pr\u00f3pria pergunta.<\/p>\n<p><strong>O sistema de justi\u00e7a criminal poderia se adiantar aos marcadores dessa forma de viol\u00eancia, atuando na preven\u00e7\u00e3o? Se sim, o que falta para isso?<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Placha S\u00e1 <span style=\"color: #cf6777\">|<\/span><\/strong> As possibilidades de uma atua\u00e7\u00e3o preventiva do Poder Judici\u00e1rio t\u00eam limites de sua pr\u00f3pria fun\u00e7\u00e3o institucional e por disposi\u00e7\u00e3o legal. No tema em quest\u00e3o, uma das quest\u00f5es legalmente permitidas est\u00e1 na avalia\u00e7\u00e3o de medidas protetivas de urg\u00eancia que visam inibir ou estancar viol\u00eancias.<\/p>\n<p>N\u00e3o penso que \u00e9 poss\u00edvel falar de modo gen\u00e9rico sobre o repert\u00f3rio de viol\u00eancias que podem ser cometidas numa rela\u00e7\u00e3o de causalidade, mas \u00e9 fato que os instrumentos de avalia\u00e7\u00e3o de risco s\u00e3o muito importantes para auxiliar na interven\u00e7\u00e3o do sistema de justi\u00e7a, tanto da \u00e1rea de fam\u00edlia, quanto da inf\u00e2ncia e, tamb\u00e9m, criminal.<\/p>\n<p>A tomada de decis\u00e3o deve se dar em cada caso a fim de que o sistema de justi\u00e7a, nessas \u00e1reas, busque o implemento de uma perspectiva protetiva a partir da situa\u00e7\u00e3o descortinada no processo.<\/p>\n<blockquote><p>O que \u00e9 poss\u00edvel afirmar \u00e9 que \u2014 desde as inst\u00e2ncias mais elevadas do sistema de justi\u00e7a, incluindo o Conselho Nacional de Justi\u00e7a, incluindo la\u00e7os entre poderes e entre institui\u00e7\u00f5es \u2014 est\u00e1 claro que o fen\u00f4meno da viol\u00eancia de g\u00eanero existe como uma realidade estrutural e que deve se pensar tanto na perspectiva de responsabiliza\u00e7\u00e3o quanto de preven\u00e7\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dizer que os corpos femininos s\u00e3o \u201cmat\u00e1veis\u201d, ou seja, t\u00eam matabilidade, significa apontar o poder de vida e morte que&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2800,"featured_media":28569,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":"","fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false},"categories":[1614,1618],"tags":[2854,1690,2878,2882,2881,2879,2877,2722,2880],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v23.5 - 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