{"id":26920,"date":"2025-07-23T15:29:03","date_gmt":"2025-07-23T18:29:03","guid":{"rendered":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/?p=26920"},"modified":"2025-08-09T17:58:38","modified_gmt":"2025-08-09T20:58:38","slug":"contar-a-historia-de-academicas-negras-e-uma-reconexao-com-a-minha-historia-claudemira-lopes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/contar-a-historia-de-academicas-negras-e-uma-reconexao-com-a-minha-historia-claudemira-lopes\/","title":{"rendered":"\u201cContar a hist\u00f3ria de acad\u00eamicas negras \u00e9 uma reconex\u00e3o com a minha hist\u00f3ria\u201d | Claudemira Lopes"},"content":{"rendered":"<p>Da \u00e9poca de estudante, Claudemira Lopes tem duas recorda\u00e7\u00f5es importantes. Uma s\u00e3o as feiras escolares de ci\u00eancias, que reuniam crian\u00e7as da periferia do Rio de Janeiro em torno de assuntos cient\u00edficos. Com cartazes de cartolina, experimentos simples e explica\u00e7\u00f5es de colegas s\u00f3 um pouco mais velhos, essas feiras que ocupavam o gin\u00e1sio de esportes de um col\u00e9gio p\u00fablico de Nova Igua\u00e7u abriram horizontes para a hoje docente. Criaram uma paix\u00e3o por ci\u00eancia e educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A outra lembran\u00e7a \u00e9 a \u00fanica professora negra que lecionou para Claudemira, nas s\u00e9ries iniciais de uma pequena escola p\u00fablica. \u201cEssa professora me inspirou porque dava aulas durante o dia e fazia faculdade \u00e0 noite\u201d, recorda-se. Para uma menina negra de oito anos, respons\u00e1vel por cuidar dos irm\u00e3os menores no tempo fora da escola, a dupla (tripla?) jornada da professora pelos estudos dava esperan\u00e7a de que para ela tamb\u00e9m poderia ser poss\u00edvel fazer da produ\u00e7\u00e3o de conhecimento uma profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, ao mesmo tempo que gostava muito de estudar, tinha que desenvolver estrat\u00e9gias na escola para sobreviver ao racismo que sofria de colegas e das professoras brancas. Minha estrat\u00e9gia era tirar notas altas e ficar invis\u00edvel na sala, quase n\u00e3o conversava, ficava no meu canto\u201d, conta.<\/p>\n<p>Esses peda\u00e7os de hist\u00f3ria se entrela\u00e7am no itiner\u00e1rio profissional de Claudemira. Hoje docente da Licenciatura em Educa\u00e7\u00e3o do Campo (Lecampo), na UFPR Litoral, sua tarefa na gradua\u00e7\u00e3o \u00e9 formar professores para comunidades tradicionais, como quilombolas e ind\u00edgenas. O compromisso que isso exige \u00e9 bem conhecido da docente, que lecionou 20 anos na educa\u00e7\u00e3o publica do Paran\u00e1 antes de ingressar na UFPR.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, mant\u00e9m o esp\u00edrito das feiras de ci\u00eancia nas a\u00e7\u00f5es de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u2014 no projeto de extens\u00e3o <a href=\"https:\/\/litoral.ufpr.br\/blog\/noticia\/projeto-de-extensao-a-genetica-tem-cor\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&#8220;A gen\u00e9tica tem cor?&#8221;<\/a>, da qual \u00e9 coordenadora. Inspirar meninas negras continua uma meta, desenvolvida em extens\u00e3o e em pesquisa, por meio do N\u00facleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) da UFPR.<\/p>\n<p>Hist\u00f3rias como a de Claudemira tamb\u00e9m servem de base para que o Julho das Pretas d\u00ea visibilidade \u00e0 mulher negra acad\u00eamica. \u00c9 assim que essa campanha, que busca incentivar o empoderamento no m\u00eas do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, em 25 de julho, chega \u00e0s universidades destacando exemplos hist\u00f3ricos e atuais de mulheres negras intelectuais e pesquisadoras.<\/p>\n<p>Nesta entrevista \u00e0 <em>Ci\u00eancia UFPR<\/em>, Claudemira lembra hist\u00f3rias da sua trajet\u00f3ria, mas tamb\u00e9m fala sobre inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, forma\u00e7\u00e3o de professores, busca da ancestralidade africana nos estudos gen\u00e9ticos, cuidados na divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sobre gen\u00e9tica e racismo cient\u00edfico.<\/p>\n<p><strong>Qual a sua hist\u00f3ria ou a de sua fam\u00edlia que estimulou voc\u00ea a trabalhar com ci\u00eancia? Houve incentivo ou uma figura de inspira\u00e7\u00e3o? Hoje isso est\u00e1 mais presente para crian\u00e7as e adolescentes?<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Claudemira Vieira Gusm\u00e3o Lopes <span style=\"color: #8eaebd;\">|<\/span><\/strong> Sou filha mais velha de cinco irm\u00e3os, nascida em Minas Gerais e criada na periferia do Rio de Janeiro. Filha de pais assalariados com escolaridade limitada ao antigo ensino prim\u00e1rio, cresci em um ambiente simples, mas sempre ouvindo falar sobre import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o. Sempre tive grande interesse pelo conhecimento, especialmente pelas ci\u00eancias. Durante o ensino fundamental em escola p\u00fablica, participei de feiras de ci\u00eancias que marcaram profundamente minha trajet\u00f3ria.<\/p>\n<p>Eu morava em um munic\u00edpio na periferia do Rio de Janeiro, essas feiras ocorriam em um col\u00e9gio p\u00fablico em uma cidade chamada Nova Igua\u00e7u. Essa escola tinha um gin\u00e1sio de esportes, que na minha lembran\u00e7a de crian\u00e7a, era gigante. Para mim ir naquelas feiras era como se eu estivesse indo num evento da Nasa [ag\u00eancia espacial dos EUA]. Eu ficava encantada com os experimentos e ficava na d\u00favida de qual carreira seguir: \u00e0s vezes queria fazer f\u00edsica, ou qu\u00edmica, ou biologia, eu gostava de todas elas.<\/p>\n<blockquote><p>Essas experi\u00eancias despertaram uma paix\u00e3o pela investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e pelo desejo de compreender os fen\u00f4menos naturais.<\/p><\/blockquote>\n<p>Logo ap\u00f3s concluir o ensino m\u00e9dio, me casei e mudei para o Paran\u00e1, onde fui m\u00e3e de duas meninas [Thais e Izabella] e continuei meus estudos. Ingressei na gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas e, posteriormente, passei a lecionar Ci\u00eancias e Biologia na rede p\u00fablica estadual, conciliando a doc\u00eancia com a vida familiar e acad\u00eamica. Meu compromisso com a educa\u00e7\u00e3o e a vontade de aprofundar meus conhecimentos me conduziram ao mestrado em Ci\u00eancias do Solo. Alguns anos depois, cursei o doutorado em Agronomia [ambos na UFPR]. Minha trajet\u00f3ria \u00e9 marcada pela supera\u00e7\u00e3o de desafios sociais, raciais e econ\u00f4micos.<\/p>\n<h5><span data-contrast=\"auto\"><strong>GALERIA <span style=\"color: #cf6777;\">|<\/span><\/strong> Exerc\u00edcio diverso da doc\u00eancia<br \/>\n<\/span><span data-contrast=\"auto\"><\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/h5>\n<p>S\u00f3 tive uma professora negra durante meu processo de escolariza\u00e7\u00e3o e foi no ensino fundamental. Era a \u00fanica professora negra da escola, isso me marcou muito. Essa escola era bem pequena e s\u00f3 atendia at\u00e9 o 4\u00ba ano do fundamental I, tinha apenas cinco salas, era uma escola p\u00fablica. Essa professora me inspirou porque dava aulas durante o dia e fazia faculdade \u00e0 noite. Foi um per\u00edodo dif\u00edcil da minha vida porque meus pais trabalhavam fora e eu tinha que estudar e cuidar dos meus irm\u00e3os menores, sendo que eu tinha apenas oito anos. Al\u00e9m disso, eu passava por muitas situa\u00e7\u00f5es de racismo na escola e ao mesmo tempo que gostava muito de estudar, tinha que desenvolver estrat\u00e9gias para sobreviver ao racismo que sofria de colegas e das professoras brancas. Minha estrat\u00e9gia era tirar notas altas e ficar invis\u00edvel na sala, quase n\u00e3o conversava, ficava no meu canto.<\/p>\n<blockquote><p>Por ser uma mulher negra com todas as dificuldades de acesso ao ensino superior e a gradua\u00e7\u00e3o, penso que minha carreira \u00e9 um exemplo inspirador de ascens\u00e3o por meio da educa\u00e7\u00e3o, especialmente para jovens de origens semelhantes \u00e0 minha.<\/p><\/blockquote>\n<p>Por isso, me dedico tamb\u00e9m a promover a inclus\u00e3o, a igualdade das rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais por meio da produ\u00e7\u00e3o de materiais educativos antirracistas e o acesso ao conhecimento cient\u00edfico.<\/p>\n<p><strong>Levantar exemplos de cientistas negras para os materiais did\u00e1ticos do projeto Meninas e Mulheres nas Ci\u00eancias \u00e9 hoje um retorno ao passado para voc\u00ea, nesse sentido? Por que \u00e9 relevante apresentar mulheres negras como acad\u00eamicas?<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>CVGL <span style=\"color: #8eaebd;\">|<\/span><\/strong> O Projeto Meninas e Mulheres nas Ci\u00eancias [MMC], do qual fa\u00e7o parte e <a href=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/quanto-mais-subimos-na-carreira-cientifica-menos-mulheres-cientistas-encontramos-camila-silveira-da-silva\/\">\u00e9 coordenado pela professora Camila Silveira<\/a>, tem contribu\u00eddo com a educa\u00e7\u00e3o e a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de diversas formas. H\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o com o fato de n\u00f3s mulheres ainda sermos a minoria entre os pesquisadores que produzem ci\u00eancia, aliado ao fato de as pesquisas dessa minoria ainda serem de certa forma \u201cinvis\u00edveis\u201d aos olhos da sociedade.<\/p>\n<p>Por entender que essa falta\u202fde referenciais sobre mulheres na ci\u00eancia ser pode desestimular as meninas na hora de optarem pela carreira cient\u00edfica, o MMC tem produzido muitos materiais did\u00e1ticos, entre os quais, destaco a cole\u00e7\u00e3o Livros de Passatempos sobre mulheres cientistas.<\/p>\n<p>Apesar dos avan\u00e7os nas pol\u00edticas de inclus\u00e3o e equidade de g\u00eanero, as mulheres ainda representam uma minoria nos espa\u00e7os acad\u00eamicos e no sistema nacional de ci\u00eancia e tecnologia no Brasil, especialmente em cargos de lideran\u00e7a e nas \u00e1reas de ci\u00eancias exatas e tecnol\u00f3gicas. Essa desigualdade se acentua ainda mais quando se trata de mulheres negras, que enfrentam um duplo obst\u00e1culo: o racismo estrutural e o machismo institucional.<\/p>\n<blockquote><p>Enquanto mulheres brancas conseguem, em parte, avan\u00e7ar em suas carreiras acad\u00eamicas, as mulheres negras s\u00e3o frequentemente invisibilizadas, sub-representadas e exclu\u00eddas de oportunidades de financiamento, publica\u00e7\u00e3o e reconhecimento.<\/p><\/blockquote>\n<p>A interseccionalidade entre g\u00eanero e ra\u00e7a evidencia uma hierarquia persistente dentro da academia brasileira, que reproduz desigualdades hist\u00f3ricas e sociais, limitando o acesso e a perman\u00eancia de mulheres negras nesse espa\u00e7o. Combater essa disparidade requer n\u00e3o apenas a\u00e7\u00f5es afirmativas, mas tamb\u00e9m uma profunda transforma\u00e7\u00e3o das estruturas acad\u00eamicas e de\u202fseus\u202fvalores.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/meninasemulheresnascienciasufpr.blogspot.com\/2021\/11\/livro-de-passatempos-cientistas-negras.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Coordeno a cole\u00e7\u00e3o das cientistas negras brasileiras dentro do MMC<\/a> porque quero que as meninas negras se espelhem nessas mulheres que nos antecederam e s\u00e3o brilhantes nas pesquisas que desenvolvem.<\/p>\n<p>O ato de investigar e dar visibilidade ao trabalho de outras cientistas negras me permite, como pesquisadora, me reconectar com a minha pr\u00f3pria hist\u00f3ria, identidade e trajet\u00f3ria. \u00c9 como se, ao olhar para essas mulheres que vieram antes eu reconhecesse nelas partes de mim mesma.<\/p>\n<blockquote><p>Os mesmos desafios enfrentados ou mesmo as aus\u00eancias de n\u00f3s nos espa\u00e7os acad\u00eamicos. Esse movimento de pesquisa se torna, ent\u00e3o, tamb\u00e9m um ato de autoconhecimento, afirma\u00e7\u00e3o e ancestralidade.<\/p><\/blockquote>\n<p>O volume 1 das cientistas negras trouxe mulheres como Enedina Marques, Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, Neusa Santos, Rita de Cassia dos Anjos e outras. Quando chegamos nas escolas e mostramos as fotos dessas mulheres e dizemos que s\u00e3o engenheiras, bi\u00f3logas, historiadoras, qu\u00edmicas ou f\u00edsicas, a maioria desconhece esse fato.<\/p>\n<p><strong>Com nota m\u00e1xima no MEC, a Licenciatura em Educa\u00e7\u00e3o do Campo da UFPR tem uma proposta interessante de capacitar professores de comunidades tradicionais com forte peso para a extens\u00e3o e tendo, como referenciais te\u00f3ricos, a valoriza\u00e7\u00e3o dos saberes tradicionais, em um \u201cdi\u00e1logo de saberes\u201d com a ci\u00eancia. Muita gente acredita que esse di\u00e1logo \u00e9 dif\u00edcil ou at\u00e9 imposs\u00edvel, pela l\u00f3gica capitalista que a ci\u00eancia segue.<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>CVGL <span style=\"color: #8eaebd;\">|<\/span><\/strong> A Educa\u00e7\u00e3o do Campo \u00e9 resultado da luta dos movimentos sociais do campo por uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade e a Lecampo que surge desse movimento como uma proposta formativa inovadora e estrat\u00e9gica, especialmente por seu compromisso com a valoriza\u00e7\u00e3o dos saberes das comunidades tradicionais e sua forte articula\u00e7\u00e3o com a extens\u00e3o universit\u00e1ria. Voltada para a forma\u00e7\u00e3o de professores que j\u00e1 vivem e atuam no campo, por exemplo, ind\u00edgenas, quilombolas, pequenos agricultores familiares, pescadores e ribeirinhos, essa licenciatura alia a base cient\u00edfica das ci\u00eancias da natureza com metodologias pedag\u00f3gicas contextualizadas, respeitando a cultura, o modo de vida e as necessidades locais.<\/p>\n<p>De fato, o foco na extens\u00e3o permite que o conhecimento acad\u00eamico dialogue com as realidades do campo, promovendo uma educa\u00e7\u00e3o transformadora, cr\u00edtica e voltada para a emancipa\u00e7\u00e3o social, al\u00e9m de fortalecer o protagonismo das comunidades na constru\u00e7\u00e3o de saberes e pr\u00e1ticas\u202feducativas.<\/p>\n<blockquote><p>Penso que mesmo dentro da l\u00f3gica capitalista que muitas vezes guia a ci\u00eancia, minha pesquisa ao investigar o conhecimento etnobot\u00e2nico de uma comunidade quilombola pode, sim, ser um bom exemplo de valoriza\u00e7\u00e3o desses saberes e de di\u00e1logo com a comunidade.<\/p><\/blockquote>\n<p>Pesquisas dessa natureza se realizada com respeito, escuta e retorno para as pessoas envolvidas, podem contribuir para o reconhecimento da import\u00e2ncia do conhecimento tradicional, evidenciando que ele tem valor n\u00e3o s\u00f3 cultural, mas tamb\u00e9m ambiental e social \u2014 principalmente quando est\u00e1 ligado a pr\u00e1ticas\u202fsustent\u00e1veis, caso do meu estudo.<\/p>\n<p><strong>Em mar\u00e7o voc\u00ea assumiu junto com a Lucimar Dias [professora titular no Setor de Educa\u00e7\u00e3o da UFPR] coordena\u00e7\u00e3o do Neab, um grupo de pesquisa important\u00edssimo da universidade, coluna vertebral da pol\u00edtica de a\u00e7\u00f5es afirmativas da institui\u00e7\u00e3o antes ainda da Lei de Cotas. Que estrat\u00e9gia perpassa a coordena\u00e7\u00e3o do n\u00facleo hoje? Por exemplo: diversifica\u00e7\u00e3o das pesquisas, internacionaliza\u00e7\u00e3o, etc. Os neabs Brasil afora em geral conseguem trabalhar em rede?<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>CVGL <span style=\"color: #8eaebd;\">|<\/span><\/strong> O Neab na UFPR sempre teve dupla personalidade, porque ao mesmo tempo que \u00e9 um espa\u00e7o institucional, antes ligado a Superintend\u00eancia de Inclus\u00e3o, Pol\u00edticas Afirmativas e Diversidade [Sipad] e atualmente ligado \u00e0 Pr\u00f3-Reitoria de A\u00e7\u00f5es Afirmativas e Equidade [Proafe], \u00e9 ao mesmo tempo um grupo de pesquisa que tinha como l\u00edder o saudoso professor Paulo Vin\u00edcius [Baptista, falecido em 2024]. O que eu e a professora Lucimar assumimos foi o Neab institucional que est\u00e1 ligado ao gabinete da Proafe.<\/p>\n<p>Temos muitos planos para esta gest\u00e3o. O principal deles \u00e9 construir coletivamente o Plano de Combate ao Racismo da UFPR com metas e protocolos que nos ajudem a avan\u00e7ar na perspectiva de uma universidade sem racismo. Tamb\u00e9m queremos mapear os coletivos de estudantes negros, bem como saber quantos professores e servidores temos hoje autodeclarados na UFPR e interiorizar o Neab, constituindo n\u00facleos nos diferentes campi, al\u00e9m de mapear todos os grupos de pesquisa da UFPR que se dedicam a estudos no campo das rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais. Tudo isso para construir uma pol\u00edtica institucional visando uma universidade antirracista.<\/p>\n<p>Sobre o \u201cNeab grupo de pesquisa\u201d realizamos uma reuni\u00e3o ampla e aberta a toda a comunidade da UFPR para apresentar nosso Plano de Trabalho e comunicar aos professores e estudantes que fazem parte do Neab grupo de pesquisa que era liderado pelo professor Paulo que vamos apoi\u00e1-los e desejamos sua continuidade pois esperamos que algu\u00e9m assuma a tarefa de continuar o legado deste importante\u202fpesquisador.<\/p>\n<p>Os diversos grupos Neabs Brasil afora fazem parte de uma rede chamada Cons\u00f3rcios Nacionais de N\u00facleos de Estudos Afro-brasileiros [Coneabs], s\u00e3o entidades que congregam os Neabs de diferentes institui\u00e7\u00f5es de ensino superior no Brasil.\u202fEsses n\u00facleos atuam no \u00e2mbito universit\u00e1rio com o objetivo de promover o estudo, a pesquisa e a divulga\u00e7\u00e3o da cultura afro-brasileira, al\u00e9m de desenvolver a\u00e7\u00f5es afirmativas e pol\u00edticas de diversidade, funcionam como uma rede de colabora\u00e7\u00e3o entre esses n\u00facleos, buscando fortalecer a produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e o debate sobre quest\u00f5es raciais e \u00e9tnico-raciais no pa\u00eds. S\u00e3o respons\u00e1veis por realizar os\u202fcongressos de pesquisadores negros [Copenes], no \u00e2mbito da <a href=\"https:\/\/abpn.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as)<\/a> [ABPN]. Em nossa gest\u00e3o Neab Proafe, esperamos que os diferentes grupos de pesquisa encontrem um espa\u00e7o de reflex\u00e3o sobre o antirracismo e haja diversifica\u00e7\u00e3o de \u00e1reas. \u00c9 nesse sentido que queremos mapear\u202fos\u202fgrupos de pesquisa dentro da UFPR.<\/p>\n<p><strong>Considerando os seus 20 anos de doc\u00eancia em escola p\u00fablica: qual o espa\u00e7o para o professor da rede p\u00fablica que quer trabalhar com inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, antes e agora? Existe encorajamento ou \u00f4nus? O que muda na doc\u00eancia quando o educador se disp\u00f5e a apresentar a ci\u00eancia aos alunos ainda na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica?<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>CVGL <span style=\"color: #8eaebd;\">|<\/span><\/strong> Minhas atividades enquanto docente na escola p\u00fablica envolveram, dentre outras coisas, o trabalho com a inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Comecei em 1997 quando atuava no\u202fCentro de Aten\u00e7\u00e3o Integral \u00e0 Crian\u00e7a e ao Adolescente Ministro Fl\u00e1vio Suplicy de Lacerda [Caic] em Lapa [na Regi\u00e3o Metropolitana de Curitiba]. Eu era professora de Ci\u00eancias e coordenava o Clube de Ci\u00eancias que atendia crian\u00e7as de v\u00e1rias faixas et\u00e1rias, todas elas eram estudantes do ensino fundamental I, que participavam do Clube no contraturno.<\/p>\n<p>Nessa ocasi\u00e3o, orientei v\u00e1rios projetos de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, destaco o projeto desenvolvido pelo estudante Everton Lisboa. Um dia ele chegou no clube e com as m\u00e3os cheias de um besouro conhecido popularmente por joaninha, que segundo ele, estava em grande quantidade sobre uma planta conhecida por guanxuma que nascia no espa\u00e7o em frente \u00e0 escola, onde deveria ser a cal\u00e7ada. Ele estava muito curioso para saber o nome cient\u00edfico do besouro. Quando eu disse que sabia apenas o g\u00eanero daquela esp\u00e9cie de besouro, foi vis\u00edvel a decep\u00e7\u00e3o no olhar dele: \u201ccomo assim a senhora, uma bi\u00f3loga, n\u00e3o sabe o nome cient\u00edfico desse besouro?\u201d Nesse momento percebi que precisava obter mais informa\u00e7\u00f5es sobre aquele inseto para n\u00e3o decepcionar o estudante. Lembro de ter ligado para o Departamento de Zoologia da UFPR para solicitar uma conversa com algum entom\u00f3logo e me indicaram o professor Zundir [Jos\u00e9 Buzzi, professor titular aposentado em 1994]. Assim, eu e o estudante nos deslocamos at\u00e9 o Polit\u00e9cnico [campus da UFPR em Curitiba, no bairro Jardim das Am\u00e9ricas] para conversar com o professor que na hora classificou o besouro como <em>Calligrapha polyspila<\/em>.<\/p>\n<p>Esse professor ficou encantado como o fato de um menino de 13 anos ter tanta curiosidade pela ci\u00eancia. Ent\u00e3o, ele nos deu v\u00e1rios livros e mencionou que um projeto envolvendo a biologia daquele besouro seria in\u00e9dito. O aluno voltou empolgad\u00edssimo e sob minha orienta\u00e7\u00e3o escreveu um projeto de pesquisa para estudar a biologia do besouro. Quando percebi que ele tinha muitos registros acumulados, orientei a escrita do relat\u00f3rio e submetemos ao concurso Cientistas do Amanh\u00e3 (SBPC).\u00a0Fomos selecionados para apresentar a pesquisa para uma banca de cientistas durante a 50\u00aa Reuni\u00e3o Anual da SBPC em Natal, RN, em 1998.<\/p>\n<blockquote><p>Esse resultado teve um impacto muito grande na minha carreira e nos outros estudantes que passaram a procurar o Clube de Ci\u00eancias para desenvolver projetos. Daquela \u00e9poca em diante n\u00e3o parei mais de orientar a inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica no ensino fundamental e m\u00e9dio.<\/p><\/blockquote>\n<p>No entanto, foi uma \u00e9poca dif\u00edcil devido \u00e0 falta de incentivo. Desenvolvia esse trabalho na minha \u00fanica tarde de folga mesmo sem nenhum retorno financeiro. O que me estimulava eram os questionamentos dos estudantes, que foram fundamentais para despertar meu interesse pela pesquisa. Eles impulsionaram minha trajet\u00f3ria acad\u00eamica, motivando meu mestrado\u202fe\u202fdoutorado.<\/p>\n<p>Hoje, h\u00e1 muitos incentivos para os professores desenvolverem esse tipo de trabalho nas escolas, um exemplo \u00e9 um dos projetos de iniciativa do <a href=\"https:\/\/www.iaraucaria.pr.gov.br\/napis\/napi-parana-faz-ciencia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Novo Arranjo de Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o [Napi] Paran\u00e1 Faz Ci\u00eancia<\/a>, que criou mais de 200 clubes de ci\u00eancia em escolas da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica em todo o Paran\u00e1 em 2024, com apoio financeiro da Funda\u00e7\u00e3o Arauc\u00e1ria e do CNPq. Os professores que atuam como coordenadores desses clubes ganham uma bolsa para desenvolver pesquisas com as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Da \u00e9poca da rede p\u00fablica estadual \u00e9 que tiro minhas melhores hist\u00f3rias. Porque tive a oportunidade de orientar meus alunos em projetos que foram apresentados em grandes feiras de ci\u00eancia como por exemplo, a Mostratec, no Rio Grande do Sul. Muitas vezes n\u00e3o t\u00ednhamos recursos e nem equipamentos para desenvolver pesquisas, ent\u00e3o, por diversas vezes precisei desafiar meus alunos para que desenvolvessem suas pesquisas a partir de embalagens vazias de creme dental, de medicamentos, que eu levava para eles. Lembro que uma vez um aluno de 12 anos que estava no 6\u00ba ano do fundamental em uma escola da Lapa, se interessou pelas embalagens de pasta de dente. Observou que a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica dessas embalagens era muito parecidas, no entanto, o pre\u00e7o delas no mercado variava muito, uma chegava a custar dez vezes o pre\u00e7o da outra. Ent\u00e3o, ele bolou a seguinte pergunta: Qual o crit\u00e9rio que uma pessoa usa para escolher seu creme dental no supermercado? E elaborou v\u00e1rias hip\u00f3teses: ser\u00e1 que \u00e9 o pre\u00e7o? Ou ser\u00e1 que \u00e9 a embalagem? Com a minha ajuda ele organizou um question\u00e1rio e foi para a frente de dois supermercados entrevistar os clientes na sa\u00edda das compras. Esses dados foram organizados em gr\u00e1ficos e tabelas e mais uma pesquisa bibliogr\u00e1fica. Depois de tudo pronto, sugeri que o trabalho fosse enviado para a SBPC que aconteceria em Porto Alegre naquele ano. O trabalho dele foi selecionado e ele foi apresentar. Ele nunca havia viajado de avi\u00e3o e se hospedado em um hotel. Ficou maravilhado com tudo que viu na SBPC e o mundo de possibilidades e carreiras que ele podia seguir. No ano seguinte, apareceu um concurso chamado &#8220;sonhadores do mil\u00eanio&#8221;. Os promotores desse evento espalharam folders em v\u00e1rios lugares com a seguinte pergunta: Voc\u00ea conhece algum jovem que desenvolveu um projeto que seja \u00fatil para a sociedade? Fa\u00e7a a inscri\u00e7\u00e3o dele nos &#8220;sonhadores do mil\u00eanio&#8221; porque os selecionados ganhar\u00e3o uma viagem de 15 dias para a Disney. Eu tinha v\u00e1rios jovens para indicar, optei por inscrever o Saimon, o menino do creme dental. Dois meses se passaram, quando recebi um telefonema me avisando que eu e o Saimon hav\u00edamos sido selecionados para integrar a comitiva de 40 jovens brasileiros que iriam com tudo pago para a Disney. Quando dei a not\u00edcia, ele nem acreditou. Da\u00ed em diante tive que providenciar o RG e passaporte que ele n\u00e3o tinha. N\u00e3o tinha roupas e nem uma mala para viajar. Fui at\u00e9 a r\u00e1dio da cidade e fiz um pedido para que as pessoas ajudassem para que pud\u00e9ssemos conseguir o dinheiro para bancar os gastos com passaporte, roupas, etc. O Rotary Club da cidade e outras pessoas ajudaram e conseguimos em menos de um m\u00eas organizar tudo para que ele pudesse viajar. Na \u00e9poca, eu fazia o mestrado na UFPR e um dos professores n\u00e3o me liberou para viajar junto porque era \u00e9poca de aula. Ent\u00e3o, organizei para a m\u00e3e dele ir junto com ele. A\u00ed tivemos outro problema, nem ele e nem ela falava ingl\u00eas. Conversei com o dono de uma escola de ingl\u00eas que tinha na cidade para que ele fizesse uma imers\u00e3o com o Saimon de um m\u00eas e foi o suficiente. Essas aulas serviram para que ele ajudasse outros brasileiros que tiveram dificuldades durante a viagem l\u00e1 nos EUA.<\/p>\n<p><strong>Qual a sua rotina no projeto de pesquisa Genes e Sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, e na divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica dos resultados pelo &#8220;A Gen\u00e9tica Tem cor?&#8221;?\u00a0<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>CVGL <span style=\"color: #8eaebd;\">|<\/span><\/strong> Veja, a linha de pesquisa Gen\u00e9tica e Sa\u00fade da Popula\u00e7\u00e3o Negra foi criada pela professora M\u00e1rcia Beltrame [atualmente no Departamento de Gen\u00e9tica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul] ao perceber a necessidade de se conhecer a diversidade gen\u00e9tica da popula\u00e7\u00e3o afro-brasileira e suas implica\u00e7\u00f5es nos desenvolvimentos em sa\u00fade, uma vez que essa popula\u00e7\u00e3o tem sido sistematicamente negligenciada pelos estudos na \u00e1rea.<\/p>\n<p>Observe que o vi\u00e9s euroc\u00eantrico dos estudos em gen\u00e9tica \u00e9 mundial, como reportado atrav\u00e9s do n\u00famero de estudos de associa\u00e7\u00e3o gen\u00f4mica com doen\u00e7as e caracter\u00edsticas complexas e quanto aos participantes nesses estudos, a grande maioria europeus [conforme o <a href=\"https:\/\/www.gwasdiversitymonitor.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">GWAS Diversity Monitor<\/a>]. \u00c9 evidente a discrep\u00e2ncia se levarmos em considera\u00e7\u00e3o que 18% da popula\u00e7\u00e3o mundial \u00e9 africana e cerca de 10% \u00e9 europeia.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, para compreendermos a relev\u00e2ncia de pesquisas que envolvam popula\u00e7\u00f5es africanas ou afro-descendentes basta verificar que as popula\u00e7\u00f5es africanas s\u00e3o as de maior diversidade gen\u00e9tica do mundo de acordo com todos os estudos realizados na \u00e1rea [dado do livro <em>Human Evolutionary Genetics<\/em>].<\/p>\n<blockquote><p>Quando deixamos de estudar as popula\u00e7\u00f5es de ancestralidade africana, n\u00e3o s\u00f3 deixamos de conhecer sua diversidade, como deixamos de conhecer muitas causas de doen\u00e7as gen\u00e9ticas, como a varia\u00e7\u00e3o entre as pessoas pode impactar na predisposi\u00e7\u00e3o a todas as doen\u00e7as, na efic\u00e1cia dos tratamentos e por consequ\u00eancia no desenvolvimento de diagn\u00f3sticos e tratamentos que podem n\u00e3o se aplicar a essas popula\u00e7\u00f5es.<\/p><\/blockquote>\n<p>Agora a pergunta que n\u00e3o quer calar. E como ficam os estudos na \u00e1rea de gen\u00e9tica humana no Brasil, pa\u00eds que tem a maior popula\u00e7\u00e3o da di\u00e1spora africana no mundo e <a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-noticias\/2012-agencia-de-noticias\/noticias\/38719-censo-2022-pela-primeira-vez-desde-1991-a-maior-parte-da-populacao-do-brasil-se-declara-parda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">onde 55,5% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 negra<\/a>, e onde o vi\u00e9s euroc\u00eantrico dos estudos em gen\u00e9tica tamb\u00e9m persiste?<\/p>\n<blockquote><p>Aqui no Brasil, a exemplo da Europa e Estados Unidos, os estudos de gen\u00e9tica humana tem privilegiado apenas pessoas brancas, e mesmo os que incluem pessoas negras, o fazem sempre em muito menor propor\u00e7\u00e3o. Isso vale inclusive para estudos de doen\u00e7as que apresentam maior preval\u00eancia na popula\u00e7\u00e3o negra, como a diabetes tipo 2 e a hipertens\u00e3o, nesses o vi\u00e9s euroc\u00eantrico tamb\u00e9m est\u00e1 presente de forma espantosa, incluindo artigos cient\u00edficos com centenas a milhares de pacientes todos brancos.<\/p><\/blockquote>\n<p>Estou escrevendo um artigo sobre isso onde demonstro que essa quase inexist\u00eancia de estudos envolvendo a popula\u00e7\u00e3o negra pode ser explicada pelo racismo cient\u00edfico, estrutural e institucional.<\/p>\n<p>Voltando \u00e0 sua pergunta sobre minha rotina no projeto de pesquisa. Fui convidada para participar nessa pesquisa devido ao meu conhecimento e aproxima\u00e7\u00e3o com as comunidades quilombolas no Paran\u00e1, por onde iniciamos a pesquisa em 2018. Al\u00e9m de acompanhar as atividades da pesquisa, sugeri a cria\u00e7\u00e3o do projeto de extens\u00e3o &#8220;A Gen\u00e9tica Tem Cor?&#8221; para a produ\u00e7\u00e3o de livros, jogos e outros materiais did\u00e1ticos direcionados ao p\u00fablico em geral, e aos estudantes e professores da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Em 2024, a professora M\u00e1rcia assumiu como docente na UFRGS e o projeto passou a incluir as comunidades do Rio Grande do Sul. Hoje, todas as an\u00e1lises de extra\u00e7\u00e3o, sequenciamento e identifica\u00e7\u00e3o do DNA s\u00e3o realizadas na UFRGS, em uma parceria com a Fiocruz. A minha principal contribui\u00e7\u00e3o com a pesquisa tem sido coordenar as publica\u00e7\u00f5es do projeto A Gen\u00e9tica Tem Cor?<\/p>\n<p>Tenho pensado em teorizar o racismo a partir do conceito de tecnologia social. O racismo, especialmente o racismo estrutural, foi historicamente constru\u00eddo, mantido e aperfei\u00e7oado como um sistema de domina\u00e7\u00e3o. Ele organizou, e ainda organiza, as sociedades, distribuindo poder, oportunidades e recursos de forma desigual, a partir da ideia de ra\u00e7a, que \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o social, n\u00e3o biol\u00f3gica.<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0 ci\u00eancia e pseudoci\u00eancia, a eugenia, por exemplo, foi uma &#8220;tecnologia ideol\u00f3gica&#8221; usada para sustentar a superioridade racial branca. Do ponto de vista cr\u00edtico, especialmente nos estudos decoloniais e nos estudos sobre poder, o racismo pode sim ser entendido como uma tecnologia de controle social, pol\u00edtica e econ\u00f4mica. Constru\u00edda, mantida e ajustada ao longo do tempo para servir a interesses espec\u00edficos.<\/p>\n<blockquote><p>N\u00e3o se trata de &#8220;legitimar&#8221; o racismo como algo neutro ou t\u00e9cnico, e sim expor sua intencionalidade e complexidade como sistema operante. Sendo uma tecnologia, ele pode ser desmontado, combatido e superado.<\/p><\/blockquote>\n<p>Veja o exemplo dos estudos em gen\u00e9tica humana centrados em popula\u00e7\u00f5es negras. Eles podem funcionar como uma poderosa tecnologia de enfrentamento ao racismo estrutural, cient\u00edfico e institucional. Historicamente, a gen\u00e9tica foi usada para justificar hierarquias raciais, desumanizando pessoas negras com base em pseudoci\u00eancia. Ao produzir conhecimento real e robusto sobre a diversidade gen\u00e9tica dessas popula\u00e7\u00f5es, a ci\u00eancia hoje tem o poder de desmontar essas narrativas, revelando, por exemplo, que h\u00e1 mais diversidade gen\u00e9tica dentro de popula\u00e7\u00f5es africanas do que entre muitos outros grupos humanos. Isso enfraquece qualquer no\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de &#8220;ra\u00e7a&#8221; e corrige distor\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas perpetuadas por s\u00e9culos. Al\u00e9m disso, ao incluir popula\u00e7\u00f5es negras em pesquisas gen\u00e9ticas, ampliam-se os horizontes da medicina e da sa\u00fade p\u00fablica, tradicionalmente baseadas em padr\u00f5es europeus.<\/p>\n<p>Isso permite diagn\u00f3sticos mais precisos, tratamentos mais eficazes e pol\u00edticas de sa\u00fade mais justas, enfrentando o racismo institucional na pr\u00e1tica. Tamb\u00e9m fortalece o reconhecimento de identidades e ancestralidades historicamente apagadas, contribuindo para a valoriza\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria coletiva e das lutas por repara\u00e7\u00e3o, tornando a gen\u00e9tica uma ferramenta n\u00e3o apenas cient\u00edfica, mas pol\u00edtica e social, a servi\u00e7o\u202fda\u202figualdade das rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais.<\/p>\n<p><strong>Ainda sobre o projeto de extens\u00e3o: como qualificar a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de temas gen\u00e9ticos, assimilando-as \u00e0s quest\u00f5es sociais, a fim de que n\u00e3o se corra o risco de criar ou refor\u00e7ar estere\u00f3tipos raciais e \u00e9tnicos?<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>CVGL <span style=\"color: #8eaebd;\">|<\/span><\/strong> Como mencionei, iniciamos o projeto para divulgar os resultados da pesquisa in\u00e9dita sobre genes e sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o afro-brasileira, na \u00e9poca realizada no Laborat\u00f3rio de Gen\u00e9tica Molecular Humana da UFPR. Nossa preocupa\u00e7\u00e3o desde ent\u00e3o tem sido democratizar o acesso \u00e0 essas informa\u00e7\u00f5es para que a popula\u00e7\u00e3o brasileira, que em sua maioria se autodeclara negra, tenha acesso \u00e0s essas informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Entendo sua preocupa\u00e7\u00e3o com o risco de se criar ou refor\u00e7ar estere\u00f3tipos raciais. Principalmente se levarmos em considera\u00e7\u00e3o que a biologia, sem esquecer a antropologia e o direito, foi uma das respons\u00e1veis por perpetuar ideias racistas no Brasil, quando no final do s\u00e9culo XIX, usou as caracter\u00edsticas biol\u00f3gicas para explicar diferen\u00e7as psicol\u00f3gicas, morais e intelectuais entre as pessoas brancas e n\u00e3o brancas, usando como pano de fundo as ideias de Darwin sobre o determinismo biol\u00f3gico.<\/p>\n<blockquote><p>Por\u00e9m, vale ressaltar que qualquer divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, especialmente sobre temas sens\u00edveis como gen\u00e9tica e ra\u00e7a, carrega um risco potencial de interpreta\u00e7\u00e3o equivocada, principalmente se o conte\u00fado for desconectado de seu contexto ou for simplificado em excesso, principalmente por p\u00fablicos que j\u00e1 t\u00eam ideias racializadas enraizadas.<\/p><\/blockquote>\n<p>Perceba que o risco n\u00e3o est\u00e1 nas nossas publica\u00e7\u00f5es propriamente ditas, que s\u00e3o claramente antirracistas e cr\u00edticas, mas sim na forma como o conte\u00fado \u00e9 recebido, recortado, reproduzido ou interpretado fora do seu contexto original.<\/p>\n<blockquote><p>Uma forma de minimizar esse risco \u00e9 continuar investindo em uma linguagem acess\u00edvel, pedag\u00f3gica e comprometida com os aspectos sociais, hist\u00f3ricos e \u00e9ticos da ci\u00eancia.<\/p><\/blockquote>\n<p>A escolha do t\u00edtulo completo do projeto [&#8220;A Gen\u00e9tica Tem Cor? Presen\u00e7a\/Aus\u00eancia da Ancestralidade Africana nos Estudos de Gen\u00e9tica&#8221;] quer provocar uma reflex\u00e3o cr\u00edtica sobre como a gen\u00e9tica \u00e9 compreendida, produzida e divulgada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s popula\u00e7\u00f5es racializadas, especialmente as de ancestralidade africana.<\/p>\n<p>Ao formular essa pergunta, o projeto questiona a falsa neutralidade da ci\u00eancia gen\u00e9tica, evidenciando que, historicamente, a aus\u00eancia ou a sub-representa\u00e7\u00e3o da ancestralidade africana nos estudos gen\u00e9ticos reflete escolhas sociais, pol\u00edticas e epistemol\u00f3gicas \u2014 n\u00e3o meramente t\u00e9cnicas. O t\u00edtulo tamb\u00e9m sugere que, embora a gen\u00e9tica enquanto ci\u00eancia n\u00e3o atribua &#8220;cor&#8221; aos genes, a forma como ela \u00e9 aplicada, interpretada e representada muitas vezes carrega implica\u00e7\u00f5es raciais, que podem refor\u00e7ar ou combater desigualdades.<\/p>\n<p>Assim, o projeto prop\u00f5e uma abordagem que destaca a necessidade de reconhecer, valorizar e incluir a diversidade gen\u00e9tica de popula\u00e7\u00f5es negras nos estudos cient\u00edficos, como forma de romper com pr\u00e1ticas racistas excludentes existentes nos estudos de gen\u00e9tica humana e promover uma ci\u00eancia mais justa, plural e comprometida com a equidade\u202fracial.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: right;\"><span class=\"TextRun SCXW261974634 BCX0\" lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\" data-contrast=\"auto\"><span class=\"NormalTextRun SCXW261974634 BCX0\">Leia a tese de doutorado <a href=\"https:\/\/acervodigital.ufpr.br\/handle\/1884\/24247?show=full\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cO conhecimento etnobot\u00e2nico da comunidade quilombola do <\/a><\/span><span class=\"NormalTextRun SpellingErrorV2Themed SCXW261974634 BCX0\">Varze\u00e3o<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW261974634 BCX0\">, Dr. Ulysses (PR)\u201d, defendida no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Agronomia &#8211; Produ\u00e7\u00e3o Vegetal da UFPR<\/span><\/span><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: right;\">\u2795 Baixe o livro de passatempos sobre cientistas negras brasileiras <a href=\"https:\/\/ufpr.br\/cientistas-negras-brasileiras-sao-homenageadas-em-novo-livro-de-passatempos-do-meninas-e-mulheres-nas-ciencias-baixe\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no Portal da UFPR<\/a><\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da \u00e9poca de estudante, Claudemira Lopes tem duas recorda\u00e7\u00f5es importantes. 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