{"id":26822,"date":"2025-06-18T16:20:28","date_gmt":"2025-06-18T19:20:28","guid":{"rendered":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/?p=26822"},"modified":"2025-12-29T18:35:26","modified_gmt":"2025-12-29T21:35:26","slug":"a-quem-machado-de-assis-dedicou-seus-primeiros-poemas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/a-quem-machado-de-assis-dedicou-seus-primeiros-poemas\/","title":{"rendered":"A quem Machado de Assis dedicou seus primeiros poemas?"},"content":{"rendered":"<p><span data-contrast=\"auto\">A obra do escritor Machado de Assis, nascido em 21 de junho h\u00e1 186 anos, \u00e9 uma linha s\u00f3lida da pesquisa liter\u00e1ria no Brasil e no exterior. Sua vida, por\u00e9m, tamb\u00e9m interessa a outras \u00e1reas de conhecimento, devido \u00e0 peculiaridade das suas marca\u00e7\u00f5es e posicionamentos sociais \u2014 um homem negro, um dos raros alfabetizados, nascido em uma fam\u00edlia de trabalhadores que transitava por classes sociais mais altas e, mais tarde, autor que se destaca pela evidente an\u00e1lise social cr\u00edtica. <\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Por conta disso, h\u00e1 anos o escritor \u00e9 tema de pesquisas do professor Ricardo Costa de Oliveira, do Departamento de Sociologia da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), conhecido pelos estudos sobre a rela\u00e7\u00e3o entre poder e genealogia no Brasil e coordenador do N\u00facleo de Estudos Paranaenses (NEP). <\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">O pesquisador investiga a Quinta do Livramento (tamb\u00e9m conhecida como Morro do Livramento), onde nasceu Machado de Assis, para entender como as rela\u00e7\u00f5es sociais e ambiente social do autor levaram ele a escrever seus c\u00e9lebres trabalhos.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">As investiga\u00e7\u00f5es do soci\u00f3logo est\u00e3o compiladas em tr\u00eas publica\u00e7\u00f5es que se complementam, trazendo pesquisas sobre a fam\u00edlia e genealogia de Machado de Assis. O trabalho, que est\u00e1 sendo uma das fontes da nova biografia do escritor que ser\u00e1 lan\u00e7ada ainda este ano pelo escritor Cl\u00e1udio Soares, revela algumas curiosidades, como a identidade das pessoas citadas nas primeiras dedicat\u00f3rias de Machado em seu come\u00e7o na poesia. <\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Algumas dessas pessoas eram completamente desconhecidas at\u00e9 a pesquisa do professor Oliveira ser disponibilizada\u00a0<\/span><i><span data-contrast=\"auto\">(veja na galeria de imagens)<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h5><span data-contrast=\"auto\"><strong>GALERIA <span style=\"color: #cf6777;\">|<\/span><\/strong> Dedicat\u00f3rias em poemas revelam afetos<\/span><span data-ccp-props=\"{}\"><br \/>\n<\/span><span data-contrast=\"auto\"><\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/h5>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Essa identifica\u00e7\u00e3o foi feita por meio da prosopografia, uma \u00e1rea que estuda a biografia coletiva de um grupo de pessoas, a partir de suas rela\u00e7\u00f5es familiares, para entender din\u00e2micas sociais em determinado contexto hist\u00f3rico. Tendo como objeto de estudo Machado de Assis, a pesquisa do soci\u00f3logo resultou na identifica\u00e7\u00e3o de dezenas de pessoas que conviveram com o escritor e com seus familiares na Quinta do Livramento.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Isso foi poss\u00edvel a partir de um trabalho minucioso, de meses, feito com o aux\u00edlio de recursos como a Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, acervo online que re\u00fane jornais, revistas e outras publica\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas digitalizadas, e o site Family Search, plataforma de pesquisa geneal\u00f3gica que conta com registros de batismos e casamentos feitos pela Igreja Cat\u00f3lica.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Para Oliveira, a posi\u00e7\u00e3o do escritor na sociedade brasileira da \u00e9poca faz dos relacionamentos pessoais do jovem Machado de Assis um retrato social importante para a pesquisa sociol\u00f3gica. <\/span><\/p>\n<blockquote><p><span data-contrast=\"auto\">\u201cComo um dos maiores escritores brasileiros e mundiais, ele elabora uma verdadeira s\u00edntese de todas as rela\u00e7\u00f5es humanas, est\u00e9tica, valores. Para n\u00f3s soci\u00f3logos, \u00e9 uma descri\u00e7\u00e3o social densa da sociedade brasileira do Rio de Janeiro&#8221;.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span data-contrast=\"auto\">No centro dessas rela\u00e7\u00f5es est\u00e1 a Quinta do Livramento, uma grande ch\u00e1cara antigamente localizada no Centro do Rio de Janeiro, pr\u00f3ximo \u00e0 zona portu\u00e1ria. Era um local habitado por propriet\u00e1rios, escravizados e \u201cagregados\u201d, que seriam as fam\u00edlias pobres que viviam no local em regime de depend\u00eancia, em troca de servi\u00e7os ou trabalho, como era o caso dos pais de Machado de Assis.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_26836\" aria-describedby=\"caption-attachment-26836\" style=\"width: 360px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-26836 size-full\" src=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image.jpg\" alt=\"\" width=\"360\" height=\"640\" srcset=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image.jpg 360w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-169x300.jpg 169w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-150x267.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-26836\" class=\"wp-caption-text\">Machado de Assis transitou entre classes no s\u00e9culo XIX devido \u00e0 situa\u00e7\u00e3o familiar peculiar. Foto: BN\/Commons<\/figcaption><\/figure>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Na \u00e9poca de nascimento do escritor, em 1839, a ch\u00e1cara estava em meio ao centro pol\u00edtico da Corte, ao lado do Cais do Valongo, que era um dos principais portos de entrada de africanos escravizados no Brasil, e era uma regi\u00e3o movimentada cultural e socialmente.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h2><span data-contrast=\"none\">Pesquisador buscou compreens\u00e3o da obra por meio da genealogia<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/h2>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Integrante do\u00a0conjunto de trabalhos de Oliveira sobre as rela\u00e7\u00f5es do escritor no Morro do Livramento, o artigo \u201cPrimeiras dedicat\u00f3rias de Machado de Assis\u201d trata das primeiras dedicat\u00f3rias de Machado de Assis\u00a0em\u00a0poemas publicados no <\/span><i><span data-contrast=\"auto\">Marmota Fluminense<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">, um jornal de variedades,\u00a0entre 1854 e 1855. As pesquisas resultaram em um cap\u00edtulo do livro &#8220;Fam\u00edlia, Pol\u00edtica e Etnicidade\u201d (Editora Liber Ars), lan\u00e7ado em conjunto com a pesquisadora M\u00f4nica Goulart, e no artigo \u201cA Flor do Morro: As Fam\u00edlias escravizadas, agregadas e senhoriais do Livramento e Valongo, Rio de Janeiro (Sec. XVIII-XIX)\u201d.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:1,&quot;335551620&quot;:1,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:259}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span data-contrast=\"auto\">&#8220;Nesses trabalhos, \u00e9 poss\u00edvel um acompanhamento da hist\u00f3ria familiar de Joaquim Machado Maria de Assis, desde as origens das bisav\u00f3s escravizadas e as rela\u00e7\u00f5es com o senhoriato [os propriet\u00e1rios da Quinta do livramento], de modo a entender quem era Machado de Assis e por que a obra dele \u00e9 uma obra fenomenal, \u00e9 uma obra enciclop\u00e9dica\u201d, afirma Oliveira.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Com estas pesquisas, uma das respostas que Ricardo obteve \u00e9 que os pais de Machado de Assis, uma portuguesa e um descendente de escravizados alforriados, tinham boas rela\u00e7\u00f5es com os propriet\u00e1rios da ch\u00e1cara, mesmo sendo de fam\u00edlias modestas. O jovem Machado, como registra sua biografia, tinha padrinhos importantes, o que, junto com o ambiente movimentado da Quinta do Livramento, pode contribuir com a educa\u00e7\u00e3o e vis\u00e3o de mundo do escritor. Esta ideia est\u00e1 exposta pelo autor no livro <\/span><i><span data-contrast=\"auto\">Fam\u00edlia, Pol\u00edtica e Etnicidade<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">:<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">\u201cEsta especificidade de ser um filho de agregados, algu\u00e9m na fronteira social entre dois mundos, duas casas, duas fam\u00edlias, algu\u00e9m da periferia e que conhecia por dentro o mundo senhorial, o faria \u2018desnaturalizar\u2019 as rela\u00e7\u00f5es sociais constituintes daquele mundo coletivo, o que permitiria a g\u00eanese de um pensamento social descritivo, anal\u00edtico e cr\u00edtico no Livramento, uma literatura a partir da base inicial e fundadora das rela\u00e7\u00f5es sociais do Livramento. O resto seria com o pr\u00f3prio escritor, o ambiente progressista e modernizante, em v\u00e1rias esferas sociais e econ\u00f4micas, do Rio de Janeiro, na virada do s\u00e9culo XIX para o XX\u201d.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h2><span data-contrast=\"none\">Vida social de Machado de Assis alinha-se com suas escolhas liter\u00e1rias<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;134245418&quot;:true,&quot;134245529&quot;:true,&quot;335559738&quot;:360,&quot;335559739&quot;:80}\">\u00a0<\/span><\/h2>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Esta vis\u00e3o \u00e9 compartilhada pelo professor Luis Goncales Bueno de Camargo, do Departamento de Literatura e Lingu\u00edstica da UFPR. O docente explica que, embora a abordagem dos estudos liter\u00e1rios n\u00e3o relacione diretamente vida e obra, a vida social de Machado na Quinta do Livramento pode sim ter influenciado seus escritos futuros.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span data-contrast=\"auto\">\u201cPelo fato de ele ter vindo da base da pir\u00e2mide da sociedade e ter tido uma ascens\u00e3o por meio do letramento, ele de fato pode ver a sociedade brasileira de maneira muito ampla\u201d, afirma. \u201cO Machado teve chance de experimentar isso ao mesmo tempo em que nessa \u00e9poca, ainda menino, quando morava no Morro do Livramento, ele teve condi\u00e7\u00f5es de ir adquirindo letramento e estudando, e experimentando na pele como era estar daquele lado menos privilegiado da sociedade\u201d.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Os retratos que Machado de Assis fez da sociedade brasileira est\u00e3o presentes principalmente nas obras da chamada \u201cfase realista\u201d do escritor, onde se encontram tr\u00eas das suas obras mais famosas: Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas (1881), Quincas Borba (1891) e Dom Casmurro (1899). Sem ser explicitamente direto, e muitas vezes usando a ironia e humor para fazer cr\u00edticas sociais, o escritor abordou diversos temas que faziam parte de sua realidade na \u00e9poca, como as rela\u00e7\u00f5es das elites e a escravid\u00e3o.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">&#8220;No Dom Casmurro, os escravos n\u00e3o aparecem. Mas a gente sabe que o Bentinho tem uma vida tranquila. E tem um momento em que a gente fica sabendo que ele perdeu o pai, que tinha fazenda e escravaria grande. A m\u00e3e decidiu vender a propriedade, vendeu os escravos, s\u00f3 ficou com aqueles escravos. Ao dizer isso, o Machado n\u00e3o precisa fazer nenhum discurso para a gente entender que toda a arrog\u00e2ncia do Bentinho vem dessa posi\u00e7\u00e3o de classe dele, parecida com a do Br\u00e1s Cubas&#8221;, diz Luis Camargo.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Mas estes retratos sociais n\u00e3o est\u00e3o presentes apenas na fase realista de Machado, como afirma o docente da UFPR. At\u00e9 mesmo na fase dita rom\u00e2ntica, que onde se encontram os romances &#8220;Ressurrei\u00e7\u00e3o&#8221; (1872), &#8220;A M\u00e3o e a Luva&#8221; (1874), &#8220;Helena&#8221; (1876) e &#8220;Iai\u00e1 Garcia&#8221; (1878), o escritor j\u00e1 trazia personagens que eram atravessados por situa\u00e7\u00f5es de classe.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Os tr\u00eas \u00faltimos, por exemplo, trazem como protagonistas mulheres pobres, que embora vivam temas ligados ao Romantismo, como fam\u00edlia e amor, elas passam por situa\u00e7\u00f5es em que convivem com pessoas mais ricas e tamb\u00e9m com escravizados. J\u00e1 no primeiro livro, \u201cRessurei\u00e7\u00e3o\u201d, que tem como personagem principal F\u00e9lix, um m\u00e9dico rico que vive um conflito amoroso, \u00e9 poss\u00edvel observar uma cr\u00edtica ao comportamento da elite.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Essas caracter\u00edsticas das obras de Machado dentro do Romantismo s\u00e3o o tema de uma pesquisa atual de Luis Gon\u00e7ales Bueno de Camargo. O professor considera que, embora tenha dialogado com a novela rom\u00e2ntica, ele nunca foi um \u201crom\u00e2ntico\u201d propriamente dito. Sua fase mais rom\u00e2ntica se encontra nos poemas, feitos em sua maioria no in\u00edcio de seu trabalho como escritor, como os abordados na pesquisa do professor Ricardo Costa de Oliveira.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">&#8220;O Machado nunca foi um autor que seguiu alguma moda ou alguma escola ou alguma tend\u00eancia. Ele sempre tensionou. Mesmo depois quando ele vai para a fase chamada realista, ele nunca praticou o Realismo de escola\u201d, explica. <\/span><\/p>\n<blockquote><p><span data-contrast=\"auto\">\u201cA fase da qual o professor Ricardo trata \u00e9 uma fase ainda, digamos, amadora do Machado. \u00c9 um menino, um adolescente que est\u00e1 escrevendo. A partir de um momento em que ele atinge uma maturidade, ele vai escrever poesia muito eventualmente. O que n\u00e3o significa que ele n\u00e3o considerasse a sua obra de poeta, porque no fim da vida ele vai reuni-la\u201d.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Toda a obra de Machado de Assis est\u00e1 dispon\u00edvel em dom\u00ednio p\u00fablico em uma <a href=\"https:\/\/machado.mec.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">plataforma criada em 2008 pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o<\/a>, em comemora\u00e7\u00e3o ao anivers\u00e1rio de 100 anos da morte do escritor. Mesmo 186 anos ap\u00f3s seu nascimento, Machado continua inspirando leitores e acad\u00eamicos, sendo tema de pesquisas em diferentes abordagens, como a do professor Ricardo Costa de Oliveira.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">&#8220;Quanto mais envelhecemos, mais a gente descobre coisas na obra do Machado. Eu j\u00e1 estou indo para 61 anos, leio Machado desde a adolesc\u00eancia, e cada vez eu descubro mais coisas. At\u00e9 um novo conto que eu ainda n\u00e3o tinha visto, uma quest\u00e3o que o Machado est\u00e1 querendo construir literariamente de uma outra maneira. Ent\u00e3o, quero dizer, a obra \u00e9 um universo&#8221;, afirma.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Para Luis de Camargo, o escritor continua sendo t\u00e3o relevante e aclamado pela forma com que trouxe para os livros tantos temas sociais.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">&#8220;Ele tratou de quest\u00f5es que eram do tempo dele, que s\u00e3o da sociedade brasileira, que s\u00e3o do lugar que a gente ocupa no mundo, que \u00e9 sobre o mundo como um todo, as condi\u00e7\u00f5es, as tens\u00f5es, e conseguiu encontrar uma forma liter\u00e1ria para onde tudo isso convergiu\u201d, diz. Os problemas do tempo do Machado n\u00e3o s\u00e3o exatamente os nossos problemas. Mas quando a gente vai ler um autor que consegue dar essa tridimensionalidade, essa complexidade ao assunto que ele est\u00e1 tratando, isso vai para al\u00e9m do que ele est\u00e1 dizendo com essa forma de dizer, na qual a gente tamb\u00e9m pode projetar as nossas pr\u00f3prias preocupa\u00e7\u00f5es\u201d.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h5 style=\"text-align: right;\"><span data-contrast=\"auto\">\u2795 Leia detalhes no artigo <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/mael\/a\/3d5Hk9pQgk8wGrQ6945ThNM\/?lang=pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&#8220;Primeiras dedicat\u00f3rias de Machado de Assis&#8221;<\/a>, publicado na revista Machado de Assis em Linha (aberto; em portugu\u00eas)<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: right;\"><span data-contrast=\"auto\">\u2795 Confira o artigo <a href=\"http:\/\/wpro.rio.rj.gov.br\/revistaagcrj\/a-flor-do-morro-as-familias-escravizadas-agregadas-e-senhoriais-do-livramento-e-valongo-rio-de-janeiro-sec-xviii-xix\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cA Flor do Morro: as fam\u00edlias escravizadas, agregadas e senhoriais do Livramento e Valongo, Rio de Janeiro (Sec. XVIII-XIX)\u201d<\/a>, publicado na Revista do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (aberto; em portugu\u00eas)<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A obra do escritor Machado de Assis, nascido em 21 de junho h\u00e1 186 anos, \u00e9 uma linha s\u00f3lida da&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2824,"featured_media":26826,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":"","fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false},"categories":[1622,1618,2202],"tags":[2607,2853,1808,2709,2708,2122,2710,1141],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v23.5 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>A quem Machado de Assis dedicou seus primeiros poemas? - Ci\u00eancia UFPR<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Pesquisa geneal\u00f3gica de professor da UFPR investigou as rela\u00e7\u00f5es sociais e familiares do escritor no Morro do Livramento, onde ele passou a inf\u00e2ncia, e paralelos com sua obra.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/a-quem-machado-de-assis-dedicou-seus-primeiros-poemas\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"A quem Machado de Assis dedicou seus primeiros poemas? 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