{"id":26189,"date":"2025-01-28T07:33:15","date_gmt":"2025-01-28T10:33:15","guid":{"rendered":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/?p=26189"},"modified":"2025-02-19T18:31:37","modified_gmt":"2025-02-19T21:31:37","slug":"sons-nao-tem-genero-sao-apenas-sons-manu-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/sons-nao-tem-genero-sao-apenas-sons-manu-santos\/","title":{"rendered":"\u201cSons n\u00e3o t\u00eam g\u00eanero, s\u00e3o apenas sons\u201d | Manu Santos"},"content":{"rendered":"<p>Foi em projetos culturais oferecidos por iniciativas p\u00fablicas que Manu Santos aprendeu a tocar os primeiros instrumentos \u2014 viol\u00e3o e guitarra \u2014 ainda na adolesc\u00eancia. Os estudos de canto come\u00e7aram no coro do Col\u00e9gio Estadual do Paran\u00e1, onde cursou o ensino m\u00e9dio. Outras experi\u00eancias vieram com o coro c\u00eanico de Curitiba, coro da UFPR e N\u00facleo de \u00d3pera Comunit\u00e1rio de Curitiba.<\/p>\n<p>Contrariando as expectativas, em 2018, iniciou a gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria na Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), mas n\u00e3o chegou a concluir o curso. Neste mesmo ano, muitas coisas mudaram. Nome, pronomes, g\u00eanero. Apesar de lembrar que \u201cl\u00e1 dentro sempre soube\u201d, somente aos 18 anos Manu come\u00e7ou a se questionar sobre quem era. O processo a levou a um lugar de conforto e identifica\u00e7\u00e3o como mulher trans.<\/p>\n<p>Retornou para a UFPR, desta vez no curso de M\u00fasica, e conheceu o projeto de extens\u00e3o Laborat\u00f3rio de Pr\u00e1ticas e Ensino de Canto (Labvox) em que iniciou a forma\u00e7\u00e3o como preparadora vocal e regente.<\/p>\n<p>As quest\u00f5es de pessoas trans no canto passaram a instigar a reflex\u00e3o da estudante e tornaram-se, inclusive, objeto de sua pesquisa de conclus\u00e3o de curso, aprovada com nota m\u00e1xima em dezembro de 2024, aos 24 anos.<\/p>\n<p>Manu questiona a abordagem de divis\u00e3o de naipes (tipos de voz) e classifica\u00e7\u00e3o vocal usada por alguns corais, que nomeiam as vozes graves como masculinas e as vozes agudas como femininas. A musicista acredita que os sons devem ser apenas graves e agudos, sem g\u00eaneros, assim como instrumentos musicais.<\/p>\n<p>Isso porque, em sua compreens\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o entre a voz e a identidade \u00e9 muito forte, principalmente durante o processo de transi\u00e7\u00e3o. A cobran\u00e7a de aproxima\u00e7\u00e3o de um padr\u00e3o cisg\u00eanero \u00e9 considerada injusta e a sua luta inclui mostrar o qu\u00e3o doloroso isso pode ser para uma pessoa trans.<\/p>\n<p>Durante a gradua\u00e7\u00e3o, <a href=\"https:\/\/ufpr.br\/primeiro-coral-trans-de-curitiba-projeto-da-ufpr-da-voz-a-diversidade\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">criou o primeiro coral formado por pessoas trans em Curitiba<\/a>. O grupo Llista Trans envolve, atualmente, mais de 30 pessoas trans e \u00e9 regido por Manu. Os encontros acontecem semanalmente no Departamento de Artes da UFPR, com apoio volunt\u00e1rio de estudantes da UFPR e da Tecnol\u00f3gica (UTFPR). O repert\u00f3rio da Llista \u00e9 composto por m\u00fasicas que representam viv\u00eancias da comunidade LGBTQIAPN+ e quest\u00f5es sociais, como transfobia, racismo, intoler\u00e2ncia religiosa e capacitismo.<\/p>\n<p>Para Manu, \u00e9 apenas o come\u00e7o. A musicista pretende garantir estrutura e continuidade do projeto, al\u00e9m de oferecer uma rede de apoio aos colegas trans.<\/p>\n<p>Nesta entrevista \u00e0 <em>Revista Ci\u00eancia UFPR<\/em>, Manu fala de sua trajet\u00f3ria pessoal, sobre os desafios relacionados \u00e0 identidade de g\u00eanero, sobre a contribui\u00e7\u00e3o da arte para constru\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os mais inclusivos e acolhedores e traz reflex\u00f5es sobre estrat\u00e9gias pedag\u00f3gicas voltadas \u00e0s vozes trans.<\/p>\n<p><strong>Poderia contar um pouco sobre sua jornada de autodescoberta e transi\u00e7\u00e3o? Quais foram os maiores desafios nessa trajet\u00f3ria?<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Manu Santos <span style=\"color: #cf6777;\">|<\/span><\/strong> Meu processo de transi\u00e7\u00e3o teve v\u00e1rias fases, \u00e0s vezes eu tenho a impress\u00e3o que l\u00e1 dentro eu sempre soube, s\u00f3 que nem sempre eu me ouvi. Para mim, n\u00e3o foi uma coisa muito \u00f3bvia, nem sempre eu tive essa certeza. Quando eu tinha 18 anos, comecei a me questionar e era um per\u00edodo de muita d\u00favida, mas eu sentia que estava nesse processo. Eu perguntava para mim mesma o que eu era \u2014 homem, mulher, nenhum dos dois ou os dois juntos? Como eu n\u00e3o tinha essa resposta, comecei a me perguntar do que gostava \u2014 roupas, maquiagem, brincos?<\/p>\n<p>Tive uma influ\u00eancia grande de refer\u00eancias, h\u00e1 um bom tempo eu cantava o repert\u00f3rio da Liniker, conheci o trabalho dela, consegui acompanhar o processo de transi\u00e7\u00e3o dela. Eu a via de saia, vestido, turbante e isso me linkava com a minha identidade, uma pessoa preta, cabelo longo e bem trabalhado. Segui fazendo perguntas e tentando entender com sinceridade como eu queria ser.<\/p>\n<h5><strong>V\u00cdDEO\u00a0|<\/strong> Clipe de ensaio do coral em Curitiba<\/h5>\n<div style=\"width: 810px;\" class=\"wp-video\"><!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');<\/script><![endif]-->\n<video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-26189-1\" width=\"810\" height=\"608\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/coral-llista_cienciaufpr-2.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/coral-llista_cienciaufpr-2.mp4\">https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/coral-llista_cienciaufpr-2.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p>Nesse processo de adolesc\u00eancia para a vida adulta, a gente entende que pode tomar as pr\u00f3prias decis\u00f5es, vi que eu poderia pensar em outras formas de me vestir e me comportar.<\/p>\n<p>O processo foi longo e uma hora eu percebi que de fato n\u00e3o era uma pessoa cis e fui me encontrando nesse lugar onde eu sentia mais conforto e identifica\u00e7\u00e3o. Em um per\u00edodo, vi que eu gostava mais do pronome feminino, de ser chamada de ela, de ser vista como mulher. A\u00ed eu pensei \u201csou uma mulher trans, uma travesti\u201d.<\/p>\n<p><strong>Como sua identidade de g\u00eanero influenciou sua trajet\u00f3ria acad\u00eamica e suas escolhas profissionais? Como \u00e9 sua experi\u00eancia como estudante universit\u00e1ria sendo uma mulher trans?<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>MS <span style=\"color: #cf6777;\">|<\/span><\/strong> Sempre senti a academia como um lugar que n\u00e3o me pertencia. Eu acho que at\u00e9 hoje e por um tempo ainda vou me sentir como n\u00e3o pertencente, mas agora j\u00e1 percebo que eu atuo neste espa\u00e7o. Entrei para o curso de Hist\u00f3ria em 2018, na Federal, e eu n\u00e3o me adaptei, me sentia muito deslocada, via estudantes com um preparo muito maior de conhecimento e com facilidade para estudar.<\/p>\n<p>A minha transi\u00e7\u00e3o foi uma coisa gradativa, n\u00e3o foi brusca, por\u00e9m, em algum momento nesse processo de autoconhecimento comecei a pensar \u201caquele nome que est\u00e1 na chamada n\u00e3o existe mais\u201d. Sempre tive dificuldade de falar sobre coisas que me desagradavam, mas a hormoniza\u00e7\u00e3o me ajudou com isso porque, com os horm\u00f4nios aflorados, minhas rea\u00e7\u00f5es ficaram mais intensas e conseguia dizer \u201cisso n\u00e3o cabe\u201d quando me chamavam por pronomes que n\u00e3o s\u00e3o os meus ou me tratavam de forma que eu n\u00e3o gostava.<\/p>\n<p>Existe uma iniciativa de um coletivo trans na UFPR chamado <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/coletivo.gilda\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">coletivo Gilda<\/a>, em que conversamos sobre a viv\u00eancia dentro da universidade, como uso de banheiros, retifica\u00e7\u00e3o de documentos, quest\u00f5es que envolvem essa viv\u00eancia de pessoas trans. Eu acho que \u00e9 muito importante e estou feliz pela <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/proafe.ufpr\/p\/DDr0_Bmxiho\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">posse da professora Megg Rayara<\/a>, por ser algu\u00e9m que se importa com essas pautas de verdade.<\/p>\n<p>Percebemos pautas que ainda s\u00e3o negligenciadas dentro dos campi, a quest\u00e3o com racismo, ass\u00e9dio moral e sexual. \u00c9 importante ver entrando em espa\u00e7os de gest\u00e3o pessoas que est\u00e3o engajadas e com o objetivo de trabalhar essas quest\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Como a m\u00fasica pode ser uma ferramenta de resist\u00eancia e afirma\u00e7\u00e3o para as pessoas trans? Voc\u00ea tem exemplos de como isso j\u00e1 se manifestou em sua pr\u00f3pria vida ou no projeto (Llista Trans) que est\u00e1 desenvolvendo?<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>MS <span style=\"color: #cf6777;\">|<\/span><\/strong> Existe uma quest\u00e3o hist\u00f3rica com rela\u00e7\u00e3o a pessoas trans e tamb\u00e9m pessoas pretas e o lugar da m\u00fasica, mas principalmente o lugar de performance, de ser cantora ou cantor. Eu percebo que a performance, a arte, a m\u00fasica, o canto, s\u00e3o sempre uma possibilidade porque n\u00e3o existem muitas possibilidades de trabalho formal, \u00e9 sempre no lugar de exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Existe um imagin\u00e1rio, que eu fico muito feliz de perceber que com o passar do tempo vai mudando, surgem mais possibilidades, mas sabemos como as pessoas falam disso, para elas n\u00e3o existem \u201cmulheres trans trabalhando\u201d, as pessoas imaginam \u201cos travecos fazendo ponto na XV [de Novembro, rua no Centro de Curitiba]\u201d. Esse imagin\u00e1rio da prostitui\u00e7\u00e3o \u00e9 muito presente.<\/p>\n<p>Percebo que o lugar de exposi\u00e7\u00e3o, de show, canto, dan\u00e7a, ainda \u00e9 um lugar de possibilidade, de acesso, um lugar em que a sociedade quer nos ver. Sou regente da Llista Trans e eu sinto que esse n\u00e3o \u00e9 o mesmo lugar que esperam de uma travesti porque existe sim uma hierarquia. O lugar de instrumentista e de cantora \u00e9 um e o de regente \u00e9 um lugar de lideran\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>E o que representa para voc\u00ea ocupar o lugar de lideran\u00e7a do primeiro coral Trans de Curitiba? Voc\u00ea se sente respeitada neste espa\u00e7o?<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>MS <span style=\"color: #cf6777;\">|<\/span><\/strong> A Llista Trans foi uma possibilidade que eu mesma criei de atuar como regente aos 23 anos e \u00e9 uma coisa muito incr\u00edvel, mas sinto que no espa\u00e7o da m\u00fasica e da educa\u00e7\u00e3o ainda sou muito desrespeitada. Tenho experi\u00eancias que muitas vezes s\u00e3o maiores que de outros estudantes, mas nunca consegui emprego em escolas de m\u00fasica.<\/p>\n<blockquote><p>Mesmo antes da transi\u00e7\u00e3o, eu fiz in\u00fameras entrevistas de emprego de trabalho formal, CLT, por\u00e9m nunca fui aprovada em nenhum, o racismo tem esse efeito. Isso \u00e9 algo que me levou para a m\u00fasica, essa rela\u00e7\u00e3o de \u00fanico lugar que me aceitou.<\/p><\/blockquote>\n<p>A arte sempre esteve como essa op\u00e7\u00e3o do que fazer e eu percebo isso de v\u00e1rias outras pessoas trans em outros lugares, no caso da m\u00fasica, da dan\u00e7a, do teatro. S\u00e3o espa\u00e7os onde muitas pessoas trans atuam, muito mais do que em outras \u00e1reas.<\/p>\n<p>A Llista trans \u00e9 essa oportunidade de trabalhar com a m\u00fasica, como regente, e poder ter esse trabalho oficial. A experi\u00eancia vale ouro, n\u00e3o somente no sentido de aprendizado, que \u00e9 importante sim, mas tamb\u00e9m de experi\u00eancia comprovada porque na arte n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil criar esse portf\u00f3lio, ter esse desenvolvimento.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o desse espa\u00e7o onde eu posso atuar como regente e preparadora vocal foi de forma org\u00e2nica. Sinto que, com essa pesquisa, j\u00e1 se abriram algumas portas para mim.<\/p>\n<p><strong>Em seu trabalho de conclus\u00e3o de curso, voc\u00ea aborda quest\u00f5es envolvendo a hormoniza\u00e7\u00e3o e a voz trans. Como se d\u00e1 o comportamento da voz trans neste processo? Quais principais diferenciais t\u00e9cnicos voc\u00ea encontra ao ensinar canto para vozes trans?<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>MS <span style=\"color: #cf6777;\">|<\/span><\/strong> O processo de hormoniza\u00e7\u00e3o \u00e9 m\u00e9dico e utiliza a manipula\u00e7\u00e3o de horm\u00f4nios para conseguir algumas caracter\u00edsticas f\u00edsicas, como desenvolvimento muscular e redistribui\u00e7\u00e3o de gorduras, mas nem toda pessoa trans vai passar por esse processo.<\/p>\n<p>No caso da voz, as mudan\u00e7as causadas pelo horm\u00f4nio s\u00e3o comuns a todas as pessoas, trans e cis. O uso de anabolizantes, por exemplo, deixa a voz mais grave; a s\u00edndrome do ov\u00e1rio polic\u00edstico tamb\u00e9m pode influenciar a voz pela mudan\u00e7a hormonal. A testosterona afeta a estrutura lar\u00edngea e esse aumento da massa faz com que a nota principal da nossa voz fique mais grave e traga rouquid\u00e3o. \u00c9 uma mudan\u00e7a irrevers\u00edvel para a voz.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma equival\u00eancia entre a muda vocal da adolesc\u00eancia e o processo de hormoniza\u00e7\u00e3o, por\u00e9m os efeitos n\u00e3o s\u00e3o os mesmos. Geralmente, identidades trans femininas come\u00e7am a hormoniza\u00e7\u00e3o ap\u00f3s os 18 anos, quando essa voz j\u00e1 foi alterada na adolesc\u00eancia, por isso n\u00e3o haver\u00e1 tanto efeito, n\u00e3o \u00e9 comum a voz de mulheres trans ficar mais aguda com a hormoniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h5><strong>GALERIA <span style=\"color: #cf6777;\">|<\/span><\/strong> A constru\u00e7\u00e3o de um coral de vozes trans<br \/>\n<\/h5>\n<p>Mulheres trans, em muitos casos, buscam com a hormoniza\u00e7\u00e3o uma possibilidade de fazer com que a voz se aproxime e entre em conformidade com a sua identidade, por\u00e9m, a hormoniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o causa mudan\u00e7as muito evidentes. No meu processo a minha voz ficou um pouco fraca por um per\u00edodo, foi uma mudan\u00e7a mais sutil, pela diminui\u00e7\u00e3o de testosterona.<\/p>\n<p>Entre especificidades de pessoas trans no ensino de canto, \u00e9 importante eu perceber, no caso de identidades que fazem uso da testosterona, que essa voz vai ter um processo de mudan\u00e7a, de adequa\u00e7\u00e3o, de transforma\u00e7\u00e3o, vai ficar rouca, vai sentir dificuldade em atingir notas agudas. Trabalhamos pensando no que a voz consegue fazer em um tempo.<\/p>\n<p>Esse di\u00e1logo e paci\u00eancia s\u00e3o importantes para entender outras quest\u00f5es, como por exemplo, em caso de mulheres trans, que a voz n\u00e3o muda tanto, podemos conversar e compreender como essa pessoa se relaciona com a voz dela, entender o que ela gostaria de fazer com a voz.<\/p>\n<p>Fico muito feliz em ser uma mulher trans de voz grave e poder servir de exemplo em alguns casos, como cantar com alunas trans de voz grave e fazer exerc\u00edcios juntas. Com o tempo, essa rela\u00e7\u00e3o de desconforto muda.<\/p>\n<blockquote><p>N\u00f3s, como pessoas trans, temos quest\u00f5es espec\u00edficas e temos vozes diferentes de pessoas cisg\u00eanero por v\u00e1rios aspectos, essa compara\u00e7\u00e3o \u00e9 muito sofrida. A minha voz, minha laringe, minha estrutura corporal n\u00e3o s\u00e3o as mesmas de uma mulher cis.<\/p><\/blockquote>\n<p>N\u00e3o preciso tratar e tentar chegar nesse lugar que \u00e9 muito inalcan\u00e7\u00e1vel em v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es. Essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 para conhecer a voz da pessoa, trabalhar essa voz, entender o que ela quer fazer com essa voz e dar op\u00e7\u00f5es. No caso de uma mulher trans de voz grave que n\u00e3o se sente confort\u00e1vel em cantar nessa regi\u00e3o, podemos trabalhar a regi\u00e3o aguda, h\u00e1 possibilidades com uma voz real, sem compara\u00e7\u00f5es com uma voz muito distante.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea avalia a classifica\u00e7\u00e3o de vozes em g\u00eaneros e como isso impacta pessoas trans?<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>MS <span style=\"color: #cf6777;\">|<\/span><\/strong> A classifica\u00e7\u00e3o vocal \u00e9 um processo. Como trabalho em v\u00e1rios corais, pensando na tessitura vocal, que s\u00e3o notas que a pessoa consegue cantar com conforto, a diferen\u00e7a principal para fazer a classifica\u00e7\u00e3o em naipes (tipos de voz) \u00e9 sobre como tratar essas vozes, sobre quebrar padr\u00f5es e paradigmas.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma quest\u00e3o muito espec\u00edfica do padr\u00e3o do coral trans que \u00e9 o fato de os naipes serem mistos: existem homens, mulheres, pessoas n\u00e3o-bin\u00e1rias dentro de um mesmo naipe. Um naipe de voz grave pode ter todos os g\u00eaneros, sendo apenas baseado no som, no instrumento musical que a pessoa tem, naquela voz dela. O grupo pode ser misto.<\/p>\n<blockquote><p>N\u00e3o h\u00e1 necessidade de colocar g\u00eanero em sons, podemos pensar apenas como voz grave e voz aguda. A inseguran\u00e7a e a rela\u00e7\u00e3o entre a voz e a identidade \u00e9 algo muito forte, e eu tento criar esse debate para entender que quando estamos no grupo cantando n\u00f3s somos instrumentos musicais. Sons n\u00e3o t\u00eam g\u00eanero, s\u00e3o apenas sons.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Os relatos dos coralistas sempre destacam a rede de apoio formada por meio da Llista Trans. Voc\u00ea tinha ideia de como essa rela\u00e7\u00e3o se fortaleceria quando iniciou o projeto? Era um dos seus objetivos?<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>MS <span style=\"color: #cf6777;\">|<\/span><\/strong> Sempre pensei muito essa rela\u00e7\u00e3o afetiva de respeito, acolhimento dentro do grupo, sempre foi uma quest\u00e3o que dei muita import\u00e2ncia. Levei em considera\u00e7\u00e3o aspectos socioecon\u00f4micos e cuidados, compreendo porque tamb\u00e9m estou nesse espa\u00e7o, n\u00e3o estou fora desse lugar de viol\u00eancia que as pessoas trans sofrem.<\/p>\n<blockquote><p>Quando acabam os ensaios, verificamos quem vai para a mesma regi\u00e3o e orientamos sempre que n\u00e3o andem s\u00f3s. S\u00e3o quest\u00f5es de cuidados simples, como manter o respeito e o m\u00e1ximo poss\u00edvel de seguran\u00e7a. Eu vivo essa viol\u00eancia, ent\u00e3o isso partiu de uma rela\u00e7\u00e3o de autocuidado, que eu gostaria que tivessem.<\/p><\/blockquote>\n<p>Tamb\u00e9m sempre tento trazer conversas legais, aquecimento, relaxamento de forma l\u00fadica, envolver e desarmar o grupo, com um clima menos pesado.<\/p>\n<p>Pessoas trans v\u00eam, muitas vezes, de espa\u00e7os hostis e situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade, e isso tudo traz uma carga em que elas t\u00eam que se fortalecer para continuar e avan\u00e7ar nas suas quest\u00f5es, para se manterem vivas. \u00c9 muito comum encontrar pessoas com personalidades fortes e com muitas inseguran\u00e7as; isso sempre foi sobre cuidado, sobre pensar que muitas pessoas passaram por situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis e est\u00e3o machucadas. Ent\u00e3o aquele espa\u00e7o \u00e9 para tentar desarmar e ter conversas leves, cantar, criar essa rela\u00e7\u00e3o com a voz e, paralelamente, vamos cuidar de tudo isso, identidade, acolhimento e m\u00fasica.<\/p>\n<p>Sempre me coloco nesse lugar de vulnerabilidade porque essas quest\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o minhas, mesmo como regente. Toda essa luta eu tamb\u00e9m enfrento. N\u00e3o estou em um patamar mais elevado, talvez isso seja uma quest\u00e3o que me aproxime do grupo. Estamos no mesmo lugar.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o seus pr\u00f3ximos passos, tanto em rela\u00e7\u00e3o ao seu projeto cultural quanto \u00e0 sua carreira acad\u00eamica e profissional? Como voc\u00ea imagina o futuro da Llista Trans?<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>MS <span style=\"color: #cf6777;\">|<\/span><\/strong> Pretendo esse ano trabalhar com a Llista, fazer mais apresenta\u00e7\u00f5es, estar mais engajada com a universidade, trazer mais visibilidade e condi\u00e7\u00f5es melhores para o projeto continuar. Muitas atividades foram feitas na ra\u00e7a, temos vontade de fazer a coisa acontecer.<\/p>\n<p>Pretendo amadurecer as ideias, manter o trabalho seguro e acolhedor, trabalhar com mais pessoas. Quero continuar a escrever, fazer meu projeto de mestrado, dando sequ\u00eancia \u00e0 pesquisa de pedagogia vocal para pessoas trans.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: right;\">(Em breve publicaremos o link para a monografia &#8220;Llista Trans: Desafios e estrat\u00e9gias para a forma\u00e7\u00e3o de um coro trans&#8221;, defendida em dezembro no Departamento de Artes da UFPR)<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi em projetos culturais oferecidos por iniciativas p\u00fablicas que Manu Santos aprendeu a tocar os primeiros instrumentos \u2014 viol\u00e3o e&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2810,"featured_media":26190,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":"","fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false},"categories":[1614,1622,1618,1604],"tags":[2607,2641,2639,1897,1860,2644,1883,2645,2643,2642,2640],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v23.5 - 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