{"id":25723,"date":"2024-10-10T07:32:42","date_gmt":"2024-10-10T10:32:42","guid":{"rendered":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/?p=25723"},"modified":"2025-05-15T23:52:50","modified_gmt":"2025-05-16T02:52:50","slug":"o-que-o-mundo-conhece-da-existencia-objetiva-de-pessoas-que-de-dentro-da-dor-psiquica-fazem-nascer-a-poesia-fabiane-valmore","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/o-que-o-mundo-conhece-da-existencia-objetiva-de-pessoas-que-de-dentro-da-dor-psiquica-fazem-nascer-a-poesia-fabiane-valmore\/","title":{"rendered":"&#8220;O que o mundo conhece da exist\u00eancia de pessoas que da dor ps\u00edquica fazem nascer a poesia?&#8221; | Fabiane Valmore"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o foram convencionais os itiner\u00e1rios da pesquisa de Fabiane Helene Valmore, soci\u00f3loga e mestre em Ci\u00eancia Pol\u00edtica pela Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR). Talvez porque o estudo tenha assumido o papel de via da sua pr\u00f3pria vida pessoal, interligado a ela. Nos \u00faltimos dez anos, Valmore enfrentou sofrimento ps\u00edquico intenso, construiu sua aproxima\u00e7\u00e3o com o movimento antimanicomial e deu voz aos chamados \u201cartistas da sa\u00fade mental\u201d na monografia defendida no Departamento de Sociologia da UFPR em 2021 \u2014 sua terceira gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde a d\u00e9cada de 1950, quando a m\u00e9dica psiquiatra Nise da Silveira fundou o <a href=\"https:\/\/www.museuimagensdoinconsciente.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Museu de Imagens do Inconsciente<\/a>, o termo \u201cartistas da sa\u00fade mental\u201d serve para designar quem se expressa pela arte como forma de psicoterapia. Para quem a vivencia, \u00e9 uma din\u00e2mica que come\u00e7a terap\u00eautica e pode terminar como forte afirma\u00e7\u00e3o de identidade.<\/p>\n<p>A arte libertou o cotidiano dos entrevistados de Valmore do hist\u00f3rico de internamento \u2014 nas diferentes vers\u00f5es de hosp\u00edcio que existem \u2014 e os al\u00e7ou a degraus c\u00e9lebres na sociedade. S\u00e3o m\u00fasicos com \u00e1lbuns lan\u00e7ados, pintores com exposi\u00e7\u00f5es agendadas, dan\u00e7arinos famosos do Carnaval carioca.<\/p>\n<p>Eles dizem que a arte traz autoconhecimento e cria liga\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias salvadoras. N\u00e3o traz, por\u00e9m, sustento. \u00c9 essa lacuna que justifica uma cr\u00edtica da pesquisadora, direcionada \u00e0s metas da milit\u00e2ncia e das pol\u00edticas p\u00fablicas. \u201cA arte faz muito, mas n\u00e3o \u00e9 verdadeiramente empoderadora. [As institui\u00e7\u00f5es] N\u00e3o gostam que fale isso, mas \u00e9 a verdade\u201d, avalia ela, hoje amiga de muitos desses artistas.<\/p>\n<p>Fato \u00e9 que o objeto de estudo \u00e9 hoje parte substancial da vida de Valmore, que continua buscando dar voz aos usu\u00e1rios da Rede de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (Raps). Idealizou e organizou a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/usuariosrapslivre\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">1\u00aa Confer\u00eancia Livre Nacional de Usu\u00e1rios da Raps<\/a>, que ocorreu em maio de 2023, em Bras\u00edlia, durante a 17\u00aa Confer\u00eancia Nacional de Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m faz parte do pequeno grupo de estudiosos e l\u00edderes comunit\u00e1rios que tentam dar alguma chance ao tema da reforma psiqui\u00e1trica na capital paranaense.<\/p>\n<p>Professora de matem\u00e1tica e mec\u00e2nica na rede p\u00fablica estadual h\u00e1 mais de 20 anos, ela criou recentemente um <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/clube_de_ciencias_nise_cerz\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">clube de ci\u00eancias sobre sa\u00fade mental<\/a> no Col\u00e9gio Estadual Rodolpho Zaninelli (Cerz), por meio de edital da <a href=\"https:\/\/paranafazciencia.uvpr.pr.gov.br\/clubes-de-ciencias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rede de Clubes de Ci\u00eancia da Funda\u00e7\u00e3o Arauc\u00e1ria.<\/a> O Cerz est\u00e1 localizado no bairro Cidade Industrial de Curitiba (Cic) \u2014 o maior em \u00e1rea e popula\u00e7\u00e3o, e o com mais problemas sociais do munic\u00edpio.<\/p>\n<p>Nesta entrevista \u00e0 <em>Ci\u00eancia UFPR<\/em>, concedida parte pessoalmente e parte por e-mail, Valmore fala sobre a sua pesquisa em arte da sa\u00fade mental, sobre o mundo desses artistas, sobre a sua pr\u00f3pria experi\u00eancia com os equipamentos de sa\u00fade mental de Curitiba e do Rio, e sobre o seu ativismo.<\/p>\n<p>A entrevista \u00e9 intercalada com trechos em \u00e1udio (coletados da pesquisa e editados para clareza) e com galeria de fotos dos entrevistados por Valmore na sua monografia.<\/p>\n<p><strong><span class=\"TextRun SCXW217014912 BCX0\" lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\" data-contrast=\"auto\"><span class=\"NormalTextRun SCXW217014912 BCX0\">A sua pesquisa \u00e9 classificada como uma \u201cautoetnografia\u201d. Ou seja, a sua hist\u00f3ria pessoal tem parte nela. Voc\u00ea poderia contar sobre como se tornou pesquisadora e ativista pela sa\u00fade mental e pela luta antimanicomial?<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Fabiane Helene Valmore <span style=\"color: #8eaebd;\">|<\/span><\/strong> A partir da minha pr\u00f3pria entrada num processo de sofrimento ps\u00edquico. Em 2016 recebi meus primeiros encaminhamentos m\u00e9dicos para a psiquiatria e para atendimentos com psic\u00f3logo. N\u00e3o me interessei em fazer uso de medica\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica, ent\u00e3o fui buscando alternativas al\u00e9m dos atendimentos psicoter\u00e1picos. Em abril ou maio de 2018 me ocorreu num final de tarde &#8216;sentir saudades do atendimento com o psic\u00f3logo&#8217;. Tamanho foi o meu espanto que pesquisei no Google o que isso poderia significar e acabei caindo no conceito psicanal\u00edtico de transfer\u00eancia.<\/p>\n<p>Dei in\u00edcio assim \u00e0s minhas primeiras leituras de textos vindos da psican\u00e1lise e conheci o trabalho da doutora Nise da Silveira. N\u00e3o s\u00f3 conheci como desejei e busquei, em julho de 2018, atendimento no Museu de Imagens do Inconsciente [fundado por Nise da Silveira no Rio de Janeiro].<\/p>\n<h5><strong>\u00c1UDIO <span style=\"color: #8eaebd;\">| <\/span><\/strong><em>Voei, mas fiquei no mesmo lugar<\/em><\/h5>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-25723-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Hamilton-12-fev-parte-3-bala.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Hamilton-12-fev-parte-3-bala.mp3\">https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Hamilton-12-fev-parte-3-bala.mp3<\/a><\/audio>\n<h5><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-25771\" src=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/record-voice-icon.png\" alt=\"\" width=\"32\" height=\"32\" srcset=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/record-voice-icon.png 512w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/record-voice-icon-300x300.png 300w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/record-voice-icon-150x150.png 150w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/record-voice-icon-96x96.png 96w\" sizes=\"(max-width: 32px) 100vw, 32px\" \/><\/h5>\n<h5><em>Hamilton Anuncia\u00e7\u00e3o, m\u00fasico e compositor da banda Harmonia Enlouquece, do Rio, fala da contradi\u00e7\u00e3o de ser reconhecido por sua arte, mas n\u00e3o ser remunerado pelo seu trabalho<\/em><\/h5>\n<p>Em novembro fui aceita como cliente no museu e ocorreu o Semin\u00e1rio Mem\u00f3rias da Loucura I. Participando do semin\u00e1rio, tive o meu primeiro deslumbre fortalecido sobre realizar um dia uma pesquisa sobre a loucura.<\/p>\n<p>Pouco antes o semin\u00e1rio, conheci tamb\u00e9m o <a href=\"https:\/\/museubispodorosario.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Museu Bispo do Ros\u00e1rio Arte Contempor\u00e2nea<\/a>, na antiga Col\u00f4nia Juliano Moreira.<\/p>\n<p>No dia em que fui, n\u00e3o havia exposi\u00e7\u00e3o em cartaz, mas insisti, fui autorizada a entrar no pr\u00e9dio e me deparei primeiro com dois rapazes no corredor: Luizinho e Ivanildo [Ferreira Sales], monitores do museu e com a experiencia de sofrimento ps\u00edquico. Diana Kolker [curadora pedag\u00f3gica] conversou comigo e me deu de presente um livro, o <a href=\"https:\/\/museubispodorosario.com\/publicacoes\/CATALOGO-DAS-VIRGENS-EM-CARDUMES.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Das Virgens em Cardumes e da Cor das Auras<\/em><\/a> (2017), uma colet\u00e2nea escrita por artistas residentes que narram experi\u00eancias art\u00edsticas.<\/p>\n<blockquote><p>Foi lendo este livro que nasceu o meu interesse de investigar sobre a loucura, mais precisamente sobre a romantiza\u00e7\u00e3o que se faz dela.<\/p><\/blockquote>\n<p>No final de janeiro de 2019 eu comecei a frequentar o Museu de Imagens do Inconsciente quase que diariamente. Foi encantador ter permanecido at\u00e9 o final de mar\u00e7o e desolador receber alta. Ali com meus colegas comecei a recrutar os entrevistados para uma pesquisa. Esbo\u00e7amos juntos um question\u00e1rio de entrevistas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das atividades terap\u00eauticas no museu e no Espa\u00e7o Travessia, participei em fevereiro de 2019 dos rituais do Teatro de DyoNises com o m\u00e9dico psiquiatra e ator Vitor Pordeus, que idealizou, fundou e dirigiu o Hotel da Loucura dentro do Instituto Nise da Silveira. Foi por meio das pesquisas citadas pelo Pordeus que me deparei com uma pesquisa autoetnogr\u00e1fica pela primeira vez.<\/p>\n<blockquote><p>Falar de mim em di\u00e1logo com o outro foi me permitindo encontrar respostas e ch\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n<p>Foi com eles, com os participantes desta minha pesquisa, pessoas com a experi\u00eancia daquilo que se chama de loucura, pessoas socialmente estigmatizadas e que, ainda que reconhecidas como artistas \u2014 da loucura, da sa\u00fade mental, da luta antimanicomial \u2014 travam incans\u00e1vel luta por reconhecimento.<\/p>\n<h5><strong>\u00c1UDIO <span style=\"color: #8eaebd;\">| <\/span><\/strong><em>N\u00e3o era surto psic\u00f3tico, era alegria de ter meu samba cantado pelo povo<\/em><\/h5>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-25723-2\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Eneas-1a-parte-16-Junho-21-ansiedade.mp3?_=2\" \/><a href=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Eneas-1a-parte-16-Junho-21-ansiedade.mp3\">https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Eneas-1a-parte-16-Junho-21-ansiedade.mp3<\/a><\/audio>\n<h5><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-25771\" src=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/record-voice-icon.png\" alt=\"\" width=\"32\" height=\"32\" srcset=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/record-voice-icon.png 512w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/record-voice-icon-300x300.png 300w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/record-voice-icon-150x150.png 150w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/record-voice-icon-96x96.png 96w\" sizes=\"(max-width: 32px) 100vw, 32px\" \/><\/h5>\n<h5><\/h5>\n<h5><em>Eneas Elpidio de Souza, conhecido como Pensador Negro e sambista no bloco T\u00e1 Pirando, Pirado, Pirou! conta como foi ver o sucesso de uma de suas m\u00fasicas pela primeira vez<\/em><\/h5>\n<p>Eles almejam alcan\u00e7ar a condi\u00e7\u00e3o de artista &#8216;cidad\u00e3o comum&#8217; como afirmou Orlando Baptista dos Santos, cantor e compositor da banda <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/playlist?list=OLAK5uy_klXjZrPFZ3LYbclqgmTAjSkn7tN9iz45k\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cancioneiros do Ipub<\/a> [Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro]. Sonham poder viver da arte que produzem. Foi com eles que fui conhecendo e me aproximando da Luta Antimanicomial.<\/p>\n<p>Fui me tornando pesquisadora no campo da sa\u00fade mental pelo desejo de saber como insurge da loucura o artista e o militante da Luta Antimanicomial.<\/p>\n<p>Quanto mais eu me dava conta das experi\u00eancias de desrespeito narradas por todos os participantes desta minha, nossa, pesquisa, realizada em cinco espa\u00e7os art\u00edsticos-culturais inspirados no legado da Nise e localizados no interior de antigos hosp\u00edcios do Rio de Janeiro. A exce\u00e7\u00e3o \u00e9 o Teatro de DyoNises, que nos \u00faltimos dez anos vem atuando em v\u00e1rios pontos da cidade de modo independente e promovendo sa\u00fade mental p\u00fablica e comunit\u00e1ria, ainda que nascido dentro do Instituto Municipal Nise da Silveira.<\/p>\n<p>\u00c9 por eles, por mim, pelos nossos e em defesa de pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade mental antimanicomiais que eu sigo buscando compreender e lutando principalmente em defesa de duas pautas. A primeira, reconhecimento e valoriza\u00e7\u00e3o dos artistas da sa\u00fade mental. A segunda, amplia\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o direta das pessoas usu\u00e1rias da Raps no controle social do SUS [Sistema \u00danico de Sa\u00fade].<\/p>\n<p><strong> Hoje se fala muito de sa\u00fade mental, existe visibilidade e constru\u00e7\u00e3o de empatia para transtornos como depress\u00e3o, TOC, hiperatividade e ansiedade generalizada. Mas parece que esse discurso n\u00e3o engloba todo sofrimento ps\u00edquico. O que se chama de \u201cgrave\u201d, de \u201cloucura\u201d, parece ainda isolado e invisibilizado. \u00c9 essa segrega\u00e7\u00e3o que faz com que a luta antimanicomial permane\u00e7a uma luta, h\u00e1 40 anos no caso do Brasil?<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>FHV <span style=\"color: #8eaebd;\">| <\/span><\/strong><span data-contrast=\"auto\">A Luta Antimanicomial \u00e9 uma luta pelo cuidado em liberdade. Portanto, defende a democracia e o fim do manic\u00f4mio. &#8216;Sem democracia, o manic\u00f4mio vence&#8217;, diz o Edmar de Oliveira, que dirigiu o Instituto Nise da Silveira. <\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Transtornos mentais graves e persistentes como a esquizofrenia e a bipolaridade s\u00e3o comumente os &#8216;casos&#8217; aceitos para atendimento pela Raps, mais precisamente pelos Caps [Centros de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial].\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Infelizmente aquilo que hoje \u00e9 socialmente reconhecido como loucura aparece na m\u00eddia [opini\u00e3o p\u00fablica] comumente relacionado \u00e0 viol\u00eancia, como resultado de surtos psic\u00f3ticos. Isso estigmatiza o sujeito em sofrimento ps\u00edquico e amedronta a sociedade. De algum modo, pessoas com sofrimento mental considerado grave, incluindo os decorrentes do uso abusivo e prejudicial de \u00e1lcool e outras drogas, ainda persistem isoladas, pois atendidas dentro dos Caps.<\/p>\n<p>Esses servi\u00e7os, considerados substitutivos ao modelo manicomial, carregam consigo o olhar estigmatizante mesmo que seus usu\u00e1rios possam retornar diariamente para casa, para Unidades de Acolhimento [UAs, resid\u00eancias tempor\u00e1rias] ou para resid\u00eancias terap\u00eauticas [alternativas de moradia para pessoas com longo hist\u00f3rico de interna\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se confundem com comunidades terap\u00eauticas], por exemplo.<\/p>\n<blockquote><p>Esse olhar recai sobre elas por estarem na condi\u00e7\u00e3o de pacientes psiqui\u00e1tricos, facilmente reconhecida pelo fato de frequentarem tais servi\u00e7os ainda n\u00e3o bem compreendidos pela sociedade.<\/p><\/blockquote>\n<p>Estar em tratamento no Caps, ainda que de modo muito diferente do oferecido pelo hospital psiqui\u00e1trico, significa infelizmente ter que sobreviver sob o peso do preconceito e do descaso, muitas vezes dentro do pr\u00f3prio Caps.<\/p>\n<blockquote><p>Centros de conviv\u00eancia, arte, cultura e economia solid\u00e1ria s\u00e3o dispositivos previstos na Raps, mas pouco presentes no Brasil.<\/p><\/blockquote>\n<p>S\u00e3o espa\u00e7os coletivos amplos e potentes de socializa\u00e7\u00e3o e ressocializa\u00e7\u00e3o psicossocial e de promo\u00e7\u00e3o de sa\u00fade mental. De pot\u00eancia de vida, pois abertos \u00e0 comunidade e sem a exig\u00eancia de encaminhamentos m\u00e9dicos para fazer parte deles, podem contribuir para a inclus\u00e3o e servem como espelho social e intersubjetivo. Reduzem estigmas e constroem o respeito \u00e0 diversidade.<\/p>\n<h5><strong>\u00c1UDIO <span style=\"color: #8eaebd;\">| <\/span><\/strong><em>A arte ajuda as feridas a cicatrizarem<\/em><\/h5>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-25723-3\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Renata-Inocencio-15-fev-21_casca-1.mp3?_=3\" \/><a href=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Renata-Inocencio-15-fev-21_casca-1.mp3\">https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Renata-Inocencio-15-fev-21_casca-1.mp3<\/a><\/audio>\n<h5><a href=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/record-voice-icon.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25771 alignleft\" src=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/record-voice-icon.png\" alt=\"\" width=\"56\" height=\"56\" srcset=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/record-voice-icon.png 512w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/record-voice-icon-300x300.png 300w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/record-voice-icon-150x150.png 150w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/record-voice-icon-96x96.png 96w\" sizes=\"(max-width: 56px) 100vw, 56px\" \/><\/a><\/h5>\n<h5><em>Renata Inoc\u00eancio, artista pl\u00e1stica de vertente contempor\u00e2nea que pinta com a ponta dos dedos e comp\u00f5e o grupo de clientes e a equipe de artistas do Museu de Imagens do Inconsciente\u00a0<\/em><\/h5>\n<p>Talvez quando a sociedade se sentir em condi\u00e7\u00f5es de permitir que as pessoas dialoguem sobre como se sentem umas para as outras, talvez quando o olhar e a escuta forem menos automatizados e preconceituosos \u2014 quando houver tempo, disposi\u00e7\u00e3o, respeito, abertura e forma\u00e7\u00e3o qualificada para isso \u2014, a Luta Antimanicomial possa, quem sabe, come\u00e7ar a descansar.<\/p>\n<p>Mas antes \u00e9 preciso radicalizar e praticar a derrubada dos muros muito al\u00e9m dos muros f\u00edsicos do hosp\u00edcio. Isso tudo passa pela necessidade, ainda existente, de defesa, reconhecimento, amplia\u00e7\u00e3o e financiamento do nosso SUS. Passa pela necessidade de maior compreens\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da sociedade no processo de constru\u00e7\u00e3o, defesa e controle social da democracia.<\/p>\n<blockquote><p>Pela amplia\u00e7\u00e3o do debate popular, acad\u00eamico, social e pol\u00edtico a respeito da loucura, pela aceita\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a. Como j\u00e1 dito: &#8216;Ningu\u00e9m \u00e9 doido. Ou, ent\u00e3o, todos&#8217;.<\/p><\/blockquote>\n<p>Passa pelo respeito \u00e0 vida e ao direito de ser o que se \u00e9, desligado de aviltamentos sociais e de pr\u00e1ticas pol\u00edticas e hierarquizadas de anulamento e segrega\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a. Passa pela necessidade de afirma\u00e7\u00e3o e valida\u00e7\u00e3o dos sujeitos, das suas singularidades, mesmo as radicais.<\/p>\n<blockquote><p>Como alcan\u00e7ar um pouco disso tudo numa sociedade adoecida e desimportada de si?<\/p><\/blockquote>\n<p>&#8216;Cega, muda e surda. E preconceituosa por atitude&#8217;, nas palavras do Antonio Nan\u00e1, m\u00fasico percussionista da Cancioneiros do Ipub. Do singular ao social, como acolher o que nos \u00e9 t\u00e3o estranho? Sen\u00e3o, tamb\u00e9m, reconhecendo em n\u00f3s mesmos o porqu\u00ea de tamanho estranhamento?<\/p>\n<p><strong>Mesmo com certa apropria\u00e7\u00e3o de discurso de sa\u00fade mental que mencionamos acima para fins econ\u00f4micos (medicamentos, coachings, <em>washing<\/em>, propaganda de empresas e afins), h\u00e1 alguma esperan\u00e7a de que essa conscientiza\u00e7\u00e3o chegue a beneficiar quem sofre com a manuten\u00e7\u00e3o da cultura dos manic\u00f4mios?<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>FHV <span style=\"color: #8eaebd;\">| <\/span><\/strong><span data-contrast=\"auto\">Programas de conscientiza\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o pontuais como o <a href=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/ja-existe-um-apagamento-da-pandemia-por-nao-sabermos-lidar-com-tantas-perdas-joanneliese-freitas\/\">Setembro Amarelo<\/a>, por exemplo, ainda possuem pouco alcance social. Precisamos de maior participa\u00e7\u00e3o direta dos usu\u00e1rios da Raps no controle social do SUS, de educa\u00e7\u00e3o popular em sa\u00fade, de pol\u00edticas p\u00fablicas antimanicomiais e pr\u00e1ticas sociais, de comunica\u00e7\u00e3o e educacionais emancipat\u00f3rias e mais org\u00e2nicas e capazes de quebrar tabus, para come\u00e7ar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Quem se sente confort\u00e1vel e seguro para falar e em condi\u00e7\u00f5es de escutar sobre idea\u00e7\u00e3o suicida? Onde temos espa\u00e7o para externamos e dialogarmos sobre sentimentos como este? Mas o Setembro Amarelo comparece todos os anos.<\/p>\n<p>Igualmente, onde temos liberdade e espa\u00e7o seguro e qualificado para dialogarmos sobre experi\u00eancias humanas radicalmente singulares? Temos no Brasil o 18 de Maio, Dia Nacional de Luta Antimanicomial, muito potente em alguns munic\u00edpios do Brasil, mas incipiente na maioria dos outros.<\/p>\n<p>E agora temos o rec\u00e9m-criado Dia Nacional das Comunidades Terap\u00eauticas, tamb\u00e9m no dia 18, s\u00f3 que de agosto. Produto de uma s\u00e9rie de retrocessos que a pol\u00edtica de sa\u00fade mental brasileira vem sofrendo nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<h5><strong>\u00c1UDIO <span style=\"color: #8eaebd;\">| <\/span><\/strong><em>Voltei a pintar, de uma maneira mais saud\u00e1vel<\/em><\/h5>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-25723-4\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Rogeria-Barbosa-11-de-fev-parte-1-mais-suave.mp3?_=4\" \/><a href=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Rogeria-Barbosa-11-de-fev-parte-1-mais-suave.mp3\">https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Rogeria-Barbosa-11-de-fev-parte-1-mais-suave.mp3<\/a><\/audio>\n<h5><a href=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/record-voice-icon.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25771 alignleft\" src=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/record-voice-icon.png\" alt=\"\" width=\"56\" height=\"56\" srcset=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/record-voice-icon.png 512w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/record-voice-icon-300x300.png 300w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/record-voice-icon-150x150.png 150w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/record-voice-icon-96x96.png 96w\" sizes=\"(max-width: 56px) 100vw, 56px\" \/><\/a><\/h5>\n<h5><em>Rog\u00e9ria Barbosa, artista pl\u00e1stica do Atelier Gaia, vinculado ao Museu Bispo do Ros\u00e1rio Arte Contempor\u00e2nea, lembra como espa\u00e7os terap\u00eauticos ajudaram no desenvolvido do seu trabalho<\/em><\/h5>\n<p>Dito isso, do meu ponto de vista \u00e9 ainda bastante ut\u00f3pica a esperan\u00e7a de que programas e campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o como celebra\u00e7\u00e3o de dias nacionais e mundiais cheguem a beneficiar quem sofre com a manuten\u00e7\u00e3o da cultura manicomial. Ainda mais com a patologiza\u00e7\u00e3o da tristeza e dos modos radicais de se existir e, portanto, com a medicaliza\u00e7\u00e3o da vida. Muito a se caminhar, muito ch\u00e3o a se pavimentar.<\/p>\n<p>E no meio disso tudo, ainda resta ou restaria compreender, reconhecer e combater os condicionantes sociais de adoecimento ps\u00edquico, como a pobreza, as viol\u00eancias, e as injusti\u00e7as e as desigualdades sociais. Mas como combater justo o que sustenta, o que alimenta e reproduz o capital que nos adoece?<\/p>\n<p><strong>&#8220;Doente mental&#8221; \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o extremamente vulner\u00e1vel e limitadora para um indiv\u00edduo estar dentro e perante a sociedade, parece uma situa\u00e7\u00e3o de eterna tutela. De que formas a arte permite reposicionar socialmente essas pessoas?<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>FHV <span style=\"color: #8eaebd;\">| <\/span><\/strong><span data-contrast=\"auto\">Espa\u00e7os p\u00fablicos de tratamento de sa\u00fade mental inspirados no legado da doutora Nise da Silveira, nos quais se fazem presentes atividades art\u00edstico-culturais produzidas e socialmente compartilhadas no contexto da Reforma Psiqui\u00e1trica e da Luta Antimanicomial, possibilitam ao longo do tempo a constru\u00e7\u00e3o de novas identidades. A de artista, por exemplo. E isso reposiciona socialmente o sujeito em sofrimento ps\u00edquico.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Mas cabe pensar: o que significa e quais os limites deste alcance, quando essa nova condi\u00e7\u00e3o adquirida continua circunscrita no \u00e2mbito da loucura? O Brasil \u00e9 mundialmente conhecido pela grandeza de suas Cole\u00e7\u00f5es da Loucura. Temos no Rio de Janeiro o Museu de Imagens do Inconsciente na zona norte e o Museu Bispo do Ros\u00e1rio Arte Contempor\u00e2nea na zona oeste e, em S\u00e3o Paulo, em Franco da Rocha, o Museu de Arte Os\u00f3rio Cesar, para citar os principais, todos dentro de antigos hosp\u00edcios.<\/p>\n<blockquote><p>O que o mundo conhece, no entanto, da exist\u00eancia objetiva de pessoas que de dentro da dor fazem nascer a poesia?<\/p><\/blockquote>\n<p>O que o Brasil, a Luta Antimanicomial, sabem sobre esses artistas que passam a desejar fazer parte do circuito art\u00edstico e cultural do pa\u00eds com &#8216;nome pr\u00f3prio&#8217; reconhecido e sem a tarja social e pol\u00edtica que os prende dentro do estigma da loucura?<\/p>\n<h5><strong>GALERIA <span style=\"color: #8eaebd;\">| <\/span><\/strong>Quem s\u00e3o os donos das vozes<br \/>\n<\/h5>\n<p>Esta condi\u00e7\u00e3o de artista adquirida, conquistada, assumida, legitimada e validada, talvez fabricada, se custa alterar. Ou mesmo nunca ser\u00e1 suficiente para modificar a posi\u00e7\u00e3o social, via entrada no mundo do trabalho, no campo profissional art\u00edstico e cultural dos artistas participantes da pesquisa.<\/p>\n<blockquote><p>Nunca ser\u00e1 suficiente para modificar de todo o status social de cada um deles, as condi\u00e7\u00f5es materiais, objetivas, de sobreviv\u00eancia. Mas oferece ao menos um lugar, um papel social.<\/p><\/blockquote>\n<p>Uma resposta poss\u00edvel \u00e0s perguntas colocadas e valorizadas numa sociedade neoliberal, meritocr\u00e1tica e preconceituosa como a brasileira: \u2018O que voc\u00ea faz?\u2019, \u2018Voc\u00ea trabalha com qu\u00ea?\u2019, \u2018Fulano faz o qu\u00ea?\u2019, \u2018Ah, \u00e9&#8230; E ele trabalha onde?\u2019, \u2018Ele estuda?\u2019.<\/p>\n<p>Poder responder a essas quest\u00f5es na condi\u00e7\u00e3o autointitulada de artista \u00e9 poder respirar com algum al\u00edvio de fundo social que n\u00e3o demora, no entanto, a se tornar ofegante e constrangedor toda vez que se imp\u00f5e a necessidade de demorar-se nessa resposta.<\/p>\n<p>Como discorrer sobre a posi\u00e7\u00e3o social que se ocupa, nesse caso, fora dos pares, fora do espa\u00e7o protegido da sa\u00fade mental antimanicomial?<\/p>\n<p><strong>Por que voc\u00ea entende que a arte, por si s\u00f3, n\u00e3o \u00e9 empoderadora?<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>FHV <span style=\"color: #8eaebd;\">| <\/span><\/strong><span data-contrast=\"auto\">Porque, por exemplo, no caso de uma banda que existe h\u00e1 mais de 20 anos em um hospital, onde o cara que canta e comp\u00f5e \u00e9 o \u00fanico que canta e comp\u00f5e&#8230; Por que n\u00e3o tem uma pol\u00edtica p\u00fablica permanente? Que ofere\u00e7a, por exemplo, uma bolsa para essa pessoa que \u00e9 artista faz mais de 20 anos, para que ele possa fazer oficinas de m\u00fasica com outros pacientes dentro do hospital?<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><span data-contrast=\"auto\">N\u00e3o existem bolsas de pesquisa? Por que n\u00e3o para oficineiros? <\/span><\/p>\n<blockquote><p><span data-contrast=\"auto\">A quest\u00e3o \u00e9 que pol\u00edticas p\u00fablicas surgem depois que algu\u00e9m consegue levar para agenda um determinado problema. Quem n\u00e3o est\u00e1 pautando a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas favor\u00e1veis aos artistas da sa\u00fade mental? <\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:1,&quot;335551620&quot;:1,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:279}\">\u00a0<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span data-contrast=\"auto\">N\u00e3o temos pol\u00edtica p\u00fablica que valorize, reconhe\u00e7a, que garanta condi\u00e7\u00f5es mais dignas e de sobreviv\u00eancia para esses artistas. A luta antimanic\u00f4mio \u00e9 uma luta, n\u00e9? N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma bandeira.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:1,&quot;335551620&quot;:1,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:279}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>Os entrevistados da sua pesquisa dizem que, ao mesmo tempo que a arte \u00e9 socializadora, coletiva, ela tamb\u00e9m permite que o indiv\u00edduo entre em contato com seus sentimentos e verdades, promovendo autoconhecimento. O que avan\u00e7amos nessa \u00e1rea, 25 anos depois da morte de Nise da Silveira?<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>FHV <span style=\"color: #8eaebd;\">| <\/span><\/strong><span data-contrast=\"auto\">Al\u00e9m do Museu de Imagens do Inconsciente, que acaba de completar 72 anos, diversas experiencias exitosas e consolidadas de arte e cultura nos equipamentos p\u00fablicos de sa\u00fade mental que funcionam sob os princ\u00edpios da Reforma Psiqui\u00e1trica e da Luta Antimanicomial. Muitas no munic\u00edpio do Rio de Janeiro.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Importante dizer, no entanto, que essa n\u00e3o \u00e9 a realidade de todo o Brasil. Experi\u00eancias art\u00edstico-culturais como estas e o pr\u00f3prio legado da doutora Nise ainda permanecem bastante distantes dos servi\u00e7os p\u00fablicos e privados de sa\u00fade mental e do imagin\u00e1rio social e acad\u00eamico.<\/p>\n<blockquote><p>O que temos destinado \u00e0s pessoas que buscam ou s\u00e3o encaminhadas para tratamento de sa\u00fade mental acaba se resumindo \u00e0s prescri\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas psiqui\u00e1tricas. No caso de pessoas pobres, n\u00e3o raro, sem o devido acompanhamento m\u00e9dico.<\/p><\/blockquote>\n<p><span class=\"TextRun SCXW68546883 BCX0\" lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\" data-contrast=\"auto\"><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">Programas de <\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">r<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">edu\u00e7\u00e3o de <\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">d<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">anos <\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">[<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">RD, <\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">perspectiva em que a abstin\u00eancia total n\u00e3o<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\"> \u00e9 exigida no acompanhamento do dependente de \u00e1lcool e drogas<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">] <\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">e grupos de <\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">g<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">est\u00e3o <\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">a<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">ut\u00f4noma de <\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">m<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">edica\u00e7\u00e3o <\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">[<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">GAM<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">, abordagem <\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">em que as pessoas podem opinar no uso de psicotr\u00f3picos<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">]<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\"> ainda s\u00e3o bastante in<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">ci<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">pientes<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">,<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\"> assim como a participa\u00e7\u00e3o dos <\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">u<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">su\u00e1rios da R<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">aps<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\"> no <\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">c<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">ontrole <\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">s<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">ocial do SUS. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span class=\"TextRun SCXW68546883 BCX0\" lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\" data-contrast=\"auto\"><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">Todas as 21 pessoas entrevistadas por mim clamam por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e o acesso ao trabalho \u00e9 a via almejada <\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">que \u00e9 <\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW68546883 BCX0\">apresentada por eles para esse fim. <\/span><\/span><span class=\"EOP SCXW68546883 BCX0\" data-ccp-props=\"{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:1,&quot;335551620&quot;:1,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:279}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span class=\"TextRun SCXW167924657 BCX0\" lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\" data-contrast=\"auto\"><span class=\"NormalTextRun SCXW167924657 BCX0\">Neste sentido, a cidade de Sobral, no Cear\u00e1, vem se <\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW167924657 BCX0\">destaca<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW167924657 BCX0\">ndo<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW167924657 BCX0\">\u00a0oferecendo<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW167924657 BCX0\">\u00a0vagas de emprego para <\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW167924657 BCX0\">u<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW167924657 BCX0\">su\u00e1rios do C<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW167924657 BCX0\">aps<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW167924657 BCX0\"> AD <\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW167924657 BCX0\">[centros com foco no tratamento de abuso de \u00e1lcool e drogas] <\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW167924657 BCX0\">no servi\u00e7o p\u00fablico de Sobral.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m motivo de comemora\u00e7\u00e3o o acordo de coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica entre os minist\u00e9rios da Cultura e da Sa\u00fade que visa contribuir com a Agenda 2030 [da ONU] e a garantia dos direitos \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 cultura, com foco especial nos mais vulnerabilizados e historicamente exclu\u00eddos.<\/p>\n<p><span class=\"TextRun SCXW233530482 BCX0\" lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\" data-contrast=\"auto\"><span class=\"NormalTextRun SCXW233530482 BCX0\">Outro avan\u00e7o e motivo de alegria \u00e9 a <\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW233530482 BCX0\">p<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW233530482 BCX0\">ortaria do M<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW233530482 BCX0\">S<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW233530482 BCX0\"> que institui o Centro de Conviv\u00eancia <\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW233530482 BCX0\">[<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW233530482 BCX0\">C<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW233530482 BCX0\">eco]<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW233530482 BCX0\"> no SUS [na verdade, <a href=\"https:\/\/bvsms.saude.gov.br\/bvs\/saudelegis\/gm\/2023\/prt0874_18_07_2023.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a portaria institui um grupo de trabalho<\/a> para estudos]<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW233530482 BCX0\">. <\/span><\/span><span class=\"EOP SCXW233530482 BCX0\" data-ccp-props=\"{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:1,&quot;335551620&quot;:1,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:279}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Ou seja, 25 anos depois da partida da doutora Nise a luta por condi\u00e7\u00f5es dignas e humanizadas de tratamento de sa\u00fade mental no Brasil continua necess\u00e1ria e precisa se fortalecer. Igualmente para fazer chegar o legado da Nise da Silveira em cada lugar onde o manic\u00f4mio continua tendo vez.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 \u201cloucura\u201d? Existe um sentir-se, um perceber-se louco, n\u00e3o normal, ou se trata de um apontamento da sociedade para o indiv\u00edduo? Ao mesmo tempo que a loucura parece um construto social, uma \u201cexperi\u00eancia de desrespeito\u201d, alguns dos seus entrevistados denominam a loucura e dizem sentir seus problemas ps\u00edquicos no seu cotidiano.<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>FHV <span style=\"color: #8eaebd;\">| <\/span><\/strong><span data-contrast=\"auto\">A pesquisa mostra que existem as duas situa\u00e7\u00f5es, perceber-se enlouquecido e, tamb\u00e9m, sentir-se julgado como louco pelo outro. E mais, que tanto uma situa\u00e7\u00e3o como a outra andam juntas e que o processo de enlouquecimento n\u00e3o est\u00e1 descolado da realidade social.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Disseram para mim que &#8216;ningu\u00e9m pede pra ser louco no mundo\u2019. Que quando escutava vozes e ouvia vultos, estava vivendo em &#8216;outros lugares\u2019. A Stela Sepulveda, atriz do Teatro de DyoNises, disse que quando \u2018cai na boca do povo\u2019, voc\u00ea \u00e9 tratado como louco mesmo que n\u00e3o se sinta assim. Adilson Tiamo, que \u00e9 multiartista do Museu Bispo do Ros\u00e1rio, come\u00e7ou a ouvir o barulho das m\u00e1quinas uma semana depois de ter sido demitido, aos 50 anos. Aprendeu com uma terapeuta ocupacional a distinguir o que era real e o que n\u00e3o era.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, temos muitas respostas sobre o que \u00e9 loucura. A oferecida pela Rog\u00e9ria Barbosa, do Museu Bispo do Ros\u00e1rio, \u00e9 ao mesmo tempo a mais direta e aquela que pode nos fazer refletir sobre o quanto a loucura pode estar presente em qualquer um de n\u00f3s. Ela diz que &#8216;tudo o que \u00e9 a mais \u00e9 loucura. O paciente psiqui\u00e1trico ele \u00e9 um pouco a mais em tudo\u2019.<\/p>\n<p><strong>Express\u00f5es como \u201cfugiu do Caps\u201d, \u201cabriram as portas do Caps\u201d, e etc. mostram que o brasileiro ainda n\u00e3o entendeu como funciona o atendimento de sa\u00fade mental pela Raps no SUS?<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>FHV <span style=\"color: #8eaebd;\">| <\/span><\/strong><span data-contrast=\"auto\">Sim. A <a href=\"https:\/\/bvsms.saude.gov.br\/bvs\/saudelegis\/gm\/2011\/prt3088_23_12_2011_rep.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">portaria do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/a> que define a Raps \u00e9 de 2011 e ainda hoje n\u00e3o temos funcionando em todo o Brasil diversos pontos de aten\u00e7\u00e3o que comp\u00f5em a Raps.<\/span><\/p>\n<p>Ela prev\u00ea as Unidades de Acolhimento (UAs), ou seja, &#8216;resid\u00eancias tempor\u00e1rias para pessoas com necessidades decorrentes do uso de \u00e1lcool e outras drogas, acompanhadas no Caps, em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social e\/ou familiar e que demandem acolhimento terap\u00eautico e protetivo&#8217;. Mas temos financiadas pelo governo federal cada vez mais comunidades terap\u00eauticas, a grande maioria ligada \u00e0 igreja e funcionando de maneira manicomial \u00e0 base de isolamento social.<\/p>\n<blockquote><p>Para onde acabam sendo levadas pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua quando o prop\u00f3sito \u00e9 &#8216;higienizar&#8217; a cidade?<\/p><\/blockquote>\n<p>Temos no Brasil cerca de 3 mil Caps e menos de 80 Centros de Conviv\u00eancia, Arte, Cultura e Economia Solid\u00e1ria, que tamb\u00e9m fazem parte da Raps.<\/p>\n<p>Igualmente, temos poucos Servi\u00e7os Resid\u00eancias Terap\u00eauticos, os SRTs, \u201cmoradias inseridas na comunidade, destinada a acolher e cuidar das pessoas em sofrimento ps\u00edquico grave e persistente, egressas de interna\u00e7\u00f5es psiqui\u00e1tricas de longa perman\u00eancia em hospitais psiqui\u00e1tricos e hospitais de cust\u00f3dia, que n\u00e3o possuam suporte social e la\u00e7os familiares.\u201d<\/p>\n<blockquote><p>A aus\u00eancia de uma Raps forte, consolidada, equipada, qualificada e com trabalhadores em condi\u00e7\u00f5es justas de trabalho, em quantidade suficiente frente \u00e0 demanda no territ\u00f3rio brasileiro, dificulta o entendimento da sociedade. At\u00e9 mesmo o das pr\u00f3prias pessoas em sofrimento ps\u00edquico e de seus familiares.<\/p><\/blockquote>\n<p>Durante a 1\u00aa Confer\u00eancia Livre Nacional de Usu\u00e1rios da Raps, no ano passado, ocorreu de uma pessoa usu\u00e1ria da Raps de Curitiba afirmar diante da alta c\u00fapula do Caps que &#8216;a pessoa entra sem norte e sai sem rumo do Caps&#8217;.<\/p>\n<p>Como esperar do brasileiro entendimento quando o pr\u00f3prio Estado n\u00e3o assume o compromisso de garantir o direito previsto em lei de atendimento psicossocial humanizado, digno e compromissado com a emancipa\u00e7\u00e3o das pessoas em sofrimento ps\u00edquico?<\/p>\n<p>E outra: o brasileiro ainda n\u00e3o entendeu como funciona a Raps porque ela n\u00e3o existe consolidada e respeitada funcionando de maneira qualificada, humanizada e emancipadora em todo o territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www3.paho.org\/hq\/dmdocuments\/2014\/BRASILIA-CONSENSUS-2013eng.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Consenso de Bras\u00edlia 2013<\/a> mostrou que precisamos avan\u00e7ar na garantia dos direitos sociais dos usu\u00e1rios de sa\u00fade mental e na constru\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es psicossociais e pol\u00edtico-culturais emancipadoras. Passados mais de dez anos desse documento latino-americano produzido com a participa\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade brasileiro o retrato permanece muito igual.<\/p>\n<p>Atualmente est\u00e1 em disputa o fim do manic\u00f4mio judicial em todo o Brasil [por meio da <a href=\"https:\/\/www.cnj.jus.br\/programas-e-acoes\/direitos-humanos\/politica-antimanicomial-do-poder-judiciario\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Resolu\u00e7\u00e3o 487\/2023 do Conselho Nacional de Justi\u00e7a \u2014 CNJ<\/a>]. E a pergunta assustada, desinformada, preconceituosa, incr\u00e9dula e temerosa que surge neste embate \u00e9 exatamente sobre se a Raps, mais precisamente, sobre se os Caps v\u00e3o dar conta de atender \u00e0s demandas psicossociais dos egressos dos hospitais de cust\u00f3dia brasileiros.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria constitucionalidade da Pol\u00edtica Antimanicomial do Poder Judici\u00e1rio estabelecida pelo CNJ tem sido questionada e julgada por meio de a\u00e7\u00f5es no Supremo Tribunal Federal, demonstrando a fragilidade da luta pelo fim dos manic\u00f4mios no Brasil.<\/p>\n<p>No lugar de a luta se avolumar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 defesa da garantia de uma Raps forte e humanizada, o que comparece no parco debate p\u00fablico acaba sendo o temor pelo fim dos manic\u00f4mios judici\u00e1rios, o medo diante da possibilidade de saberem em liberdade pessoas consideradas al\u00e9m de loucas, criminosas.<\/p>\n<p>\u00c9 como se todas as pautas em defesa do direito ao cuidado psicossocial em liberdade n\u00e3o tivessem que chegar com a mesma for\u00e7a nestes tipos de c\u00e1rceres chamados de hospitais de cust\u00f3dia. Tampouco nos chamados de comunidades terap\u00eauticas.<\/p>\n<p>Que for\u00e7a, papel e legitimidade t\u00eam a Raps no imagin\u00e1rio social e qual o papel do Estado no que diz respeito a isso?<\/p>\n<p><strong>Quando se pensa pela possibilidade de uma ci\u00eancia \u201cobjetiva\u201d, em geral se recrimina o pesquisador que se envolve politicamente com o seu objeto de estudo. Como voc\u00ea percebe essa situa\u00e7\u00e3o em voc\u00ea e nas ci\u00eancias sociais: existem limites, existem \u00e9ticas espec\u00edficas, ou existem prioridades sociais a serem consideradas&#8230;?<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>FHV <span style=\"color: #8eaebd;\">|<\/span><\/strong> A ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 isenta de valores. Em <em>Honestidade intelectual<\/em>, cl\u00e1ssico de Max Weber para a sociologia, ele fala exatamente para que o pesquisador comunique aos seus leitores os seus pontos de vista e interesses pessoais e pol\u00edticos a partir dos quais surgem seus pr\u00f3prios interesses de pesquisa.<\/p>\n<p><span class=\"TextRun SCXW196561458 BCX0\" lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\" data-contrast=\"auto\"><span class=\"NormalTextRun SCXW196561458 BCX0\">Sim, existem limites e \u00e9tica no fazer cient\u00edfico<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW196561458 BCX0\">. Sigo <\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW196561458 BCX0\">Weber tamb\u00e9m em <em>Ci\u00eancia e Pol\u00edtica como Voca\u00e7\u00e3o<\/em><\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW196561458 BCX0\">, que<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW196561458 BCX0\"> diz respeito aos papeis diferentes que devem ser assumidos<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW196561458 BCX0\">. N<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW196561458 BCX0\">a <\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW196561458 BCX0\">u<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW196561458 BCX0\">niversidade um<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW196561458 BCX0\">;<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW196561458 BCX0\">\u00a0na pra\u00e7a p\u00fablica em luta, outro. <\/span><\/span><span class=\"EOP SCXW196561458 BCX0\" data-ccp-props=\"{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:1,&quot;335551620&quot;:1,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:279}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Dito isso, a partir do momento que o movimento da Luta Antimanicomial passa a integrar a minha pesquisa como objeto de an\u00e1lise, como campo de pesquisa, mas tamb\u00e9m como espa\u00e7o de luta, de disputa e junto com os participantes da pesquisa, o meu posicionamento pol\u00edtico, os meus interesses e os valores pessoais, coletivos e de luta, minhas prioridades subjetivas, sociais e pol\u00edticas, tamb\u00e9m passam a fazer inevitavelmente parte da pesquisa, das minhas reflex\u00f5es e escolhas.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o \u00e9 ocultado. Est\u00e1 l\u00e1 no decorrer das p\u00e1ginas e em todos os demais meios de divulga\u00e7\u00e3o de pesquisa cientifica nos quais ela aparece apresentada, al\u00e9m dos espa\u00e7os de disputa e constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade mental aos quais tenho me juntado ativamente, acompanhada de v\u00e1rios dos integrantes dessa pesquisa que se sentem inclusive pertencentes a ela.<\/p>\n<p><strong>Qual a sua expectativa sobre o clube de ci\u00eancia? O que voc\u00ea avalia que crian\u00e7as e adolescentes deveriam saber sobre sa\u00fade mental? Alguma hist\u00f3ria moveu voc\u00ea?<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>FHV <span style=\"color: #8eaebd;\">|<\/span><\/strong> O Clube de Ci\u00eancias Arte, Cultura e Sa\u00fade Mental se inspira no legado da doutora Nise da Silveira. Nasce de um desejo, que \u00e9 pautar em Curitiba a aproxima\u00e7\u00e3o da arte e da cultura na sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>N\u00e3o temos em Curitiba os centros de conviv\u00eancia, arte, cultura e economia solid\u00e1ria de que fala o decreto da Raps. Temos uma Portaria lan\u00e7ado neste ano que prev\u00ea a implementa\u00e7\u00e3o de centros de conviv\u00eancia que est\u00e1 aguardando a assinatura da ministra Nisia Trindade [do MS].<\/p>\n<p>Poucos munic\u00edpios contam com servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade mental no interior dos quais arte e cultura se fazem presentes de maneira consolidada. A maioria deles n\u00e3o tem esses centros integrados \u00e0 Raps.<\/p>\n<p>Portanto, poder ter um clube de ci\u00eancias com essa tem\u00e1tica \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de um sonho. O objetivo espec\u00edfico dele \u00e9 reconhecer, compreender, analisar e combater os condicionantes psicossociais e culturais de adoecimento ps\u00edquico assim como os processos de produ\u00e7\u00e3o de estigmas sociais, de preconceito, de exclus\u00e3o social e de patologiza\u00e7\u00e3o e medicaliza\u00e7\u00e3o da vida. Usamos metodologias das Ci\u00eancias Sociais e Humanas.<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es do clube de ci\u00eancias que propusemos podem contribuir por meio de uma ci\u00eancia cidad\u00e3 para estreitar la\u00e7os entre sa\u00fade e cultura e pautar pol\u00edticas p\u00fablicas emancipat\u00f3rias de tratamento de sa\u00fade mental em Curitiba e no Paran\u00e1.<\/p>\n<p>Pode ampliar a compreens\u00e3o das desigualdades, viol\u00eancias e injusti\u00e7as sociais buscando super\u00e1-las e inclusive percebendo nessas mazelas motivos de adoecimento ps\u00edquico.<\/p>\n<p><strong>Arrisca-se a avaliar por que o movimento antimanicomial \u00e9 t\u00e3o pequeno em Curitiba?<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>FHV <span style=\"color: #8eaebd;\">|<\/span><\/strong> Considero que seja o conservadorismo pol\u00edtico e social, mas n\u00e3o consigo avaliar muito bem. Porque S\u00e3o Paulo elege h\u00e1 d\u00e9cadas pol\u00edticos assim para governador, mas o 18 de Maio [Dia Nacional da Luta Antimanicomial] toma a [Avenida] Paulista todos os anos. Talvez o tamanho da cidade de Curitiba e quem sabe at\u00e9 mesmo a forma\u00e7\u00e3o social do povo curitibano&#8230;<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o sei bem responder esta quest\u00e3o. Porque temos em Curitiba entidades que abertamente advogam pela interna\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica e ainda por cima t\u00eam espa\u00e7o na m\u00eddia.<\/p>\n<p>N\u00e3o se defende a Luta Antimanicomial a despeito de termos tido o caso Carrano [Austreg\u00e9silo Carrano Bueno, autor do livro autobiogr\u00e1fico <em>Canto dos Malditos<\/em> (1990), que deu origem ao filme <em>Bicho de Sete Cabe\u00e7as<\/em> (2000)], considerado um militante hist\u00f3rico da luta antimanicomial.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: right;\"><span data-contrast=\"auto\">\u2795 Leia o artigo <a href=\"https:\/\/periodicos.ufsc.br\/index.php\/cbsm\/article\/view\/80844\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&#8220;Arte, cultura e loucura como formas de (n\u00e3o) reconhecimento social e resist\u00eancia pol\u00edtica&#8221;<\/a>, publicado no peri\u00f3dico <em>Cadernos Brasileiros de Sa\u00fade Mental<\/em><\/span><em>\u00a0<\/em><\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o foram convencionais os itiner\u00e1rios da pesquisa de Fabiane Helene Valmore, soci\u00f3loga e mestre em Ci\u00eancia Pol\u00edtica pela Universidade Federal&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2800,"featured_media":25727,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":"","fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false},"categories":[1609,1614,1622,1618],"tags":[2420,2591,2588,2592,2586,2593,2594,1878,2589,2587,2329,2590,1141,2255],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v23.5 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>&quot;O que o mundo conhece da exist\u00eancia de pessoas que da dor ps\u00edquica fazem nascer a poesia?&quot; 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