{"id":25474,"date":"2024-08-27T07:54:01","date_gmt":"2024-08-27T10:54:01","guid":{"rendered":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/?p=25474"},"modified":"2026-06-23T19:52:33","modified_gmt":"2026-06-23T22:52:33","slug":"orquidea-paranaense-recem-descoberta-corre-risco-de-extincao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/orquidea-paranaense-recem-descoberta-corre-risco-de-extincao\/","title":{"rendered":"Orqu\u00eddea paranaense rec\u00e9m-descoberta corre risco de extin\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Uma pequena orqu\u00eddea de flores verdes chamou a aten\u00e7\u00e3o do bot\u00e2nico Mathias Engels durante uma trilha na Serra do Mar, pr\u00f3ximo ao Pico Paran\u00e1, cujas montanhas est\u00e3o entre as mais altas do Sul do Brasil. \u201cPensei: n\u00e3o conhe\u00e7o esta <em>Malaxis<\/em> [g\u00eanero da fam\u00edlia de orqu\u00eddeas], que planta distinta\u201d, conta \u00e0 <em>Ci\u00eancia UFPR<\/em> o pesquisador da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), que n\u00e3o imaginava se tratar de uma nova esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Engels j\u00e1 coletou mais de dez mil amostras para cole\u00e7\u00f5es cient\u00edficas em expedi\u00e7\u00f5es bot\u00e2nicas em diferentes regi\u00f5es do Brasil. Somente na Amaz\u00f4nia Mato-grossense, chegou a passar 60 dias. Uma pequena fra\u00e7\u00e3o das amostras, depois de um minucioso estudo, vieram a ser reconhecidas como novas. Esse \u00e9 o caso daquela pequena orqu\u00eddea encontrada pelo bot\u00e2nico em Campina Grande do Sul, munic\u00edpio de 48 mil habitantes na Regi\u00e3o Metropolitana de Curitiba.<\/p>\n<p>A planta j\u00e1 havia sido encontrada em 1947 pelo bot\u00e2nico curitibano Gerdt Hatschbach \u2014 formado em qu\u00edmica e, depois doutor <em>honoris causa<\/em> pela UFPR \u2014, na regi\u00e3o do munic\u00edpio de Piraquara, tamb\u00e9m no Paran\u00e1. Por\u00e9m, na \u00e9poca, o material coletado era insuficiente para ser reconhecido como uma nova esp\u00e9cie. Em 2019 a coleta de Engels, 72 anos ap\u00f3s a de Hatschbach, permitiu o reconhecimento e a descri\u00e7\u00e3o completa da planta.<\/p>\n<h5><strong>GALERIA <span style=\"color: #8eaebd;\">|<\/span><\/strong> Veja fotos da coleta da orqu\u00eddea<br \/>\n<\/h5>\n<p>A amostra coletada por Engels e depositada no Herb\u00e1rio UPCB do Departamento de Bot\u00e2nica da UFPR \u2014 <a href=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nova-especie-de-arvore-conhecida-como-quaresmeira-e-descoberta-na-regiao-da-grande-sao-paulo\/\">um dos mas antigos do Brasil<\/a> \u2014 foi fonte de pesquisa do grupo CNPq \u201cSistem\u00e1tica e Ecologia Molecular de Plantas&#8221;, sob coordena\u00e7\u00e3o do professor Eric de Camargo Smidt. A esp\u00e9cie pertence \u00e0 fam\u00edlia de orqu\u00eddeas do g\u00eanero <em>Malaxis<\/em> e, agora, homenageia tamb\u00e9m o doutorando de Bot\u00e2nica, Mathias Engels, sendo batizada de <em>Malaxis engelsii<\/em>.<\/p>\n<p>As duas localidades em que as amostras foram encontradas s\u00e3o ambientes de florestas nebulosas alto-montanas, conhecidas por serem de dif\u00edcil acesso, e pertencem \u00e0 Serra do Mar paranaense \u2014 um conjunto de eleva\u00e7\u00f5es formadas por processos tect\u00f4nicos que se originaram durante a Era Cenoz\u00f3ica, iniciada h\u00e1 65,5 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Associado \u00e0 alta umidade, a floresta abrange uma \u00e1rea composta por \u00e1rvores de pequeno porte, fornecendo habitat em abund\u00e2ncia para plantas ep\u00edfitas. De acordo com Smidt, docente da UFPR e orientador da pesquisa, a <em>Malaxis<\/em> \u00e9 um g\u00eanero de <em>Orchidaceae<\/em> (maior fam\u00edlia bot\u00e2nica do grupo das Monocotiled\u00f4neas).<\/p>\n<p>O g\u00eanero est\u00e1 distribu\u00eddo pelos tr\u00f3picos e subtr\u00f3picos do planeta com cerca de 170 esp\u00e9cies. Destas, cerca de dez ocorrem no Brasil.<\/p>\n<p>A maioria das esp\u00e9cies da fam\u00edlia <em>Orchidaceae<\/em>, especialmente nos tr\u00f3picos, s\u00e3o ep\u00edfitas \u2014 plantas que vivem sobre outras usando-as como suporte.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0 <em>Malaxis<\/em>, o g\u00eanero possui tanto esp\u00e9cies ep\u00edfitas, quanto terrestres. Aparentemente esta \u00e9 a primeira esp\u00e9cie ep\u00edfita do g\u00eanero descrita para o Brasil\u201d, destaca.<\/p><\/blockquote>\n<p>As caracter\u00edsticas mais vis\u00edveis da <em>Malaxis engelsii<\/em> envolvem a infloresc\u00eancia densa, com flores bem coloridas, que variam entre laranja, branco e verde, dependendo da pe\u00e7a floral.<\/p>\n<figure id=\"attachment_25524\" aria-describedby=\"caption-attachment-25524\" style=\"width: 440px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/info-orquideas_cienciaufpr-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-25524\" src=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/info-orquideas_cienciaufpr-1.jpg\" alt=\"\" width=\"440\" height=\"524\" srcset=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/info-orquideas_cienciaufpr-1.jpg 840w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/info-orquideas_cienciaufpr-1-252x300.jpg 252w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/info-orquideas_cienciaufpr-1-768x914.jpg 768w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/info-orquideas_cienciaufpr-1-150x179.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 440px) 100vw, 440px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-25524\" class=\"wp-caption-text\">Clique para ampliar | <a href=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/info-orquideas_cienciaufpr.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Baixe em pdf<\/a><\/figcaption><\/figure>\n<p>Registrada em artigo publicado recentemente na revista cient\u00edfica <em>Lankesteriana<\/em>, a descoberta \u00e9 assinada por Smidt e pelo doutorando da Unesp, Thiago Faria do Santos, que fez uma revis\u00e3o do g\u00eanero <em>Malaxis<\/em> no Brasil.<\/p>\n<p>A parceria foi poss\u00edvel pelo credenciamento do docente Smidt, que atualmente orienta em tr\u00eas programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, sendo dois na UFPR (PPG Bot\u00e2nica e PPG Ecologia e Conserva\u00e7\u00e3o) e um na Unesp (PPG Biologia Vegetal). Smidt coordena na UFPR o <a href=\"https:\/\/lsemp-ufpr.weebly.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Laborat\u00f3rio de Sistem\u00e1tica e Ecologia Molecular de Plantas (LSEMP)<\/a>, do qual todos fazem parte.<\/p>\n<p>O pesquisador Santos afirma que as <em>Malaxis<\/em> s\u00e3o plantas pouco conhecidas pela ci\u00eancia, com registros raros na natureza. Tamb\u00e9m possuem caracter\u00edsticas ex\u00f3ticas se comparadas a outras orqu\u00eddeas, principalmente pela sua morfologia.<\/p>\n<p>\u201cElas possuem infloresc\u00eancias que lembram um guarda-chuva e t\u00eam flores bem pequenas, al\u00e9m de ocorrerem no ch\u00e3o da floresta, o que as torna ainda mais peculiares\u201d, detalha.<\/p>\n<p>O pesquisador ainda descreve o habitat da nova esp\u00e9cie como \u201cum ambiente m\u00edstico, quase proibido para a explora\u00e7\u00e3o humana. \u00c9 onde as nuvens abra\u00e7am a floresta, um tipo de ambiente caracterizado pelo alto grau de endemismo [esp\u00e9cies restritas ao habitat], com plantas especializadas para viverem ali\u201d.<\/p>\n<p>A descoberta amplia a compreens\u00e3o sobre a biodiversidade e \u00e9 considerada de alta relev\u00e2ncia pelos pesquisadores por contribuir diretamente com o progresso cient\u00edfico.<\/p>\n<p>\u201cConhecer as caracter\u00edsticas \u00fanicas de uma planta pode levar, por exemplo, ao desenvolvimento de novos medicamentos, materiais ou tecnologias. Assim, a descri\u00e7\u00e3o da natureza n\u00e3o \u00e9 tarefa secund\u00e1ria; ela \u00e9 o desenvolvimento tecnol\u00f3gico e cient\u00edfico\u201d, diz Santos.<\/p>\n<h2>Esp\u00e9cie \u00e9 exemplo da biodiversidade que falta ser conhecida para guiar preserva\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Apesar de rec\u00e9m-descoberta, na avalia\u00e7\u00e3o dos cientistas a esp\u00e9cie <em>Malaxis engelsii<\/em> est\u00e1 apta a ser enquadrada pelo <a href=\"https:\/\/www.iucnredlist.org\/search?query=Malaxis%20engelsii&amp;searchType=species\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">sistema da IUCN<\/a> (Uni\u00e3o Internacional para Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza) como \u201cem perigo\u201d, baseado no n\u00famero de registros da esp\u00e9cie, da qualidade e da abrang\u00eancia de seu habitat.<\/p>\n<p>A condi\u00e7\u00e3o serve como guia para identifica\u00e7\u00e3o de \u00e1reas que mais necessitam de a\u00e7\u00f5es de preserva\u00e7\u00e3o voltadas para prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade.<\/p>\n<p>Smidt explica que, de modo geral, isso significa a necessidade de medidas de conserva\u00e7\u00e3o para esta esp\u00e9cie, seja protegendo o habitat, seja produzindo conhecimento sobre suas caracter\u00edsticas e ecologia, como polinizadores e fungos associados ao seu crescimento, por exemplo.<\/p>\n<p>O fato de a descoberta ser registrada na Mata Atl\u00e2ntica tamb\u00e9m funciona como um alerta para os pesquisadores.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil \u00e9 o pa\u00eds mais biodiverso do planeta e uma em cada cinco plantas no mundo s\u00f3 ocorrem aqui. Dentro do pa\u00eds, o bioma mais rico e amea\u00e7ado \u00e9 a Mata Atl\u00e2ntica. Descobrir esp\u00e9cies novas nesse bioma, cuja \u00e1rea atual \u00e9 cerca de 10% de sua \u00e1rea original, mostra o quanto ainda precisamos estud\u00e1-lo para proteg\u00ea-lo\u201d.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: right;\">Edi\u00e7\u00e3o: Camille Bropp<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: right;\">\u2795 Leia o artigo <a href=\"https:\/\/revistas.ucr.ac.cr\/index.php\/lankesteriana\/article\/view\/57290\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cMalaxis engelsii (Malaxidinae), a new species from the upper montane forest of the Atlantic Rainforest in southern Brazil\u201d<\/a>, publicado no <em>Lankesteriana (International Journal on Orchidology)<\/em><\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pequena orqu\u00eddea de flores verdes chamou a aten\u00e7\u00e3o do bot\u00e2nico Mathias Engels durante uma trilha na Serra do Mar,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2810,"featured_media":25482,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":"","fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false},"categories":[1608,2186,1612,2202],"tags":[2420,2638,1909,2137,2964,2539,2534,2466,2535,2536,2538,1725,2537,2532,1748,2533,2354],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v23.5 - 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