{"id":24337,"date":"2023-11-14T08:53:26","date_gmt":"2023-11-14T11:53:26","guid":{"rendered":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/?p=24337"},"modified":"2023-11-28T14:22:33","modified_gmt":"2023-11-28T17:22:33","slug":"plantas-podem-ser-canibais-pesquisadores-descobrem-pinus-que-se-alimentam-de-arvores-mortas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/plantas-podem-ser-canibais-pesquisadores-descobrem-pinus-que-se-alimentam-de-arvores-mortas\/","title":{"rendered":"&#8220;Fitocanibalismo&#8221;? Pesquisadores descrevem como p\u00ednus se &#8220;alimenta&#8221; de \u00e1rvores que ficam de p\u00e9 por anos ap\u00f3s a morte"},"content":{"rendered":"<p>Em meio a uma planta\u00e7\u00e3o <span data-contrast=\"auto\">de p\u00ednus (<em>Pinus herrerae<\/em>) <\/span>em solo pouco f\u00e9rtil, na regi\u00e3o de Jaguaria\u00edva &#8211; nordeste do Paran\u00e1-, a natureza revela uma estrat\u00e9gia engenhosa de sobreviv\u00eancia. Enfrentando as dificuldades impostas, as \u00e1rvores buscam atalhos para a obten\u00e7\u00e3o de nutrientes e suas ra\u00edzes crescem em troncos de pinheiros em decomposi\u00e7\u00e3o que, devido \u00e0s condi\u00e7\u00f5es do ambiente florestal, permanecem em p\u00e9 por anos.<\/p>\n<p>A baixa fertilidade do solo enfraquece as plantas e provoca rachaduras e lascas em seus troncos, proporcionando uma oportunidade conveniente para as \u00e1rvores vizinhas. Quando suas companheiras sucumbem \u00e0 morte, as ra\u00edzes das plantas sobreviventes se estendem, desafiando a gravidade ao envolver os troncos em decomposi\u00e7\u00e3o, criando um cen\u00e1rio batizado pelos cientistas de &#8220;fitocanibalismo&#8221; e uma evidente adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 adversidade ambiental.<\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">A ocorr\u00eancia foi descrita por pesquisadores da P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias do Solo da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) e <\/span><a href=\"https:\/\/fs.revistas.csic.es\/index.php\/fs\/article\/view\/19715\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span data-contrast=\"none\">publicada no peri\u00f3dico cient\u00edfico <\/span><i><span data-contrast=\"none\">Forest Systems<\/span><\/i><\/a><span data-contrast=\"auto\">.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:259}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h2>Capacidade cognitiva das plantas \u00e9 ampliada em situa\u00e7\u00f5es e ambientes desafiadores<\/h2>\n<p><span data-contrast=\"auto\">As pesquisas cient\u00edficas t\u00eam demonstrado, cada vez mais, a capacidade cognitiva das plantas. Estudos recentes j\u00e1 revelaram que vegetais se <\/span><a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1111\/ele.12205\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span data-contrast=\"none\">comunicam<\/span><\/a><span data-contrast=\"auto\"> entre si, <\/span><a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1111\/ele.12215\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span data-contrast=\"none\">manipulam esp\u00e9cies<\/span><\/a><span data-contrast=\"auto\"> da fauna, <\/span><a href=\"https:\/\/royalsocietypublishing.org\/doi\/full\/10.1098\/rsbl.2007.0232\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span data-contrast=\"none\">reconhecem membros da sua fam\u00edlia<\/span><\/a><span data-contrast=\"auto\"> e s\u00e3o capazes de fazer escolhas. Esses comportamentos fazem parte das estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia das plantas, que se ajustam a condi\u00e7\u00f5es ambientais extremas e definem as melhores op\u00e7\u00f5es para sua conserva\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:259}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">O estudo da UFPR foi mais um a constatar o poder de adapta\u00e7\u00e3o desses organismos, descrevendo a habilidade de colonizar troncos ainda em p\u00e9 de \u00e1rvores mortas para obter nutrientes. O fen\u00f4meno funciona como um atalho no ciclo biogeoqu\u00edmico de nutrientes em sistemas florestais, isto \u00e9, no processo de circula\u00e7\u00e3o dos elementos no ambiente para promover seu reaproveitamento. <\/span><\/p>\n<h5><b>GALERIA<\/b><span style=\"color: #8eaebd;\"> <b>|<\/b><\/span> Veja imagens das ra\u00edzes de p\u00ednus explorando troncos em p\u00e9 de \u00e1rvores mortas<br \/>\n<\/h5>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Em ambientes florestais, as folhas de \u00e1rvores caem sobre o solo e se acumulam, formando uma camada denominada serapilheira (ou serrapilheira), um estrato de mat\u00e9ria org\u00e2nica de origem vegetal e animal que se concentra sobre a superf\u00edcie do solo. <\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Nesses ecossistemas, \u00e9 comum que ra\u00edzes de \u00e1rvores colonizem a serapilheira para obter nutrientes, mas as ra\u00edzes tamb\u00e9m s\u00e3o capazes de penetrar fendas de rochas, crescer em solos arenosos, expandir-se lateralmente para explorar o solo ao redor e at\u00e9 invadir o sistema de esgoto, em ambientes urbanos, \u00e0 procura de \u00e1gua e de nutrientes, mantendo as plantas vivas nas condi\u00e7\u00f5es menos prov\u00e1veis de sobreviv\u00eancia.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:259}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/info-queda-de-residuos-840x960-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-24373\" src=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/info-queda-de-residuos-840x960-1.jpg\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"960\" srcset=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/info-queda-de-residuos-840x960-1.jpg 840w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/info-queda-de-residuos-840x960-1-263x300.jpg 263w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/info-queda-de-residuos-840x960-1-768x878.jpg 768w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/info-queda-de-residuos-840x960-1-150x171.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Como as florestas s\u00e3o formadas por \u00e1rvores que crescem lado a lado, isso diminui a a\u00e7\u00e3o dos ventos e propicia que, mesmo quando mortas, elas permane\u00e7am por diversos anos em p\u00e9, antes de cair devido ao apodrecimento da base. <\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">De acordo com o orientador do estudo, professor Antonio Carlos Motta, na floresta de p\u00ednus analisada, algumas plantas morreram em fun\u00e7\u00e3o da baixa fertilidade do solo, tamb\u00e9m respons\u00e1vel por ter deixado elas mais fracas e mais sens\u00edveis aos ataques de pragas e a doen\u00e7as em geral. <\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">\u201cAssim, essas \u00e1rvores apresentavam pequenas rachaduras na base que, com o passar do tempo, fizeram com que a casca se desprendesse do lenho, criando um pequeno espa\u00e7o entre lenho e casca. As ra\u00edzes que estavam na serapilheira aproveitaram as rachaduras na base da planta para entrar e expandir entre o lenho e casca, colonizando esse espa\u00e7o. Antes mesmo de a planta cair sobre o solo, as ra\u00edzes em volta j\u00e1 come\u00e7aram a explorar os nutrientes das \u00e1rvores mortas\u201d, disse ele \u00e0 <em>Ci\u00eancia UFPR<\/em>.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:259}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h2>Ra\u00edzes que colonizaram \u00e1rvores mortas cresceram metros acima da superf\u00edcie do solo<\/h2>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Ao invadir esse espa\u00e7o, as ra\u00edzes cresceram criando um emaranhado que encobre o tronco morto, mas que ainda se mant\u00e9m em p\u00e9. <\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">\u201cA an\u00e1lise qu\u00edmica dos troncos e das cascas das \u00e1rvores mortas indicou que as ra\u00edzes das \u00e1rvores vivas se aproveitam dos nutrientes liberados dos tecidos em decomposi\u00e7\u00e3o. Os solos, naturalmente muito pobres na regi\u00e3o, fazem com que as ra\u00edzes de p\u00ednus explorem cada oportunidade de obter nutrientes\u201d, descreve\u00a0 Julierme Zimmer Barbosa, estudante de doutorado na \u00e9poca da descoberta e um dos autores da publica\u00e7\u00e3o<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:259}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">O artigo revela que ap\u00f3s oito anos e meio da morte das \u00e1rvores vizinhas, as ra\u00edzes das plantas adjacentes atingiram mais de tr\u00eas metros acima da superf\u00edcie da serapilheira, ou seja, cresceram contra a gravidade, o que \u00e9 considerado uma vantagem adaptativa, j\u00e1 que a camada superficial cont\u00e9m maiores quantidades de nutrientes, devido \u00e0 decomposi\u00e7\u00e3o e \u00e0 mineraliza\u00e7\u00e3o de res\u00edduos org\u00e2nicos.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:1,&quot;335551620&quot;:1,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:259}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">\u201cA supercapacidade de crescimento de ra\u00edzes de p\u00ednus em busca de nutrientes vai muito al\u00e9m do que conhec\u00edamos. Isso pode ser interpretado como um indicador de alta efici\u00eancia de aproveitamento de nutrientes em sistemas florestais com essa esp\u00e9cie\u201d, avalia Barbosa.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:1,&quot;335551620&quot;:1,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:259}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Para os pesquisadores, o estudo amplia o conhecimento acerca da habilidade de crescimento radicular do p\u00ednus em ambientes sem solo e abre novas possibilidades de pesquisa sobre a ciclagem de nutrientes em ecossistemas florestais. Novos estudos ainda poder\u00e3o avaliar como as varia\u00e7\u00f5es do s\u00edtio florestal afetam o \u201cfitocanibalismo\u201d no p\u00ednus e se existem outras esp\u00e9cies com a mesma capacidade.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:1,&quot;335551620&quot;:1,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:259}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h5 style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u2795 Leia detalhes no artigo &#8220;<a href=\"https:\/\/fs.revistas.csic.es\/index.php\/fs\/article\/view\/19715\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pine root exploration of standing dead tree trunks: a short-cut biocycling process<\/a><\/span><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;, publicado no peri\u00f3dico <em>Forest Systems<\/em>.<\/span><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: right;\">\u00a0Edi\u00e7\u00e3o: J\u00e9ssica Tokarski<br \/>\n<em>Texto editado em 20\/11\/2023.<\/em><\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio a uma planta\u00e7\u00e3o de p\u00ednus (Pinus herrerae) em solo pouco f\u00e9rtil, na regi\u00e3o de Jaguaria\u00edva &#8211; nordeste do&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2805,"featured_media":24355,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":"","fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false},"categories":[1619,1622,2186,1612,2202],"tags":[2243,2396,1654,2393,2353,2391,2397,1748,2392,2394,2395,2398],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v23.5 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>&quot;Fitocanibalismo&quot;? Pesquisadores descrevem como p\u00ednus se &quot;alimenta&quot; de \u00e1rvores que ficam de p\u00e9 por anos ap\u00f3s a morte - Ci\u00eancia UFPR<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Batizado de fitocanibalismo, fen\u00f4meno raro foi identificado em uma planta\u00e7\u00e3o de pinheiros na regi\u00e3o dos Campos Gerais, no Paran\u00e1.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/plantas-podem-ser-canibais-pesquisadores-descobrem-pinus-que-se-alimentam-de-arvores-mortas\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"&quot;Fitocanibalismo&quot;? 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