{"id":20507,"date":"2021-08-11T09:13:40","date_gmt":"2021-08-11T12:13:40","guid":{"rendered":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/?p=20507"},"modified":"2021-11-19T18:23:19","modified_gmt":"2021-11-19T21:23:19","slug":"ainda-dificil-no-brasil-diagnostico-da-doenca-renal-cronica-pode-ganhar-teste-rapido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/ainda-dificil-no-brasil-diagnostico-da-doenca-renal-cronica-pode-ganhar-teste-rapido\/","title":{"rendered":"Ainda dif\u00edcil no Brasil, diagn\u00f3stico da doen\u00e7a renal cr\u00f4nica pode ganhar teste r\u00e1pido"},"content":{"rendered":"<p>O prot\u00f3tipo de um teste r\u00e1pido que identifica a quantidade de toxinas ur\u00eamicas circulando no organismo de pacientes com doen\u00e7a renal cr\u00f4nica est\u00e1 em desenvolvimento por pesquisadores do Departamento de Patologia B\u00e1sica da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR). A tecnologia \u00e9 importante para verificar precocemente o estadiamento, ou seja, o grau de dissemina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a e para subsidiar informa\u00e7\u00f5es para tratamentos adequados.<\/p>\n<p>A doen\u00e7a renal cr\u00f4nica causa a perda gradual da fun\u00e7\u00e3o renal ao longo tempo e \u00e9 respons\u00e1vel por milh\u00f5es de mortes todos os anos. No Brasil, <a href=\"https:\/\/arquivos.sbn.org.br\/pdf\/release.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">existem ind\u00edcios de subnotifica\u00e7\u00e3o de diagn\u00f3stico<\/a>, porque a preval\u00eancia da doen\u00e7a renal cr\u00f4nica, de 50 a cada 100 mil habitantes, \u00e9 inferior a de pa\u00edses como o Jap\u00e3o (205 por 100 mil). Isso pode significar um contingente grande de brasileiros que morrem sem acesso a tratamento.<\/p>\n<p>Segundo o <a href=\"https:\/\/www.bjnephrology.org\/en\/article\/censo-brasileiro-de-dialise-analise-de-dados-da-decada-2009-2018\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00faltimo censo da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN)<\/a>, com dados de 2018, a estimativa era de que mais de 133 mil estavam em tratamento de di\u00e1lise. A taxa de mortalidade anual desse grupo de pacientes foi calculada em cerca de 20% e havia quase 30 mil pessoas na fila de espera por um transplante de rim, o que representa 22% da lista.<\/p>\n<p>Os rins dos pacientes com doen\u00e7a renal cr\u00f4nica perdem a capacidade de filtrar toxinas que deveriam ser naturalmente eliminadas pelo organismo. O ac\u00famulo de toxinas ur\u00eamicas na circula\u00e7\u00e3o pode levar a quadros inflamat\u00f3rios e, por isso, quanto mais r\u00e1pido se tem conhecimento sobre os n\u00edveis circulantes desses componentes, mais breve \u00e9 poss\u00edvel iniciar o tratamento e tentar impedir o avan\u00e7o de est\u00e1gio da doen\u00e7a.<\/p>\n<figure id=\"attachment_20516\" aria-describedby=\"caption-attachment-20516\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/photo4927022732504312183-e1628661650665.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-20516\" src=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/photo4927022732504312183-e1628661650665-1024x672.jpg\" alt=\"\" width=\"810\" height=\"532\" srcset=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/photo4927022732504312183-e1628661650665-1024x672.jpg 1024w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/photo4927022732504312183-e1628661650665-300x197.jpg 300w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/photo4927022732504312183-e1628661650665-768x504.jpg 768w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/photo4927022732504312183-e1628661650665.jpg 1094w\" sizes=\"(max-width: 810px) 100vw, 810px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-20516\" class=\"wp-caption-text\">O biossensor imobilizado em nanopart\u00edculas de ouro forma um complexo que gera o risquinho de &#8220;positivo&#8221; no teste. Foto: DPAT\/UFPR<\/figcaption><\/figure>\n<p>Pensando nisso, cientistas resolveram combinar as especialidades de dois grupos de pesquisa, aliando o estudo e a caracteriza\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a renal cr\u00f4nica \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de biossensores para o desenvolvimento de um teste r\u00e1pido, semelhante aos testes de gravidez encontrados em farm\u00e1cia, que possibilite o monitoramento da doen\u00e7a em pacientes j\u00e1 diagnosticados ou que, por terem casos na fam\u00edlia ou comorbidades, como diabetes e hipertens\u00e3o, possam desenvolver a condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A professora do Departamento de Patologia B\u00e1sica Andr\u00e9a Stinghen pesquisa toxicidade ur\u00eamica e explica que \u00e9 poss\u00edvel dosar, no sangue dos pacientes, produtos finais da glica\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada (AGEs \u2014 do ingl\u00eas, Advanced Glycation End-products), um tipo de toxina ur\u00eamica ligada \u00e0 prote\u00edna que requer aten\u00e7\u00e3o especial, pois pode ser respons\u00e1vel por eventos intracelulares, como estresse oxidativo e inflama\u00e7\u00e3o, levando a complica\u00e7\u00f5es cardiovasculares.<\/p>\n<blockquote><p>Na doen\u00e7a renal cr\u00f4nica, o n\u00edvel de AGEs \u00e9 significativamente aumentado n\u00e3o apenas por causa da elevada produ\u00e7\u00e3o dessa toxina, mas pela diminui\u00e7\u00e3o da elimina\u00e7\u00e3o pelo organismo.<\/p><\/blockquote>\n<p>\u201cConsiderando a import\u00e2ncia das condi\u00e7\u00f5es relacionadas ao aumento dos AGEs circulantes, a detec\u00e7\u00e3o, a quantifica\u00e7\u00e3o e a compreens\u00e3o dos efeitos citot\u00f3xicos desses componentes s\u00e3o importantes na tentativa de desenvolver novas estrat\u00e9gias terap\u00eauticas, visando diagnosticar precocemente a doen\u00e7a e melhorar a qualidade de vida dos pacientes\u201d, revela Andr\u00e9a.<\/p>\n<p>Em 2016, a professora de Imunologia Larissa Magalh\u00e3es Alvarenga \u2013 tamb\u00e9m do Departamento de Patologia B\u00e1sica \u2013, juntamente com colegas e orientandos, desenvolveu um <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S2405580816300322?via%3Dihub\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">biossensor capaz de detectar uma subst\u00e2ncia denominada albumina glicada<\/a>, que \u00e9 um tipo de AGE. Na \u00e9poca, por meio do Teste de Elisa (teste sorol\u00f3gico imunoenzim\u00e1tico), foi poss\u00edvel analisar amostras de pacientes que estavam em diferentes est\u00e1gios da doen\u00e7a. Agora, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 aprimorar essa tecnologia para desenvolver um teste r\u00e1pido semiquantitativo que possa ser escalonado.<\/p>\n<h2><strong>Plataforma torna o teste r\u00e1pido e simples<\/strong><\/h2>\n<p><a href=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/DCR-infografico-1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-20553\" src=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/DCR-infografico-1.png\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"1250\" srcset=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/DCR-infografico-1.png 800w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/DCR-infografico-1-120x300.png 120w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/DCR-infografico-1-410x1024.png 410w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/DCR-infografico-1-768x1920.png 768w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/DCR-infografico-1-614x1536.png 614w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a>O biossensor \u00e9 um anticorpo monoclonal, ou seja, prote\u00edna fabricada em laborat\u00f3rio a partir de c\u00e9lulas vivas e pode ser imobilizado em uma estrutura semelhante \u00e0 do teste de gravidez, constituindo um teste r\u00e1pido de fluxo lateral. O m\u00e9todo \u00e9 destinado a detectar a presen\u00e7a de uma subst\u00e2ncia alvo em uma amostra l\u00edquida sem a necessidade de equipamentos especializados e dispendiosos.<\/p>\n<p>Atualmente, os pesquisadores est\u00e3o funcionalizando o biossensor para torn\u00e1-lo o mais sens\u00edvel e est\u00e1vel poss\u00edvel. De acordo com Larissa, o anticorpo monoclonal deve ser imobilizado em nanopart\u00edculas de ouro para que a plataforma do teste seja eficiente. \u201cA nanopart\u00edcula de ouro ligada ao anticorpo forma um complexo que gera aquela cor, aquele risquinho que vemos como sinal de positivo no teste\u201d. Ela comenta que \u00e9 necess\u00e1rio mostrar que essa engenharia \u00e9 est\u00e1vel em diferentes temperaturas e ao longo do tempo e que essa etapa dura bastante tempo.<\/p>\n<p>\u201cEm seguida, provavelmente em 2022, pretendemos testar amostras sorol\u00f3gicas de pacientes renais cr\u00f4nicos para saber se nosso teste vai funcionar efetivamente. Estimamos que, ao final dos dois anos que est\u00e3o previstos para a realiza\u00e7\u00e3o desse projeto, consigamos um prot\u00f3tipo do teste r\u00e1pido\u201d, afirma a pesquisadora que pretende patentear a tecnologia. Entretanto, a explora\u00e7\u00e3o comercial dessa patente \u00e9 outro trabalho, que ainda deve demorar a acontecer.<\/p>\n<h2><strong>Capacitar para alcan\u00e7ar independ\u00eancia tecnol\u00f3gica<\/strong><\/h2>\n<p>Os cientistas envolvidos na pesquisa salientam que o processo n\u00e3o \u00e9 importante apenas porque deve gerar um produto comercial, mas pela forma\u00e7\u00e3o de profissionais qualificados, capazes de se inserirem no mercado de trabalho e resolverem problemas de diferentes complexidades. \u201cExiste uma emerg\u00eancia por forma\u00e7\u00e3o de pessoas qualificadas e essa \u00e9 uma das nossas prioridades\u201d, assegura Larissa.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o de profissionais qualificados \u00e9 uma das principais estrat\u00e9gias para tornar o Brasil cada vez mais independente em termos de produ\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. Problemas causados por essa depend\u00eancia est\u00e3o sendo observados ao longo da pandemia de covid-19, que obrigou o pa\u00eds a importar tecnologias estrangeiras para itens essenciais ao combate da doen\u00e7a, como testes e vacinas.<\/p>\n<blockquote class=\"alignright\"><p>&#8220;Formar profissionais que possam produzir\u00a0 diferentes biossensores e testes \u00e9 uma necessidade imediata. Temos condi\u00e7\u00f5es de fazer no Brasil. Obviamente requer investimento, mas requer tamb\u00e9m m\u00e3o de obra especializada capaz de fazer e de propor ideias.<\/p>\n<footer><cite>Larissa Alvarenga, professora do Departamento de Patologia B\u00e1sica da UFPR<\/cite><\/footer>\n<\/blockquote>\n<p>A professora de Imunologia destaca que o valor pago pela popula\u00e7\u00e3o e pelo governo nos testes r\u00e1pidos que identificam o coronav\u00edrus, por exemplo, \u00e9 absurdamente alto porque o Brasil sofre com a car\u00eancia de m\u00e3o de obra qualificada, al\u00e9m da falta de investimento adequado na \u00e1rea da ci\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel pagarmos t\u00e3o caro por testes cujos valores de custo s\u00e3o infinitamente menores. Formar profissionais que possam produzir diferentes biossensores e testes de diagn\u00f3stico \u00e9 uma necessidade imediata. Temos condi\u00e7\u00f5es de fazer no Brasil. Obviamente requer investimento, mas requer tamb\u00e9m m\u00e3o de obra especializada capaz de fazer e de propor ideias. Com dificuldade estamos caminhando para isso, mas sabemos que \u00e9 um caminho longo a ser trilhado\u201d, finaliza.<\/p>\n<h2><strong>Projeto aprovado em edital de pesquisa para o SUS<\/strong><\/h2>\n<p>O projeto \u201cProdu\u00e7\u00e3o de um teste r\u00e1pido e semiquantitativo de AGEs, para o monitoramento da Doen\u00e7a Renal Cr\u00f4nica\u201d foi aprovado <a href=\"https:\/\/www.ufpr.br\/portalufpr\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/PPSUS_resultadofinal.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no Programa Pesquisa para o SUS: Gest\u00e3o Compartilhada em Sa\u00fade (PPSUS) Edi\u00e7\u00e3o 2020\/2021<\/a>, da Funda\u00e7\u00e3o Arauc\u00e1ria, e deve receber um incentivo de R$ 36 mil.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da coordenadora Larissa e da professora Andr\u00e9a, participam da pesquisa a professora, tamb\u00e9m do Departamento de Patologia B\u00e1sica da UFPR, Juliana Moura e a mestranda J\u00e9ssica Camargo, do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Microbiologia, Parasitologia e Patologia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O prot\u00f3tipo de um teste r\u00e1pido que identifica a quantidade de toxinas ur\u00eamicas circulando no organismo de pacientes com doen\u00e7a&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2805,"featured_media":20534,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":"","fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false},"categories":[1608,1620,1,1610,1613],"tags":[1976,2002,2001,1998,2003,2000,1999,1688,1958],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v23.5 - 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