{"id":20052,"date":"2021-06-15T11:00:13","date_gmt":"2021-06-15T14:00:13","guid":{"rendered":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/?p=20052"},"modified":"2024-02-09T17:11:45","modified_gmt":"2024-02-09T20:11:45","slug":"metodo-melhora-previsao-de-chuvas-no-brasil-para-periodo-que-desafia-meteorologistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/metodo-melhora-previsao-de-chuvas-no-brasil-para-periodo-que-desafia-meteorologistas\/","title":{"rendered":"Como novo m\u00e9todo melhora a previs\u00e3o de chuvas no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Sempre ouvimos falar da import\u00e2ncia das mon\u00e7\u00f5es para alguns pa\u00edses asi\u00e1ticos, ao criar duas esta\u00e7\u00f5es bem definidas, uma seca e outra chuvosa. O fen\u00f4meno, em termos bem simplificados, ocorre porque no ver\u00e3o o aquecimento mais r\u00e1pido do continente causa a eleva\u00e7\u00e3o do ar quente que assim cria uma zona de menor press\u00e3o para onde sopra o vento, trazendo o ar \u00famido dos oceanos, durante o inverno o processo se inverte marcando a esta\u00e7\u00e3o seca.<\/p>\n<p>Mais recentemente, os crit\u00e9rios de classifica\u00e7\u00e3o das mon\u00e7\u00f5es se modernizaram, o conceito cl\u00e1ssico levava em conta principalmente a revers\u00e3o de dire\u00e7\u00e3o dos ventos superficiais. Os novos crit\u00e9rios consideram a mudan\u00e7a de dire\u00e7\u00e3o dos ventos, a forma\u00e7\u00e3o de esta\u00e7\u00f5es chuvosas e secas bem definidas (ver\u00e3o \u00famido e inverno seco) e a varia\u00e7\u00e3o do \u00edndice pluviom\u00e9trico.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno pode ser assim identificado tamb\u00e9m na Am\u00e9rica do Sul, atingindo praticamente todo o territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Revista Ci\u00eancia UFPR: Mon\u00e7\u00f5es\" width=\"810\" height=\"456\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Qjis5iFYy48?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Edi\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo: J\u00e9ssica Tokarski<\/h6>\n<p>Segundo a pesquisadora de meteorologia, Alice Grimm, professora do Departamento de F\u00edsica da UFPR, a intensidade das mon\u00e7\u00f5es no Brasil pode ser comparada com a da \u00cdndia. Grimm tem se dedicado a entender como as mon\u00e7\u00f5es acontecem em nosso continente e sua intera\u00e7\u00e3o com outros fen\u00f4menos clim\u00e1ticos para melhorar a precis\u00e3o e a anteced\u00eancia da previs\u00e3o com que ocorrem.<\/p>\n<p>A pesquisadora explica que \u201ca melhoria da previs\u00e3o na esta\u00e7\u00e3o chuvosa \u00e9 de extrema import\u00e2ncia, assim como \u00e9 importante o aumento da anteced\u00eancia das previs\u00f5es (previs\u00e3o subssazonal), pois permitem melhor planejamento das atividades em diversos setores da sociedade tais como agricultura, gerenciamento de recursos h\u00eddricos, produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica, turismo, defesa civil, entre outros, com semanas de anteced\u00eancia\u201d.<\/p>\n<h2>Intervalo entre previs\u00e3o clim\u00e1tica e do tempo cria per\u00edodo de &#8216;vazio&#8217; na previs\u00e3o<\/h2>\n<figure id=\"attachment_20058\" aria-describedby=\"caption-attachment-20058\" style=\"width: 360px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/monsoon_pattern_rt-NASA.gif\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-20058\" src=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/monsoon_pattern_rt-NASA.gif\" alt=\"\" width=\"360\" height=\"379\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-20058\" class=\"wp-caption-text\">Imagem mostra a diferen\u00e7a da dire\u00e7\u00e3o dos ventos em Janeiro e Julho na Am\u00e9rica do Sul, marcando a cria\u00e7\u00e3o de esta\u00e7\u00f5es chuvosas no ver\u00e3o e seca no inverno, no Brasil. Mapa: Ag\u00eancia Espacial Americana<\/figcaption><\/figure>\n<p>Para entender a quest\u00e3o da previs\u00e3o \u00e9 fundamental entender as diferen\u00e7as entre tempo e clima. Tempo \u00e9 o estado da atmosfera num dado local e num dado instante ou curto intervalo. J\u00e1 o clima constitui toda a informa\u00e7\u00e3o estat\u00edstica sobre o tempo (m\u00e9dias, variabilidade e demais comportamentos estat\u00edsticos de par\u00e2metros meteorol\u00f3gicos num intervalo maior).<\/p>\n<p>&#8220;Portanto, a previs\u00e3o do tempo prev\u00ea o estado da atmosfera (vento, precipita\u00e7\u00e3o, temperatura, press\u00e3o, umidade, etc.) em determinada data, que atualmente s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel at\u00e9 um limite de 2 semanas. A confiabilidade das previs\u00f5es \u00e9 praticamente 100% em 24 horas, chegando a 70% com 5 dias de anteced\u00eancia\u201d, diz Grimm.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora ainda \u00e9 imposs\u00edvel fazer uma previs\u00e3o precisa de tempo com meses de anteced\u00eancia, embora seja poss\u00edvel prever mudan\u00e7as significativas com anteced\u00eancia de cerca de 10 a 15 dias. Tal limita\u00e7\u00e3o deve-se em parte \u00e0 necessidade de mais conhecimento sobre os fen\u00f4menos atmosf\u00e9ricos e como represent\u00e1-los, mas, como coloca Grimm, a maior limita\u00e7\u00e3o decorre do componente ca\u00f3tico da atmosfera.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEdward Lorenz, pioneiro da teoria matem\u00e1tica do caos, trabalhava em Meteorologia e demonstrou, em 1965, que a previsibilidade atmosf\u00e9rica possui um limite te\u00f3rico de duas semanas\u201d, salienta.<\/p><\/blockquote>\n<p>J\u00e1 no caso da previs\u00e3o clim\u00e1tica a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 outra, pois deriva principalmente da previsibilidade de outros fatores.<\/p>\n<p>\u201cCondi\u00e7\u00f5es de contorno, sobretudo da temperatura da superf\u00edcie do mar e da sua grande influ\u00eancia nas condi\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas futuras, ou seja, a variabilidade clim\u00e1tica sazonal \u00e9 controlada principalmente pelas lentas varia\u00e7\u00f5es das temperaturas dos oceanos. Portanto, \u00e9 poss\u00edvel fazer com precis\u00e3o \u00fatil (60% ou mais, ou seja, melhor que os 50% do &#8220;cara ou coroa&#8221;) uma previs\u00e3o das caracter\u00edsticas estat\u00edsticas da pr\u00f3xima esta\u00e7\u00e3o\u201d, explica a pesquisadora.<\/p>\n<p>A previs\u00e3o clim\u00e1tica depende assim de fen\u00f4menos de mais longa dura\u00e7\u00e3o, como as varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, tamb\u00e9m conhecidas como oscila\u00e7\u00f5es. Dois desses fen\u00f4menos, que ocorrem no oceano Pac\u00edfico, j\u00e1 s\u00e3o bem conhecidos no Brasil: El Ni\u00f1o e La Ni\u00f1a, mas existem outros. Grimm destaca a import\u00e2ncia de conhecer os efeitos de cada uma dessas oscila\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m de seus efeitos combinados em cada regi\u00e3o para as previs\u00f5es.<\/p>\n<p>A previs\u00e3o clim\u00e1tica ajuda a complementar os dados dos modelos que fazem a previs\u00e3o do tempo, mas existe uma esp\u00e9cie de buraco nestas previs\u00f5es, que deve ser preenchido pelo que os especialistas chamam de previs\u00e3o subssazonal, que ainda s\u00e3o pouco precisas.<\/p>\n<p>\u201cPode-se ver que h\u00e1 previs\u00e3o de tempo muito boa at\u00e9 uma semana e previs\u00e3o clim\u00e1tica sazonal, para anteced\u00eancia de 1 m\u00eas ou mais, para prever caracter\u00edsticas estat\u00edsticas do tempo durante uma esta\u00e7\u00e3o. Portanto, v\u00ea-se que existe um \u2018vazio\u2019 de previs\u00e3o entre a previs\u00e3o de tempo e a previs\u00e3o clim\u00e1tica sazonal, que deveria ser preenchido pela previs\u00e3o subssazonal. Previs\u00f5es subssazonais com anteced\u00eancia de 2 ou mais semanas usam geralmente m\u00e9dias semanais de previs\u00e3o do tempo\u201d, explica.<\/p>\n<h2>Informa\u00e7\u00f5es das mon\u00e7\u00f5es, OMJ e \u00edndices de circula\u00e7\u00e3o ajudaram a melhorar previs\u00e3o<\/h2>\n<figure id=\"attachment_20060\" aria-describedby=\"caption-attachment-20060\" style=\"width: 360px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/imagem_2021-06-10_051803.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-20060\" src=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/imagem_2021-06-10_051803.png\" alt=\"\" width=\"360\" height=\"501\" srcset=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/imagem_2021-06-10_051803.png 577w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/imagem_2021-06-10_051803-216x300.png 216w\" sizes=\"(max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-20060\" class=\"wp-caption-text\">Mon\u00e7\u00f5es (\u00e1rea demarcada em vermelho) atinge quase todo o territ\u00f3rio brasileiro. Gr\u00e1fico: Alice Grimm (2011).<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na busca de preencher este buraco na previs\u00e3o, um outro fen\u00f4meno, de dura\u00e7\u00e3o um pouco mais curta, que tamb\u00e9m ocorre no Pac\u00edfico, acabou por indicar uma sa\u00edda, a Oscila\u00e7\u00e3o de Madden-Julian (OMJ). A equipe de Grimm estudou as intera\u00e7\u00f5es do fen\u00f4meno com as mon\u00e7\u00f5es na Am\u00e9rica do Sul, o que permitiu melhorar sensivelmente as previs\u00f5es para este per\u00edodo.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, \u201cos resultados mostram a possibilidade de previs\u00e3o da precipita\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o n\u00facleo da mon\u00e7\u00e3o com 3 semanas de anteced\u00eancia, a partir da previs\u00e3o de um \u00edndice de circula\u00e7\u00e3o\u201d. Os resultados foram publicados em um <a href=\"https:\/\/rdcu.be\/cesUQ\">artigo no peri\u00f3dico Climate Dynamics<\/a>, um dos mais importantes da \u00e1rea.<\/p>\n<p>A influ\u00eancia da OMJ tamb\u00e9m ficou expl\u00edcita. \u201cNo Sudeste, por exemplo, algumas fases desta oscila\u00e7\u00e3o podem aumentar em m\u00e9dia a chuva di\u00e1ria durante a esta\u00e7\u00e3o chuvosa (ver\u00e3o) em mais de 30% da m\u00e9dia climatol\u00f3gica e mais do que dobra o risco de eventos extremos de chuva. Imagine-se o impacto em regi\u00f5es com riscos de enchentes e deslizamentos!\u201d, alerta Grimm, que publicou os resultados em <a href=\"https:\/\/rdcu.be\/bhDbx\">outro artigo no mesmo peri\u00f3dico<\/a>.<\/p>\n<p>No <a href=\"https:\/\/rdcu.be\/cesUQ\">artigo<\/a> com os resultados do estudo sobre previs\u00e3o da mon\u00e7\u00e3o,\u00a0Grimm tamb\u00e9m apresentou os resultados da an\u00e1lise de dois dos principais modelos de previs\u00e3o utilizados no mundo o do European Centre for Medium-Range Weather Forecasts (ECMWF), da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, e o do National Centers for Environmental Prediction (NCEP), dos Estados Unidos, buscando avaliar a precis\u00e3o de cada um deles e a rela\u00e7\u00e3o com a OMJ.<\/p>\n<blockquote class=\"alignright\"><p>&#8220;No Sudeste, por exemplo, algumas fases desta oscila\u00e7\u00e3o podem aumentar em m\u00e9dia a chuva di\u00e1ria durante a esta\u00e7\u00e3o chuvosa (ver\u00e3o) em mais de 30% da m\u00e9dia climatol\u00f3gica e mais do que dobra o risco de eventos extremos de chuva. Imagine-se o impacto em regi\u00f5es com riscos de enchentes e deslizamentos!&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<footer>\n<blockquote class=\"alignright\">\n<footer><cite>Alice Grimm, professora do Departamento de F\u00edsica da UFPR<\/cite><\/footer>\n<\/blockquote>\n<p>Segundo Grimm, a an\u00e1lise mostrou que os modelos apresentaram uma boa precis\u00e3o na previs\u00e3o dos per\u00edodos de chuva e seca, mas o mais importante e um dos principais objetivos da pesquisa era estabelecer como estes modelos representam a distribui\u00e7\u00e3o de chuvas dentro da esta\u00e7\u00e3o chuvosa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a pesquisadora se prop\u00f4s a entender como a OMJ ajuda a produzir estas \u00e9pocas de seca e chuva, e como a influ\u00eancia deste evento clim\u00e1tico apareceria dentro destes modelos. Isso permitiu verificar a qualidade das previs\u00f5es.<\/p>\n<\/footer>\n<p>\u201cEmbora os modelos reproduzam aproximadamente a distribui\u00e7\u00e3o de \u00e9pocas secas e chuvosas na esta\u00e7\u00e3o chuvosa associada a cada fase da OMJ, eles produzem uma pequena defasagem nesta distribui\u00e7\u00e3o, o que significa que preveem os impactos da fase da OMJ que mais afeta o Brasil de forma um pouco adiantada, talvez porque os modelos estabele\u00e7am teleconex\u00f5es atmosf\u00e9ricas um pouco mais r\u00e1pidas entre a OMJ e a circula\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica no Brasil\u201d, explica a pesquisadora.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 qualidade das previs\u00f5es a professora explica que \u201cos modelos tiveram bom desempenho de previs\u00e3o at\u00e9 a segunda semana de anteced\u00eancia, tanto para um \u00edndice de chuva como para um \u00edndice de circula\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica. Na terceira semana, o ECMWF ainda apresentou desempenho \u00fatil para o \u00edndice de circula\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 um bom resultado\u201d.<\/p>\n<h2>M\u00e9todo abre caminho para melhorias futuras ao identificar fatores que afetam os modelos de previs\u00e3o<\/h2>\n<p>A circula\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica \u00e9 a movimenta\u00e7\u00e3o das grandes massas de ar e aparece como uma determinante essencial para a previs\u00e3o do tempo. Em geral, os modelos conseguem prever melhor a circula\u00e7\u00e3o do que a precipita\u00e7\u00e3o. No estudo, por exemplo, um \u00edndice da mon\u00e7\u00e3o baseado na circula\u00e7\u00e3o foi bem previsto com at\u00e9 tr\u00eas semanas de anteced\u00eancia, enquanto um \u00edndice baseado na precipita\u00e7\u00e3o teve boa previs\u00e3o com anteced\u00eancia de at\u00e9 duas semanas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_20062\" aria-describedby=\"caption-attachment-20062\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG-2-monsoon-rain-5280199_1920.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-20062 size-full\" src=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG-2-monsoon-rain-5280199_1920.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG-2-monsoon-rain-5280199_1920.jpg 1920w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG-2-monsoon-rain-5280199_1920-300x200.jpg 300w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG-2-monsoon-rain-5280199_1920-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG-2-monsoon-rain-5280199_1920-768x512.jpg 768w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG-2-monsoon-rain-5280199_1920-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-20062\" class=\"wp-caption-text\">Novo m\u00e9todo tamb\u00e9m permite melhorar previs\u00e3o de eventos extremos como enchentes e deslizamentos em \u00e1reas populosas, nos \u00faltimos anos incidentes deste tipo aconteceram em diversas regi\u00f5es abrangidas pelas mon\u00e7\u00f5es. Na foto, inunda\u00e7\u00e3o na \u00cdndia. Foto: ajaykhadka\/Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cOs processos que produzem precipita\u00e7\u00e3o s\u00e3o de escala temporal e espacial menores que as geralmente poss\u00edveis nos modelos e tem que ser, portanto, parametrizados, ou seja, simulados em fun\u00e7\u00e3o de outros par\u00e2metros, o que \u00e9 uma das maiores fontes de erros\u201d, explica.<\/p>\n<p>Uma solu\u00e7\u00e3o para esta limita\u00e7\u00e3o \u00e9, como explica Grimm, \u201cestabelecer rela\u00e7\u00f5es estat\u00edsticas entre circula\u00e7\u00e3o e precipita\u00e7\u00e3o para cada regi\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A partir disso, a professora avaliou os resultados da rela\u00e7\u00e3o entre circula\u00e7\u00e3o e precipita\u00e7\u00e3o para chegar em uma previs\u00e3o mais precisa para a terceira semana. O que \u00e9 especialmente importante, j\u00e1 que os modelos come\u00e7am a ter resultados ruins para tal anteced\u00eancia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as previs\u00f5es tamb\u00e9m podem ser feitas a partir de dados da OMJ e dessa rela\u00e7\u00e3o entre circula\u00e7\u00e3o e precipita\u00e7\u00e3o, mas elas n\u00e3o se mostraram muito boas nas primeiras semanas, mas sozinhas mostraram-se mais precisas para previs\u00f5es para quatro semanas de anteced\u00eancia.<\/p>\n<blockquote class=\"alignright\"><p>Com os novos m\u00e9todos, ser\u00e1 poss\u00edvel antecipar a previs\u00e3o de chuvas e melhorar sua precis\u00e3o, colaborando para que saibamos com anteced\u00eancias uma s\u00e9rie de dados que afetam diversas atividades econ\u00f4micas, bem como prever poss\u00edveis eventos extremos ligados \u00e0s tempestades e quantidade de chuvas<cite><\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p>\u201cEmbora a OMJ contribua para a oscila\u00e7\u00e3o das chuvas, h\u00e1 outros processos mais r\u00e1pidos que tamb\u00e9m contribuem mais para a variabilidade di\u00e1ria das chuvas, os chamados processos sin\u00f3ticos e os intrassazonais de alta frequ\u00eancia (mais r\u00e1pidos que a OMJ).<\/p>\n<p>Portanto, usando apenas uma rela\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica simples entre a chuva e a OMJ, ela d\u00e1 piores resultados que os modelos analisados at\u00e9 a terceira semana de anteced\u00eancia de previs\u00e3o, pois estes modelos incluem os outros processos. Contudo, a partir da quarta semana de anteced\u00eancia, a previs\u00e3o de oscila\u00e7\u00e3o da chuva feita apenas com a OMJ \u00e9 melhor que a destes modelos, embora a precis\u00e3o j\u00e1 seja baixa em ambos os casos\u201d, explica.<\/p>\n<p>A professora destaca que al\u00e9m da proposta estabelecer m\u00e9todos melhores para fazer previs\u00e3o tamb\u00e9m ajuda a entender melhor as rela\u00e7\u00f5es entre todos esses fen\u00f4menos o que permite melhorar ainda mais essas previs\u00f5es no futuro.<\/p>\n<p>\u201cOs resultados mostram a possibilidade de previs\u00e3o da precipita\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o n\u00facleo da mon\u00e7\u00e3o com 3 semanas de anteced\u00eancia, a partir da previs\u00e3o de um \u00edndice de circula\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disto, mostram poss\u00edveis raz\u00f5es para que o desempenho n\u00e3o seja ainda melhor, para que modeladores possam fazer corre\u00e7\u00f5es e melhorias\u201d, conclui.<\/p>\n<p>Com os novos m\u00e9todos, ser\u00e1 poss\u00edvel antecipar a previs\u00e3o de chuvas e melhorar sua precis\u00e3o, colaborando para que saibamos com anteced\u00eancias uma s\u00e9rie de dados que afetam diversas atividades econ\u00f4micas, bem como prever poss\u00edveis eventos extremos ligados \u00e0s tempestades e quantidade de chuvas, como as enchentes e deslizamentos, que afetaram v\u00e1rias regi\u00f5es na hist\u00f3ria recente do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Alice Grimm foi a pesquisadora da UFPR mais citada do ano de 2019, destacando-se em <a href=\"https:\/\/www.ufpr.br\/portalufpr\/noticias\/cientistas-da-ufpr-estao-entre-os-cem-mil-mais-citados-do-mundo-alice-grimm-e-a-melhor-colocada-entre-os-30-mil\/\">um levantamento feito pela Universidade de Stanford dos Estados Unidos<\/a>, que indicou os 100 mil cientistas mais influentes daquele ano, ocupando a posi\u00e7\u00e3o 26.338. Ela \u00e9, ainda, a representante da Am\u00e9rica do Sul no painel de estudos de mon\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial e lidera o Laborat\u00f3rio de Meteorologia da UFPR, ligado ao Departamento de F\u00edsica da universidade.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u2795 Leia detalhes no artigo <a href=\"https:\/\/rdcu.be\/cesUQ\">Active and break phases of the South American summer monsoon: MJO influence and subseasonal prediction<\/a><\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, publicado no peri\u00f3dico <em>Climate Dynamics<\/em><\/span><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u2795 Leia detalhes no artigo <a href=\"https:\/\/rdcu.be\/bhDbx\">Madden\u2013Julian Oscillation impacts on South American summer monsoon season: precipitation anomalies, extreme events, teleconnections, and role in the MJO cycle<\/a><\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, publicado no peri\u00f3dico <em>Climate Dynamics<\/em><\/span><\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre ouvimos falar da import\u00e2ncia das mon\u00e7\u00f5es para alguns pa\u00edses asi\u00e1ticos, ao criar duas esta\u00e7\u00f5es bem definidas, uma seca e&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2799,"featured_media":21156,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":"","fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false},"categories":[1617,1620,1612,1606,1,1613,1604],"tags":[1976,1954,1642,1778,2230,2229,1641,2231,1957,1956,1955],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v23.5 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Como novo m\u00e9todo melhora a previs\u00e3o de chuvas no Brasil - Ci\u00eancia UFPR<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Intera\u00e7\u00e3o entre mon\u00e7\u00f5es e a Oscila\u00e7\u00e3o Madden-Julian, fen\u00f4meno que acontece no Pac\u00edfico, permitiu antecipar previs\u00e3o de chuvas para at\u00e9 tr\u00eas semanas com precis\u00e3o razo\u00e1vel em quase todo o territ\u00f3rio nacional. 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