{"id":19896,"date":"2021-03-25T20:50:50","date_gmt":"2021-03-25T23:50:50","guid":{"rendered":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/?p=19896"},"modified":"2022-09-23T21:52:24","modified_gmt":"2022-09-24T00:52:24","slug":"nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/","title":{"rendered":"&#8220;N\u00e3o houve enfrentamento \u00e0 pandemia, mas uma esp\u00e9cie de gerenciamento de danos&#8221; | Maria Tarcisa Silva Bega"},"content":{"rendered":"<p>O grupo Grupo de Pesquisa e Extens\u00e3o em Pol\u00edticas Sociais e Desenvolvimento Urbano (PDUR), ligado ao Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o de Sociologia da UFPR, vem investigando as medidas tomadas pelo poder p\u00fablico para conter a pandemia causada pela nova variedade de coronav\u00edrus que atingiu o Brasil, principalmente, a partir de mar\u00e7o de 2020. O objetivo foi analisar o impacto da doen\u00e7a na produ\u00e7\u00e3o de desigualdades que afetam a Regi\u00e3o Metropolitana de Curitiba (RMC). O grupo prop\u00f4s a pesquisa a partir da participa\u00e7\u00e3o no Observat\u00f3rio das Metr\u00f3poles, que tem avaliado as pol\u00edticas sociais nas grandes cidades brasileiras com enfoque nas desigualdades sociais.<\/p>\n<figure id=\"attachment_19908\" aria-describedby=\"caption-attachment-19908\" style=\"width: 345px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Maria-Tarcisa1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-19908\" src=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Maria-Tarcisa1.jpg\" alt=\"\" width=\"345\" height=\"517\" srcset=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Maria-Tarcisa1.jpg 1000w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Maria-Tarcisa1-200x300.jpg 200w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Maria-Tarcisa1-683x1024.jpg 683w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Maria-Tarcisa1-768x1152.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 345px) 100vw, 345px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-19908\" class=\"wp-caption-text\">Professora Maria Tarcisa Silva Bega, coordenadora do projeto: Pesquisa e Extens\u00e3o em Pol\u00edticas Sociais e Desenvolvimento Urbano (PDUR) durante lan\u00e7amento de seu livro &#8220;Letras e Pol\u00edtica no Paran\u00e1&#8221; Foto: Ana Assun\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na entrevista, conversamos com a professora Maria Tarcisa Silva Bega, coordenadora do grupo, que foi iniciado em 2005, e registrado em 2010 no CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico). Ela explica que a iniciativa estuda as a\u00e7\u00f5es governamentais e suas consequ\u00eancias em rela\u00e7\u00e3o a uma s\u00e9rie de pol\u00edticas que podem ser mais ou menos delimitadas pelo tema dos direitos sociais, como definidos na Constitui\u00e7\u00e3o, abrangendo as \u00e1reas da seguridade, previd\u00eancia e servi\u00e7o social, al\u00e9m da sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, com enfoque em p\u00fablicos mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>O grupo lan\u00e7ou em dezembro seu primeiro relat\u00f3rio, abrangendo o ano de 2020, e, recentemente, um novo relat\u00f3rio com mais informa\u00e7\u00f5es, em mar\u00e7o deste ano. As principais conclus\u00f5es do estudo \u00e9 que n\u00e3o houve um enfrentamento real \u00e0 pandemia, com o poder p\u00fablico realizando apenas uma esp\u00e9cie de gerenciamento de danos, tanto nos munic\u00edpios da RMC como no governos do Paran\u00e1 e Federal.<\/p>\n<p><strong>Quais foram os principais objetivos da pesquisa?<\/strong><\/p>\n<p>O objetivo geral deste projeto \u00e9 analisar os efeitos da pandemia na produ\u00e7\u00e3o de desigualdades sociais na Regi\u00e3o Metropolitana de Curitiba e encaminhar a\u00e7\u00f5es efetivas para minimiza\u00e7\u00e3o de danos aos grupos socialmente vulner\u00e1veis. Tem como objetivos espec\u00edficos, primeiro acompanhar em tempo real os boletins epidemiol\u00f3gicos gerados pelas prefeituras municipais e pelo governo do Paran\u00e1 e, segundo, incorporar sobre essas bases, j\u00e1 referenciadas, informa\u00e7\u00f5es dos indicadores socioecon\u00f4micos educacionais e sanit\u00e1rios. Como terceiro objetivo analisar o efeito-territ\u00f3rio buscando criar mapas de desigualdades sociais para a RMC. Como grupo que estuda pol\u00edticas p\u00fablicas tamb\u00e9m monitoramos, em n\u00edvel municipal, as produ\u00e7\u00f5es legislativas e normativas sobre a pandemia, destacando as cidades onde h\u00e1 maior incid\u00eancia de casos, al\u00e9m de sugerir a\u00e7\u00f5es alternativas de enfrentamento a pandemia nas periferias e favelas para grupos sociais mais vulner\u00e1veis. Como objetivo a ser desenvolvido mais ao final do projeto, buscamos assessorar com cursos de capacita\u00e7\u00e3o os agentes p\u00fablicos e lideran\u00e7as comunit\u00e1rias.<br \/>\nBom, desses objetivos n\u00f3s n\u00e3o conseguimos trabalhar at\u00e9 agora o \u00faltimo objetivo que \u00e9 assessorar com cursos de capacita\u00e7\u00e3o, mas isso est\u00e1 no escopo do nosso trabalho para 2021.<\/p>\n<p><strong>Como o estudo foi feito e qual foi a din\u00e2mica geral da doen\u00e7a na RMC?<\/strong><\/p>\n<blockquote class=\"alignright\"><p>O Sul do Brasil, o Paran\u00e1 e Curitiba tiveram tempo para adotar medidas restritivas que j\u00e1 haviam dado certo, por exemplo em Fortaleza e S\u00e3o Lu\u00eds no Maranh\u00e3o, mas isso n\u00e3o ocorreu.<\/p>\n<footer><cite>Maria Tarcisa Silva Bega, professora do Departamento de Sociologia da UFPR<\/cite><\/footer>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00f3s focamos, basicamente, em entender a produ\u00e7\u00e3o dos dados, consistir e analisar o que foi produzido e articular essa an\u00e1lise dos n\u00fameros, que s\u00e3o de base epidemiol\u00f3gica, a uma leitura sociol\u00f3gica, avaliando o impacto da doen\u00e7a no territ\u00f3rio. O que n\u00f3s vimos \u00e9 o que est\u00e1 no relat\u00f3rio. \u00c9 uma doen\u00e7a que come\u00e7a entre os ricos, ent\u00e3o ela impacta em primeiro lugar os bairros centrais das maiores cidades e, no caso da regi\u00e3o metropolitana, ela teve uma dissemina\u00e7\u00e3o tardia. Afinal, Curitiba n\u00e3o \u00e9 um polo nacional, n\u00e3o \u00e9 sede de grandes aeroportos, aqui o fluxo de pessoas \u00e9 menor, se comparado ao Rio de Janeiro, a S\u00e3o Paulo, a Fortaleza e a Manaus, que t\u00eam os grandes aeroportos de fluxo internacional de pessoas. Mesmo que tardiamente ela chegou aqui. Nossa quest\u00e3o n\u00e3o era se ela ia chegar, mas quando e com que intensidade, ent\u00e3o n\u00f3s temos trabalhado nisso.<\/p>\n<p>O Sul do Brasil, o Paran\u00e1 e Curitiba tiveram tempo para adotar medidas restritivas que j\u00e1 haviam dado certo, por exemplo em Fortaleza e S\u00e3o Lu\u00eds no Maranh\u00e3o, mas isso n\u00e3o ocorreu. Poder\u00edamos ter assumido uma atitude mais proativa, principalmente pelo governo estadual, mas isso s\u00f3 vai acontecer no primeiro pico da doen\u00e7a, em junho\/julho. N\u00e3o houve mecanismos efetivos de apoio aos mais pobres, aos trabalhadores informais, aos microempres\u00e1rios e \u00e0s empresas mais atingidas pelo distanciamento social. O foco aqui foi criar estruturas \u2013 absolutamente necess\u00e1rias, \u00e9 bom dizer \u2013 para gerenciar a doen\u00e7a e n\u00e3o para impedir sua dissemina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote class=\"alignright\"><p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O relat\u00f3rio indica que a doen\u00e7a atingiu a popula\u00e7\u00e3o de diferentes formas, com alguns grupos sofrendo um maior impacto, especialmente nas periferias, como foi essa din\u00e2mica?<\/strong><\/p>\n<p>A doen\u00e7a, grosso modo, entra primeiro nos grupos mais ricos, pessoas que circulam em aeroportos internacionais. Isso \u00e9 um padr\u00e3o brasileiro e na Regi\u00e3o Metropolitana de Curitiba tamb\u00e9m. Ela come\u00e7ou nos bairros mais ricos como mostrou estudos feitos, por exemplo, pela Fiocruz [Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz] e pela [Universidade] Federal de Minas Gerais. Em um documento que est\u00e1 para ser publicado na Revista Brasileira de Sociologia em que analisamos o comportamento da pandemia em S\u00e3o Paulo, Fortaleza e Manaus, tomando como refer\u00eancia os meses de mar\u00e7o a agosto de 2020, mostramos que a doen\u00e7a chega primeiro nos bairros com alto IDHM [\u00cdndice de Desenvolvimento humano Municipal] (acima de 0,850) e atinge depois as pessoas que v\u00eam trabalhar nessas casas, que muitas vezes s\u00e3o contaminadas pelos seus patr\u00f5es, no transporte coletivo e levam a doen\u00e7a para as periferias. Nessa hora atinge toda a rede de servi\u00e7os, empregadas dom\u00e9sticas, porteiros, diaristas, entregadores e todo o pessoal que trabalha em pequenos com\u00e9rcios, em panificadoras, supermercados etc. Assim a doen\u00e7a se espalha para os bairros perif\u00e9ricos. Pela baixa testagem, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber de forma precisa quando a doen\u00e7a chegou, at\u00e9 porque parte dessa popula\u00e7\u00e3o pode ser assintom\u00e1tica e transmitir para sua fam\u00edlia. Ao se identificar um doente, n\u00e3o se sabe quantas pessoas foram contaminadas ali. Al\u00e9m disso, quando pega em uma pessoa com uma comorbidade ou em um imunodeprimido, o que pode acontecer \u00e9 essa pessoa em dois, tr\u00eas, quatro dias vir a \u00f3bito sem que haja tempo de ela ser testada e a doen\u00e7a identificada. Ent\u00e3o, n\u00f3s imaginamos que a contamina\u00e7\u00e3o nas periferias \u00e9 no m\u00ednimo de 30 a 40% maior do que aparece, bem como a mortalidade.<\/p>\n<blockquote class=\"alignright\"><p>N\u00f3s imaginamos que a contamina\u00e7\u00e3o nas periferias \u00e9 no m\u00ednimo de 30 a 40% maior do que aparece, bem como a mortalidade.<\/p>\n<footer><cite>Maria Tarcisa Silva Bega, professora do Departamento de Sociologia da UFPR<\/cite><\/footer>\n<\/blockquote>\n<p>E por que n\u00f3s falamos tamb\u00e9m na mortalidade? Porque quando n\u00f3s trabalhamos com essas mortes de covid-19, n\u00f3s temos as SARs, que s\u00e3o todas essas s\u00edndromes virais de base respirat\u00f3ria e nos dados divulgados pelas secretarias, pelos boletins epidemiol\u00f3gicos do pr\u00f3prio Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, n\u00f3s tivemos um aumento de oitocentos por cento dessas mortes em rela\u00e7\u00e3o a 2019. Dessas mortes, mais ou menos a metade n\u00e3o tem causa espec\u00edfica, ent\u00e3o n\u00f3s julgamos hoje, que boa parte das pessoas que morrem de S\u00edndrome Respirat\u00f3ria Aguda Grave n\u00e3o especificada s\u00e3o casos de covid-19 n\u00e3o testados, mas isso \u00e9 uma hip\u00f3tese que n\u00f3s precisamos mais tempo para analisar. Precisamos de mais pesquisas, mas \u00e9 uma hip\u00f3tese que \u00e9 consistente, s\u00f3 ainda n\u00e3o tempo para uma demonstra\u00e7\u00e3o efetiva.<\/p>\n<p><strong>Uma das conclus\u00f5es do relat\u00f3rio \u00e9 que n\u00e3o houve um enfrentamento \u00e0 pandemia mas uma esp\u00e9cie de gerenciamento de danos, como voc\u00eas chegaram a essa conclus\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, uma das principais conclus\u00f5es do estudo \u00e9 que n\u00e3o houve enfrentamento \u00e0 pandemia, mas sim uma esp\u00e9cie de gerenciamento de danos. Como n\u00f3s chegamos a essa conclus\u00e3o? N\u00f3s analisamos os dados, vimos como a doen\u00e7a estava se espalhando e quais a\u00e7\u00f5es p\u00fablicas foram tomadas ao longo do tempo. A ci\u00eancia nos ensina que o \u00fanico jeito que temos para minimizar, barrar ou controlar efetivamente uma doen\u00e7a altamente infecciosa, que se espalha pelas got\u00edculas de saliva, pela conversa e o contato entre as pessoas, toque em lugares que essas got\u00edculas rec\u00e9m ca\u00edram, \u00e9 por meio distanciamento ampliado e bastante r\u00edgido. Num primeiro momento, no m\u00eas de mar\u00e7o, foi feito esse distanciamento aqui na regi\u00e3o metropolitana, ele foi bastante alto, isso fez com que a dissemina\u00e7\u00e3o fosse mais lenta, mas a press\u00e3o econ\u00f4mica e a press\u00e3o da vida mesmo, de um pa\u00eds com uma grande desigualdade social, obrigou as pessoas a sa\u00edrem para trabalhar. Ent\u00e3o os trabalhadores formais e os informais tiveram que sair, pegar \u00f4nibus. N\u00e3o houve um controle r\u00edgido do distanciamento social nos \u00f4nibus; a frota foi diminu\u00edda e n\u00e3o aumentada como seria necess\u00e1rio, apesar dos subs\u00eddios que a prefeitura de Curitiba deu a este segmento econ\u00f4mico. Segundo dados do IPEA de 2014, a integra\u00e7\u00e3o entre Curitiba e os munic\u00edpios do primeiro anel tem como resultante o deslocamento pendular de mais de 600 mil pessoas. Em in\u00edcio de 2020 com certeza este n\u00famero era bem maior.<\/p>\n<p>O mecanismo de controle de v\u00e1rios indicadores epidemiol\u00f3gicos, sociais e econ\u00f4micos, denominado sistema de bandeiras, foi implantada aqui s\u00f3 a partir de junho e foi eficiente num primeiro momento, em especial no primeiro pico da doen\u00e7a. A primeira defini\u00e7\u00e3o de bandeira laranja produziu resultados concretos a partir de agosto at\u00e9 outubro. Quando o ritmo da doen\u00e7a arrefeceu, era necess\u00e1rio n\u00e3o a libera\u00e7\u00e3o, mas o fechamento, para for\u00e7ar a queda da curva de cont\u00e1gio e mortes e, principalmente para dar um f\u00f4lego \u00e0s equipes de sa\u00fade, naquele momento j\u00e1 exaustas.<\/p>\n<p>A n\u00e3o op\u00e7\u00e3o por medidas mais restritivas, e nem penso aqui em <em>lockdown<\/em> como feito em alguns pa\u00edses, poderiam ter evitado o colapso do sistema de sa\u00fade, j\u00e1 anunciado desde o in\u00edcio de novembro.<\/p>\n<p>O <em>lockdown<\/em> teria um custo econ\u00f4mico e um custo social, isso exigiria uma pol\u00edtica muito grande de assist\u00eancia social para os grupos mais vulner\u00e1veis, que demorou no caso do Brasil, vindo com o aux\u00edlio emergencial, que foi fundamental para que a doen\u00e7a n\u00e3o se disseminasse mais ainda e nem se gerasse uma multid\u00e3o de pedintes ou popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua.<br \/>\nO que faltou foi uma medida de distanciamento social efetiva com toda higieniza\u00e7\u00e3o, com etiqueta sanit\u00e1ria, uso de m\u00e1scaras e tudo mais que \u00e9 necess\u00e1ria. E aqui estou pensando apenas em n\u00edvel municipal.<\/p>\n<p>Os munic\u00edpios estiveram submetidos ainda \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es err\u00e1ticas dos executivos estadual e federal. No caso da Uni\u00e3o, houve uma politiza\u00e7\u00e3o perversa da pandemia, com narrativas conflitantes entre a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica e o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. O executivo estadual optou por seguir as (des)orienta\u00e7\u00f5es do Governo Federal, imputando ao cidad\u00e3o toda a responsabilidade sobre sua contamina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote class=\"alignright\"><p>Uma das principais conclus\u00f5es do estudo \u00e9 que n\u00e3o houve enfrentamento \u00e0 pandemia, mas sim uma esp\u00e9cie de gerenciamento de danos<\/p>\n<footer><cite>Maria Tarcisa Silva Bega, professora do Departamento de Sociologia da UFPR<\/cite><\/footer>\n<\/blockquote>\n<p>O Brasil teve dois meses para se adaptar \u00e0 pandemia, mas n\u00e3o se adaptou, ent\u00e3o n\u00f3s enfrentamos hospitais sem EPIs [Equipamentos de Prote\u00e7\u00e3o Individual], equipe de profissionais sem condi\u00e7\u00f5es de trabalho, uma doen\u00e7a nova que n\u00e3o tem protocolo de tratamento j\u00e1 definido. Enfim, uma doen\u00e7a que foi enfrentada muito na tentativa e erro.<\/p>\n<p>Fica claro, a partir do grande pico de julho e agosto que o Estado brasileiro, tamb\u00e9m o estadual e os poderes locais, ao inv\u00e9s de for\u00e7arem um distanciamento maior, garantindo condi\u00e7\u00f5es para que as pessoas sobrevivessem, optaram por gerenciar a pandemia.<\/p>\n<p><strong>Poderia falar sobre esse gerenciamento e quais suas consequ\u00eancias?<\/strong><\/p>\n<p>O que \u00e9 gerenciar a pandemia? \u00c9 fazer o abre e fecha, abrindo mais do que fechando, e criar leitos hospitalares, s\u00f3 que tem um limite, n\u00e9, o SUS por mais potente que seja e tenha essa estrutura capilarizada, que atende todas as \u00e1reas do Brasil, tem limites de Recursos Humanos especializados para esse atendimento. Ent\u00e3o hoje n\u00f3s temos as equipes do SUS exauridas, os hospitais exauridos. A popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m cansou do distanciamento, n\u00e3o houve uma a\u00e7\u00e3o efetiva do Governo Federal no sentido do distanciamento, n\u00e3o h\u00e1 penaliza\u00e7\u00e3o de fato para aqueles que burlam as recomenda\u00e7\u00f5es, porque n\u00e3o \u00e9 uma legisla\u00e7\u00e3o, \u00e9 apenas uma recomenda\u00e7\u00e3o para o distanciamento. Ent\u00e3o n\u00f3s operamos esse abre e fecha, o aumento do n\u00famero de leitos e contrata\u00e7\u00e3o de pessoal, \u00e9 isso que n\u00f3s chamamos de gerenciamento. N\u00e3o \u00e9 um enfrentamento, a gente vai gerenciando, aumenta aqui e p\u00f5e mais equipamento, diminui, desabilita os leitos. \u00c9 essa a pol\u00edtica do Brasil e n\u00f3s chegamos agora no final de fevereiro praticamente com 250 mil mortos. E \u00e9 importante destacar, o Brasil tem 2,7% da popula\u00e7\u00e3o mundial e em novembro bateu 10% dos casos mundiais e 12% dos \u00f3bitos. Ent\u00e3o \u00e9 um gerenciamento, eu diria, mal feito, porque efetivamente n\u00f3s temos muito mortos, n\u00f3s s\u00f3 perdemos para os Estados Unidos, que n\u00e3o \u00e9 vantagem nenhuma, somos o segundo ou terceiro pa\u00eds em n\u00famero de casos.<\/p>\n<p><strong>A testagem era um dos instrumentos principais para acompanhar a doen\u00e7a, o baixo n\u00famero de testes foi uma das principais falhas identificadas? Poderia falar um pouco sobre isso?<\/strong><\/p>\n<p>A testagem foi um problema s\u00e9rio, primeiro que todos os pa\u00edses tiveram falta de testes, o Brasil ainda demorou para comprar no mercado internacional, s\u00f3 comprou em abril. Esses testes tiveram problemas de log\u00edstica muito s\u00e9rios para a distribui\u00e7\u00e3o pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Ent\u00e3o n\u00f3s compramos os testes RT-PCR, que s\u00e3o os testes efetivos, mas sua distribui\u00e7\u00e3o foi p\u00e9ssima, num jogo de gato e rato entre o governo federal e os estados., o que levou a uma baixa distribui\u00e7\u00e3o. N\u00f3s tivemos ainda o esc\u00e2ndalo dos testes vencidos (nos \u00faltimos meses de 2020), em que, segundo os dados do pr\u00f3prio Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, que est\u00e3o dispon\u00edveis no Transpar\u00eancia Brasil, 70% dos testes n\u00e3o foram distribu\u00eddos e est\u00e3o para perder a validade. Com a falta de teste, eles n\u00e3o foram feitos maci\u00e7amente, foram feitos apenas para as pessoas que procuravam o posto de sa\u00fade com os sintomas. O que acontece? O padr\u00e3o aceito de alta testagem indica que at\u00e9 5% dos mesmos devem ser positivos. No Brasil oscilou ao longo de 2020 entre 20 e 50%. Quanto maior o percentual de resultados positivos, menor o volume de teste dispon\u00edvel, ou seja, s\u00f3 pessoas com sintomas foram testados e n\u00e3o toda a sua rede de contatos, como em pa\u00edses que fizeram uma pol\u00edtica efetiva de controle da doen\u00e7a. om sintomas. O Brasil deveria ter testado ao menos cinco vezes mais pessoas para que pud\u00e9ssemos levar a s\u00e9rio os resultados. Al\u00e9m disso h\u00e1 um conjunto de testes n\u00e3o considerados com alto padr\u00e3o de seguran\u00e7a usados concomitante ao RT-PCR. Todos os testes deste tipo vinham sendo somados nos boletins epidemiol\u00f3gicos at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s. N\u00e3o houve uma pol\u00edtica de chamamento para testagem, por exemplo, para testar os grupos de risco ou para testar as pessoas que est\u00e3o em maior circula\u00e7\u00e3o, como lixeiros, motoristas de Uber, motoristas de \u00f4nibus, trabalhadores que t\u00eam que pegar transporte coletivo. Ent\u00e3o esse foi o problema dos testes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote class=\"alignright\"><p>Na falta de uma pol\u00edtica de Estado, culparam-se primeiro os idosos por n\u00e3o ficar em casa, depois os jovens por frequentarem baladas. Esta \u00e9 nossa principal cr\u00edtica: n\u00e3o d\u00e1 para imputar o cidad\u00e3o a responsabilidade enquanto o presidente, empres\u00e1rios, grandes formadores de opini\u00e3o fazem festas e fazem aglomera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<footer><cite>Maria Tarcisa Silva Bega, professora do Departamento de Sociologia da UFPR<\/cite><\/footer>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quais as principais a\u00e7\u00f5es que deixaram de ser tomadas ou foram insuficientes pelas prefeituras da Regi\u00e3o Metropolitana de Curitiba e no \u00e2mbito estadual?<\/strong><\/p>\n<p>Eu diria que necessitaria de pol\u00edticas uniformes entre os munic\u00edpios, isso s\u00f3 come\u00e7ou a ser feito a partir de final de junho e come\u00e7o de julho, quando n\u00f3s j\u00e1 est\u00e1vamos no pico da pandemia. Ent\u00e3o n\u00f3s perdemos um tempo muito grande para definir e implementar medidas de diminui\u00e7\u00e3o de circula\u00e7\u00e3o das pessoas, que seria a mais efetiva, combinada com financiamento e pol\u00edticas de apoio aos grupos vulner\u00e1veis. Porque, uma diarista tem que sair para buscar dinheiro, botar comida em casa, agora se ela tiver outra op\u00e7\u00e3o, se tivessem ampliado mecanismos como o aux\u00edlio emergencial essas pessoas poderiam n\u00e3o ter sa\u00eddo. De fato, quem fez o distanciamento social foi quem pode fazer home office, basicamente os servidores p\u00fablicos, professores e empresas que tiveram condi\u00e7\u00f5es de colocar seus trabalhadores em trabalho remoto, no setor mais administrativo, mas as f\u00e1bricas continuaram, com\u00e9rcio continuou, supermercado continuou. Servi\u00e7o essencial tem que continuar, voc\u00ea nunca tira totalmente a circula\u00e7\u00e3o das pessoas. Parar as escolas foi um elemento fundamental para evitar a dissemina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. Ent\u00e3o s\u00e3o pol\u00edticas no sentido de diminuir a circula\u00e7\u00e3o de pessoas e aumentar a estrutura de atendimento; impedir a dissemina\u00e7\u00e3o de <em>fake news<\/em>, punindo com firmeza e rapidez seus propagadores, deixar o receitu\u00e1rio m\u00e9dico aos m\u00e9dicos e n\u00e3o para qualquer um, principalmente pessoas com poder de decis\u00e3o, como \u00e9 o caso do \u201ctratamento precoce\u201d, que est\u00e1 comprovado cientificamente que n\u00e3o funciona.<\/p>\n<p>O que vimos foi a falta de uma pol\u00edtica unificada, foi cada um por si, e, portanto, uma cobran\u00e7a ao cidad\u00e3o, com sua culpabiliza\u00e7\u00e3o. Na falta de uma pol\u00edtica de Estado, culparam-se primeiro os idosos por n\u00e3o ficar em casa, depois os jovens por frequentarem baladas. Esta \u00e9 nossa principal cr\u00edtica: n\u00e3o d\u00e1 para imputar o cidad\u00e3o a responsabilidade enquanto o presidente, empres\u00e1rios, grandes formadores de opini\u00e3o fazem festas e fazem aglomera\u00e7\u00e3o. Que sinaliza\u00e7\u00e3o d\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o? Que a doen\u00e7a \u00e9 uma gripezinha, mas n\u00e3o \u00e9 uma gripezinha porque uma gripezinha n\u00e3o mata 250 mil pessoas em um ano.<\/p>\n<p><strong>O relat\u00f3rio demonstra que o Governo Federal tomou atitudes que atrapalharam as medidas de combate \u00e0 pandemia, poderia nos explicar quais foram essas a\u00e7\u00f5es e seus impactos?<\/strong><\/p>\n<p>Vou listar algumas, entre tantas outras, das atitudes que atrapalharam o combate mais efetivo da pandemia:<br \/>\n1 &#8211; Nega\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e do conhecimento especializado, levando \u00e0 n\u00e3o cria\u00e7\u00e3o de um comit\u00ea nacional de Especialistas com poder n\u00e3o apenas consultivo mas deliberativo sobre a pol\u00edtica de enfrentamento \u00e0 pandemia; 2 &#8211; A politiza\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o, que se consolida com o troca-troca no Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e a longa interinidade de um general no cargo (s\u00f3 nomeado em agosto) e sem poder de delibera\u00e7\u00e3o; 3 &#8211; O reiterado discurso negacionista do presidente da Rep\u00fablica, que teimou em governar para seus eleitores ao inv\u00e9s de governar para os brasileiros. 4 &#8211; O abandono de uma pol\u00edtica de sa\u00fade unificada, com clara defini\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es federais, estaduais e municipais. 5 &#8211; A atitude de subservi\u00eancia aos interesses do mercado em detrimento da sa\u00fade das pessoas. 6 &#8211; A demora &#8211; exatamente pelo conflito de narrativas no plano federal \u2013 em adquirir equipamentos, EPIs, montagem de hospitais de campanha e, mais tarde na negocia\u00e7\u00e3o de vacinas; 7 &#8211; A leitura equivocada por parte do Presidente da rep\u00fablica, da posi\u00e7\u00e3o do STF que permitiu que estados e munic\u00edpios pudessem, juntamente com o governo federal, definir pol\u00edticas em n\u00edveis infra-nacionais.<\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m dos impactos da pr\u00f3pria doen\u00e7a, as medidas necess\u00e1rias para isolamento tiveram impactos para al\u00e9m da esfera da sa\u00fade, especialmente o acesso a renda, como estes temas foram tratados nas esferas p\u00fablicas?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote class=\"alignright\"><p>\u00c9 uma doen\u00e7a que deve ser enfrentada em muitas frentes: na sa\u00fade. na assist\u00eancia social; no cr\u00e9dito para pequenos e m\u00e9dios neg\u00f3cios; no apoio, sem burocracia, aos trabalhadores informais; na infraestrutura urbana por meio da democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 \u00e1gua; na garantia de moradia digna em especial \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua.<\/p>\n<footer><cite>Maria Tarcisa Silva Bega, professora do Departamento de Sociologia da UFPR<\/cite><\/footer>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Houve uma letargia dos governantes no enfrentamento dos impactos econ\u00f4micos. J\u00e1 se conhecia, em mar\u00e7o e abril, as a\u00e7\u00f5es de governos europeus no sentido em garantir m\u00ednimos sociais que permitissem o <em>lockdown<\/em>. O Brasil perdeu meses preciosos que poderiam ter permitido um outro arranjo institucional para o enfrentamento da pandemia. Em fevereiro j\u00e1 se sabia que era uma epidemia, talvez de escala global.<\/p>\n<p>Na primeira quinzena de mar\u00e7o a OMS [Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade] declarou a pandemia. \u201cPreparem-se, detectem, protejam, tratem, reduzam o ciclo de transmiss\u00e3o, inovem e aprendam\u201d, recomendou o diretor da OMS, Tedros Adhanom. \u00c9 uma doen\u00e7a que deve ser enfrentada em muitas frentes: na sa\u00fade. na assist\u00eancia social; no cr\u00e9dito para pequenos e m\u00e9dios neg\u00f3cios; no apoio, sem burocracia, aos trabalhadores informais; na infraestrutura urbana por meio da democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 \u00e1gua; na garantia de moradia digna em especial \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua.<\/p>\n<p>Faltou uma campanha s\u00e9ria que investisse na solidariedade intergeracional (jovens auxiliando idosos no isolamento social) e tem sido residual as a\u00e7\u00f5es de grupos empresariais em movimentos pontuais de aux\u00edlio \u00e0s comunidades vulner\u00e1veis (favelas, ind\u00edgenas, quilombolas e popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas), n\u00e3o se caracterizando em movimentos de solidariedade efetiva entre classes sociais.\u00a0 Sobrou discursos, narrativas conflitantes, sobrou press\u00f5es de grupos econ\u00f4micos e faltou Estado. Nenhuma crise mundial \u00e9 enfrentada com a omiss\u00e3o do Estado.<\/p>\n<p><strong>Muitos t\u00eam destacado o papel da imprensa na pandemia, qual a opini\u00e3o da professora sobre a cobertura feita, sobre os temas levantados na pesquisa?<\/strong><\/p>\n<p>De maneira geral considero positiva a cobertura dos grandes ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, bem como dos sites de grande alcance. Mas a qualidade do que \u00e9 veiculado varia conforme os interesses empresariais e pol\u00edtico-partid\u00e1rios aos quais est\u00e3o submetidos. Eu diria que, grosso modo, a imprensa foi o grande agente de veicula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es para a popula\u00e7\u00e3o, nesse sentido eu diria que ela cumpriu o seu papel, embora alguns organismos de imprensa tenham feito desservi\u00e7o no sentido de disseminar fake news . Eu acho que isso deve ser categorizado como crime, deveria haver puni\u00e7\u00e3o, porque \u00e9 inadmiss\u00edvel um ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o, que \u00e9 uma concess\u00e3o estatal, ficar divulgando tratamentos, leituras equivocadas das informa\u00e7\u00f5es, colocando em d\u00favida a a\u00e7\u00e3o dos organismos de sa\u00fade, duvidando do n\u00famero de mortos, destacando o n\u00famero de recuperados, mas se omitindo de informa\u00e7\u00f5es como por exemplo as complica\u00e7\u00f5es de sa\u00fade dos \u201crecuperados\u201d. Por exemplo, pouco se fala das mortes de ex-entubados, das sequelas renais, pulmonares, cardiol\u00f3gicas e neurol\u00f3gicas, al\u00e9m dos impactos emocionais em sobreviventes.<\/p>\n<p>O que eu destaco de positivo \u00e9 a divulga\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es de como fazer a higieniza\u00e7\u00e3o, a campanha do uso da m\u00e1scara, explicando como deve ser feito o distanciamento social e, principalmente, a divulga\u00e7\u00e3o dos n\u00fameros. O cons\u00f3rcio de imprensa foi o grande mecanismo de divulga\u00e7\u00e3o desses n\u00fameros, inclusive no enfrentamento \u00e0 falta de informa\u00e7\u00e3o e a falta de transpar\u00eancia do Governo Federal.<\/p>\n<p><strong>Poderia falar sobre o estudo de pol\u00edticas p\u00fablicas para que o p\u00fablico leigo possa entender como s\u00e3o feitas as pesquisas na \u00e1rea?<\/strong><\/p>\n<p>O estudo de pol\u00edticas p\u00fablicas na sociologia busca analisar como acontecem as a\u00e7\u00f5es do Estado em atendimento ao conjunto de necessidades e interesses da sociedade e do mercado. No nosso caso, trabalhamos com as pol\u00edticas, demandas e interesses sociais, a partir do preconizado no cap\u00edtulo dos direitos sociais da Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira e abordamos as tem\u00e1ticas da grande \u00e1rea da Seguridade Social que \u00e9 Previd\u00eancia Social, Assist\u00eancia Social e Sa\u00fade, al\u00e9m de Educa\u00e7\u00e3o, as quais comp\u00f5em o n\u00facleo duro das pol\u00edticas p\u00fablicas de car\u00e1ter social. Mas como demandas e interesses da sociedade n\u00e3o se restringem a estes pontos, tamb\u00e9m analisamos as quest\u00f5es da infraestrutura urbana (habita\u00e7\u00e3o, saneamento, transporte e mobilidade urbana), o acesso ao meio ambiente saud\u00e1vel, ao lazer, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o de qualidade e as a\u00e7\u00f5es p\u00fablicas voltadas aos grupos mais vulner\u00e1veis. Nossas pesquisas operam na transversalidade com as discuss\u00f5es de ra\u00e7a, de g\u00eanero e de gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, n\u00f3s discutimos as deriva\u00e7\u00f5es da a\u00e7\u00e3o do estado, na quest\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e do lugar dos movimentos sociais na constru\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas. Usando um conceito cl\u00e1ssico, a pol\u00edtica p\u00fablica \u00e9 o estado em a\u00e7\u00e3o. Toda a\u00e7\u00e3o p\u00fablica, ou seja, a\u00e7\u00e3o do estado, feita diretamente ou indiretamente, por provis\u00e3o, delega\u00e7\u00e3o, regula\u00e7\u00e3o ou por transfer\u00eancia de dinheiro \u00e9 objeto do estudo de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>No nosso caso, fazemos o recorte do social. N\u00e3o trabalhamos com pol\u00edticas de car\u00e1ter financeiro, pol\u00edtica fiscal, tribut\u00e1ria ou pol\u00edtica econ\u00f4mica, porque n\u00e3o \u00e9 o perfil do grupo. Esses estudos geralmente s\u00e3o feitos por outros grupos de pol\u00edticas p\u00fablicas, como, por exemplo no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Pol\u00edticas P\u00fablicas do departamento de Economia. Eles t\u00eam um estudo muito forte na \u00e1rea financeira, na \u00e1rea fiscal-tribut\u00e1ria e econ\u00f4mica. N\u00f3s n\u00e3o entramos nisso, embora saibamos que as pol\u00edticas p\u00fablicas s\u00e3o hiperconectadas entre si: a defini\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica tribut\u00e1ria vai impactar com maior ou menor volume de recursos para execu\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica p\u00fablica de car\u00e1ter social, por exemplo.<\/p>\n<p><strong>Gostaria, para finalizar, que nos falasse sobre o hist\u00f3rico desse estudo, para que possamos entender como ele surgiu.<\/strong><\/p>\n<p>Bom, o ano de 2020 come\u00e7ou tranquilo para n\u00f3s, est\u00e1vamos trabalhando com uma pesquisa grande de pol\u00edtica p\u00fablica em car\u00e1ter comparado. N\u00f3s analis\u00e1vamos, por exemplo, pol\u00edticas realizadas pelo poder local, em n\u00edvel municipal, comparando munic\u00edpios ou comparando estados ou em alguns casos comparando os pa\u00edses. Tamb\u00e9m, com um segmento que trabalha a quest\u00e3o das pol\u00edticas de juventude, mais especificamente a pol\u00edtica de educa\u00e7\u00e3o. Segu\u00edamos nosso roteiro normal com discuss\u00f5es semanais dos projetos de pesquisa dos professores e p\u00f3s-graduandos, das metodologias utilizadas nas pesquisas. Trabalhamos com a parte de forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica do grupo, que s\u00e3o leituras de textos recentes, textos fundamentais na \u00e1rea de pol\u00edtica p\u00fablica.<\/p>\n<p>Em 2020 come\u00e7ou a pandemia. Foi primeiro um momento de susto: o que n\u00f3s vamos fazer? Como programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Sociologia fomos instados pela PRPPG [Pr\u00f3-reitoria de Pesquisa e P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da UFPR] para produzir uma proposta coletiva para pesquisas que visassem o enfrentamento da pandemia. Ent\u00e3o, o programa inteiro se debru\u00e7ou sobre o tema e produzimos uma ementa encaminhada \u00e0 PRPPG e, a partir desta reflex\u00e3o come\u00e7amos a pensar como cada grupo de pesquisa poderia responder aos desafios impostos pela pandemia.<\/p>\n<p>No m\u00eas de maio a universidade lan\u00e7ou o edital Proind [Projetos Individuais no Combate \u00e0 Covid-19] que financiava projetos voltados a quest\u00e3o da pandemia em todas as \u00e1reas. Nosso grupo de pesquisa apresentou a proposta de monitoramento dos impactos da dissemina\u00e7\u00e3o, abrang\u00eancia da doen\u00e7a e da sua letalidade, a partir da constru\u00e7\u00e3o de indicadores de acompanhamento.<\/p>\n<p>N\u00f3s recebemos semanalmente e at\u00e9 diariamente as not\u00edcias, os informes, os boletins epidemiol\u00f3gicos e nos debru\u00e7amos sobre isso, analisando a sua constru\u00e7\u00e3o, os crit\u00e9rios utilizados, a sua consist\u00eancia. Como n\u00f3s somos vinculados ao n\u00facleo de Curitiba do Observat\u00f3rio das Metr\u00f3poles, que \u00e9 um projeto Nacional, n\u00f3s assumimos a responsabilidade de produzir para o observat\u00f3rio uma parte da discuss\u00e3o do N\u00facleo de Curitiba, que abrange a Regi\u00e3o Metropolitana de Curitiba, composta pelos mesmos 29 munic\u00edpios da Segunda Regional de Sa\u00fade da Secretaria Estadual de Sa\u00fade do Paran\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O grupo Grupo de Pesquisa e Extens\u00e3o em Pol\u00edticas Sociais e Desenvolvimento Urbano (PDUR), ligado ao Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o de&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2799,"featured_media":19906,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":"","fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false},"categories":[1710,1614,1128],"tags":[1139,1138,1878,1141],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v23.5 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>&quot;N\u00e3o houve enfrentamento \u00e0 pandemia, mas uma esp\u00e9cie de gerenciamento de danos&quot; | Maria Tarcisa Silva Bega - Ci\u00eancia UFPR<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"&quot;N\u00e3o houve enfrentamento \u00e0 pandemia, mas uma esp\u00e9cie de gerenciamento de danos&quot; | Maria Tarcisa Silva Bega - Ci\u00eancia UFPR\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"O grupo Grupo de Pesquisa e Extens\u00e3o em Pol\u00edticas Sociais e Desenvolvimento Urbano (PDUR), ligado ao Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o de...\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Ci\u00eancia UFPR\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/cienciaufproficial\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2021-03-25T23:50:50+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2022-09-24T00:52:24+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/00217974.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1920\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"1080\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Rodrigo Choinski\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@cienciaufpr\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@cienciaufpr\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Rodrigo Choinski\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"25 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/\"},\"author\":{\"name\":\"Rodrigo Choinski\",\"@id\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/#\/schema\/person\/89d17255c82fd8b58e008c4a4418177b\"},\"headline\":\"&#8220;N\u00e3o houve enfrentamento \u00e0 pandemia, mas uma esp\u00e9cie de gerenciamento de danos&#8221; | Maria Tarcisa Silva Bega\",\"datePublished\":\"2021-03-25T23:50:50+00:00\",\"dateModified\":\"2022-09-24T00:52:24+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/\"},\"wordCount\":4985,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/00217974.jpg\",\"keywords\":[\"covid-19\",\"pandemia\",\"pol\u00edticas p\u00fablicas\",\"sociologia\"],\"articleSection\":[\"Covid\",\"Entrevista\",\"Ideias\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/\",\"url\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/\",\"name\":\"\\\"N\u00e3o houve enfrentamento \u00e0 pandemia, mas uma esp\u00e9cie de gerenciamento de danos\\\" | Maria Tarcisa Silva Bega - Ci\u00eancia UFPR\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/00217974.jpg\",\"datePublished\":\"2021-03-25T23:50:50+00:00\",\"dateModified\":\"2022-09-24T00:52:24+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/00217974.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/00217974.jpg\",\"width\":1920,\"height\":1080,\"caption\":\"Foto: Daniel Castellano \/ Secretaria Municipal de Comunica\u00e7\u00e3o Social de Curitiba\"},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Home\",\"item\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"&#8220;N\u00e3o houve enfrentamento \u00e0 pandemia, mas uma esp\u00e9cie de gerenciamento de danos&#8221; | Maria Tarcisa Silva Bega\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/#website\",\"url\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/\",\"name\":\"Ci\u00eancia UFPR\",\"description\":\"Site de temas cient\u00edficos com foco no conhecimento produzido na Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR). Baseado na Revista Ci\u00eancia UFPR.\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/#organization\",\"name\":\"Revista Ci\u00eancia UFPR\",\"url\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Revista-Ciencia-UFPR-vermelho.jpeg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Revista-Ciencia-UFPR-vermelho.jpeg\",\"width\":992,\"height\":714,\"caption\":\"Revista Ci\u00eancia UFPR\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/#\/schema\/logo\/image\/\"},\"sameAs\":[\"https:\/\/www.facebook.com\/cienciaufproficial\",\"https:\/\/x.com\/cienciaufpr\",\"https:\/\/www.instagram.com\/revistacienciaufpr\/\",\"https:\/\/www.linkedin.com\/company\/cienciaufproficial\",\"https:\/\/br.pinterest.com\/cienciaufpr\/\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/#\/schema\/person\/89d17255c82fd8b58e008c4a4418177b\",\"name\":\"Rodrigo Choinski\",\"description\":\"Jornalista e mestre em sociologia pela Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR). Trabalhou na TV Brasil e no Programa de Recupera\u00e7\u00e3o da Biodiversidade Marinha. Pesquisa a obra do fil\u00f3sofo h\u00fangaro Istv\u00e1n M\u00e9sz\u00e1ros. Jornalista na UFPR.\",\"url\":\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/author\/rodrigo-choinski\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"\"N\u00e3o houve enfrentamento \u00e0 pandemia, mas uma esp\u00e9cie de gerenciamento de danos\" | Maria Tarcisa Silva Bega - Ci\u00eancia UFPR","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"\"N\u00e3o houve enfrentamento \u00e0 pandemia, mas uma esp\u00e9cie de gerenciamento de danos\" | Maria Tarcisa Silva Bega - Ci\u00eancia UFPR","og_description":"O grupo Grupo de Pesquisa e Extens\u00e3o em Pol\u00edticas Sociais e Desenvolvimento Urbano (PDUR), ligado ao Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o de...","og_url":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/","og_site_name":"Ci\u00eancia UFPR","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/cienciaufproficial","article_published_time":"2021-03-25T23:50:50+00:00","article_modified_time":"2022-09-24T00:52:24+00:00","og_image":[{"width":1920,"height":1080,"url":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/00217974.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Rodrigo Choinski","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@cienciaufpr","twitter_site":"@cienciaufpr","twitter_misc":{"Escrito por":"Rodrigo Choinski","Est. tempo de leitura":"25 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/"},"author":{"name":"Rodrigo Choinski","@id":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/#\/schema\/person\/89d17255c82fd8b58e008c4a4418177b"},"headline":"&#8220;N\u00e3o houve enfrentamento \u00e0 pandemia, mas uma esp\u00e9cie de gerenciamento de danos&#8221; | Maria Tarcisa Silva Bega","datePublished":"2021-03-25T23:50:50+00:00","dateModified":"2022-09-24T00:52:24+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/"},"wordCount":4985,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/00217974.jpg","keywords":["covid-19","pandemia","pol\u00edticas p\u00fablicas","sociologia"],"articleSection":["Covid","Entrevista","Ideias"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/","url":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/","name":"\"N\u00e3o houve enfrentamento \u00e0 pandemia, mas uma esp\u00e9cie de gerenciamento de danos\" | Maria Tarcisa Silva Bega - Ci\u00eancia UFPR","isPartOf":{"@id":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/00217974.jpg","datePublished":"2021-03-25T23:50:50+00:00","dateModified":"2022-09-24T00:52:24+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/#primaryimage","url":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/00217974.jpg","contentUrl":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/00217974.jpg","width":1920,"height":1080,"caption":"Foto: Daniel Castellano \/ Secretaria Municipal de Comunica\u00e7\u00e3o Social de Curitiba"},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/nao-houve-enfrentamento-a-pandemia-mas-sim-uma-especie-de-gerenciamento-de-danos-maria-tarcisa-silva-bega\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"&#8220;N\u00e3o houve enfrentamento \u00e0 pandemia, mas uma esp\u00e9cie de gerenciamento de danos&#8221; | Maria Tarcisa Silva Bega"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/#website","url":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/","name":"Ci\u00eancia UFPR","description":"Site de temas cient\u00edficos com foco no conhecimento produzido na Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR). Baseado na Revista Ci\u00eancia UFPR.","publisher":{"@id":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/#organization","name":"Revista Ci\u00eancia UFPR","url":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Revista-Ciencia-UFPR-vermelho.jpeg","contentUrl":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Revista-Ciencia-UFPR-vermelho.jpeg","width":992,"height":714,"caption":"Revista Ci\u00eancia UFPR"},"image":{"@id":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/cienciaufproficial","https:\/\/x.com\/cienciaufpr","https:\/\/www.instagram.com\/revistacienciaufpr\/","https:\/\/www.linkedin.com\/company\/cienciaufproficial","https:\/\/br.pinterest.com\/cienciaufpr\/"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/#\/schema\/person\/89d17255c82fd8b58e008c4a4418177b","name":"Rodrigo Choinski","description":"Jornalista e mestre em sociologia pela Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR). Trabalhou na TV Brasil e no Programa de Recupera\u00e7\u00e3o da Biodiversidade Marinha. Pesquisa a obra do fil\u00f3sofo h\u00fangaro Istv\u00e1n M\u00e9sz\u00e1ros. Jornalista na UFPR.","url":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/author\/rodrigo-choinski\/"}]}},"views":2048,"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/00217974.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19896"}],"collection":[{"href":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2799"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19896"}],"version-history":[{"count":18,"href":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19896\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19922,"href":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19896\/revisions\/19922"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19906"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19896"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19896"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19896"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}