{"id":19282,"date":"2016-12-23T17:57:13","date_gmt":"2016-12-23T19:57:13","guid":{"rendered":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/?p=19282"},"modified":"2023-10-12T23:33:32","modified_gmt":"2023-10-13T02:33:32","slug":"morcegos-podem-ter-ancestral-proximo-em-com-camelos-e-dromedarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/morcegos-podem-ter-ancestral-proximo-em-com-camelos-e-dromedarios\/","title":{"rendered":"Morcegos podem ter ancestral pr\u00f3ximo em comum com camelos e dromed\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p>Uma pesquisa do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Veterin\u00e1rias (PPGCV) da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) detectou e descreveu uma estrutura \u00f3ssea encontrada em camelos e dromed\u00e1rios que \u00e9 muito semelhante a um componente anat\u00f4mico presente em morcegos. A descoberta refor\u00e7a a curiosa ideia de que os camelos e dromed\u00e1rios s\u00e3o parentes mais pr\u00f3ximos do morcego do que se pensava at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<blockquote class=\"alignright\"><p>Pesquisas haviam sugerido a rela\u00e7\u00e3o entre camel\u00eddeos e quir\u00f3pteros com evid\u00eancias gen\u00f4micas, mas faltava suporte anat\u00f4mico que sustentasse a ideia<\/p><\/blockquote>\n<p>Os resultados da pesquisa foram publicados no <em>Italian Journal of Anatomy and Embriology<\/em>, em junho de 2016. O componente descrito no artigo &#8220;<a href=\"https:\/\/oajournals.fupress.net\/index.php\/ijae\/article\/view\/1452\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Description of an optic spine on the sphenoid bone of camels and dromedaries<\/a>&#8221; \u00e9 uma proje\u00e7\u00e3o \u00f3ssea cil\u00edndrica e delgada, localizada na \u00f3rbita \u00f3ssea (a cavidade da face que cont\u00e9m o olho), batizada pelos pesquisadores de \u201cespinha \u00f3ptica do osso esfenoide\u201d.<\/p>\n<p>A pesquisa tem autoria da m\u00e9dica veterin\u00e1ria Gabrielle Fornazari, estudante de mestrado, do m\u00e9dico veterin\u00e1rio Jeverson Cechinel da Silva, t\u00e9cnico do Museu de Anatomia Veterin\u00e1ria da Universidade do Contestado (MAV-UnC), de Fabiano Montiani-Ferreira e Ivan Roque de Barros Filho, professores do Departamento de Medicina Veterin\u00e1ria (DMV), e de Marcello Machado, professor do Departamento de Anatomia (Danat).<\/p>\n<p>A mesma equipe havia constatado a presen\u00e7a de estrutura anat\u00f4mica similar na \u00f3rbita de morcegos, em 2007. O novo achado deu apoio \u00e0 tese de que a ordem dos camelos e dromed\u00e1rios (<em>Artiodactyla<\/em>) e a dos morcegos (<em>Chiroptera<\/em>) t\u00eam um ancestral comum pr\u00f3ximo na escala evolutiva.<\/p>\n<h2>Estudo acrescenta informa\u00e7\u00f5es \u00e0s lacunas sobre a evolu\u00e7\u00e3o dos morcegos<\/h2>\n<p>At\u00e9 o momento, a posi\u00e7\u00e3o dos morcegos na \u00e1rvore da evolu\u00e7\u00e3o da vida \u00e9 considerada incompleta. Outras pesquisas internacionais j\u00e1 haviam demonstrado a rela\u00e7\u00e3o entre os camel\u00eddeos e os quir\u00f3pteros com evid\u00eancias gen\u00f4micas, mas ainda n\u00e3o havia qualquer suporte anat\u00f4mico que sustentasse a ideia.<\/p>\n<p>Fabiano Montiani-Ferreira, orientador de Gabrielle Fornazari, considera a descoberta da equipe, constatada pelo professor Marcello Machado e conduzida pela sua aluna, muito interessante. Ele explica que a observa\u00e7\u00e3o, somada \u00e0 descoberta pr\u00e9via do grupo da mesma estrutura anat\u00f4mica nos morcegos, fornece apoio cient\u00edfico para o crescente corpo de evid\u00eancias que sugerem a proximidade evolutiva dessas duas ordens animais.<\/p>\n<figure id=\"attachment_19298\" aria-describedby=\"caption-attachment-19298\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Camelos-e-morcegos-m.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-19298 size-full\" src=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Camelos-e-morcegos-m.png\" alt=\"Foto mostra a \u201cespinha \u00f3ptica do osso esfenoide\u201d no cr\u00e2nio de um camel\u00eddeo. A fun\u00e7\u00e3o da estrutura ainda est\u00e1 sendo investigada. Foto: Foto extra\u00edda do artigo mostra a \u201cespinha \u00f3ptica do osso esfenoide\u201d no cr\u00e2nio de um dromed\u00e1rio. Foto: Marcello Machado\/Reprodu\u00e7\u00e3o\" width=\"500\" height=\"374\" srcset=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Camelos-e-morcegos-m.png 500w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Camelos-e-morcegos-m-300x224.png 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-19298\" class=\"wp-caption-text\">Foto mostra a \u201cespinha \u00f3ptica do osso esfenoide\u201d no cr\u00e2nio de um camel\u00eddeo. A fun\u00e7\u00e3o da estrutura ainda est\u00e1 sendo investigada. Foto: Foto extra\u00edda do artigo mostra a \u201cespinha \u00f3ptica do osso esfenoide\u201d no cr\u00e2nio de um dromed\u00e1rio. Foto: Marcello Machado\/Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cUma ideia que, \u00e0 primeira vista, parece inacredit\u00e1vel, pois os camel\u00eddeos e os morcegos apresentam aspectos muito distintos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 morfologia, h\u00e1bitos alimentares e tamanho. Entretanto, a ci\u00eancia biol\u00f3gica \u00e9 assim mesmo: o que parece \u00f3bvio algumas vezes \u00e9 falso, e o que parece improv\u00e1vel, muitas vezes \u00e9 a mais pura verdade\u201d, afirmou Montiani-Ferreira.<\/p>\n<p>O grupo analisou cinco cr\u00e2nios de camel\u00eddeos do Velho Mundo \u2014 tr\u00eas camelos adultos e dois dromed\u00e1rios adultos. Os ossos dos camelos vieram de cole\u00e7\u00f5es do Museu de Hist\u00f3ria Natural Cap\u00e3o da Imbuia e do Zool\u00f3gico de Curitiba. As duas amostras de cr\u00e2nio de dromed\u00e1rios pertencem ao Museu de Anatomia Veterin\u00e1ria da Universidade do Contestado, em Canoinhas (SC).<\/p>\n<p>A fun\u00e7\u00e3o exata da espinha \u00f3ptica do osso esfenoide continua a ser investigada. Entretanto, a exemplo do que os pesquisadores da UFPR conclu\u00edram na pesquisa com morcegos, a estrutura aparenta ter papel fundamental no suporte a m\u00fasculos extraoculares, nervos e outros elementos retrobulbares.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\">\ud83d\udcd6 Publicado originalmente na Revista Ci\u00eancia UFPR (V. 1, n\u00ba 2,\u00a02016).<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pesquisa do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Veterin\u00e1rias (PPGCV) da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) detectou e descreveu uma&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2806,"featured_media":19300,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":"","fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false},"categories":[1608,1,1684],"tags":[2358,1888,1891,2351,1889,1853,1890],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v23.5 - 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