{"id":18938,"date":"2018-12-23T21:18:26","date_gmt":"2018-12-23T23:18:26","guid":{"rendered":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/?p=18938"},"modified":"2026-06-23T13:53:19","modified_gmt":"2026-06-23T16:53:19","slug":"metodo-permite-deteccao-do-protozoario-da-doenca-de-chagas-no-acai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/metodo-permite-deteccao-do-protozoario-da-doenca-de-chagas-no-acai\/","title":{"rendered":"M\u00e9todo permite detec\u00e7\u00e3o do protozo\u00e1rio da doen\u00e7a de Chagas no a\u00e7a\u00ed"},"content":{"rendered":"<p>A doen\u00e7a de Chagas \u00e9 conhecida pela forma cl\u00e1ssica de transmiss\u00e3o, por meio do bicho barbeiro. O <em>Trypanosoma cruzi<\/em>, agente causador da doen\u00e7a, \u00e9 um protozo\u00e1rio que mede entre 22 a 26 micr\u00f4metros (cerca de 0,0022 cent\u00edmetro) e est\u00e1 presente no intestino do inseto vetor. A picada lesiona a pele e, ao co\u00e7ar, as fezes do inseto entram no local lesionado. Essa \u00e9 a via habitual que o parasito encontra para ir at\u00e9 a corrente sangu\u00ednea.<\/p>\n<p>Entretanto, s\u00e3o os casos de transmiss\u00e3o oral, cada vez mais comuns no Brasil, que levaram pesquisadores da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) a estudarem outras vias de contamina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cNossos trabalhos com Trypanosoma cruzi come\u00e7aram em 1997. Encontr\u00e1vamos muitos animais infectados, como gamb\u00e1s, e isso despertou nossa curiosidade, pois a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade apontava o Brasil como zona livre de transmiss\u00e3o da doen\u00e7a. Em 2002, publicamos um artigo alertando sobre a possibilidade de contamina\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o protozo\u00e1rio estava presente no ciclo silvestre\u201d, conta a professora e pesquisadora Vanete Thomaz Soccol.<\/p>\n<p>Em 2005, um surto epid\u00eamico da doen\u00e7a em Santa Catarina, por meio do consumo de caldo de cana, pegou de surpresa o sistema de sa\u00fade brasileiro. O Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia da UFPR, que j\u00e1 realizava pesquisas na \u00e1rea, focou os trabalhos para encontrar o parasito em alimentos, com a preocupa\u00e7\u00e3o de padronizar as metodologias utilizadas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_18941\" aria-describedby=\"caption-attachment-18941\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/MIOLO-af_revista_ufpr_ciencia-2018-130.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-18941 size-large\" src=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/MIOLO-af_revista_ufpr_ciencia-2018-130-1024x983.jpg\" alt=\"\" width=\"810\" height=\"778\" srcset=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/MIOLO-af_revista_ufpr_ciencia-2018-130-1024x983.jpg 1024w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/MIOLO-af_revista_ufpr_ciencia-2018-130-300x288.jpg 300w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/MIOLO-af_revista_ufpr_ciencia-2018-130-768x738.jpg 768w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/MIOLO-af_revista_ufpr_ciencia-2018-130.jpg 1387w\" sizes=\"(max-width: 810px) 100vw, 810px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-18941\" class=\"wp-caption-text\">Parceria envolve conscientiza\u00e7\u00e3o dos produtores que comp\u00f5em a cadeia do a\u00e7a\u00ed. Foto: M\u00e1rcia do Carmo\/MTUR<\/figcaption><\/figure>\n<p>No ano seguinte, foram registrados os primeiros surtos causados por a\u00e7a\u00ed contaminado na regi\u00e3o Amaz\u00f4nica. Quando o bicho barbeiro \u00e9 mo\u00eddo com o fruto, o parasito \u00e9 liberado para a pasta do a\u00e7a\u00ed.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o centenas de casos da doen\u00e7a de Chagas s\u00e3o notificados todos os anos, concentrados principalmente na regi\u00e3o Amaz\u00f4nica do Pa\u00eds. De acordo com a Secretaria de Estado de Sa\u00fade P\u00fablico do Par\u00e1 (Sespa), foram 311 casos da doen\u00e7a em 2016 e 258 em 2017, quase 90% deles (86,8%) ocorreram por transmiss\u00e3o oral.<\/p>\n<blockquote class=\"alignright\"><p>&nbsp;<\/p>\n<p>Equipe chegou a processo que elimina parasita do alimento ap\u00f3s quatro anos de testes<\/p><\/blockquote>\n<p>Tal panorama rendeu uma parceria entre a UFPR e a Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA). As institui\u00e7\u00f5es come\u00e7aram a atuar juntas em busca de respostas sobre a origem de contamina\u00e7\u00e3o do bicho barbeiro com o a\u00e7a\u00ed, m\u00e9todos eficientes de elimina\u00e7\u00e3o do Trypanosoma cruzi do alimento e m\u00e9todos padronizados de detec\u00e7\u00e3o que fossem menos invasivos e com maior rapidez.<\/p>\n<p>O projeto foi aprovado pela Funda\u00e7\u00e3o Amaz\u00f4nia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) ag\u00eancia de fomento \u00e0 pesquisa do estado do Par\u00e1.<\/p>\n<p>A equipe trabalhou em testes durante quatro anos para garantir, com seguran\u00e7a, a elimina\u00e7\u00e3o do Trypanosoma cruzi do alimento. \u201cUsamos m\u00e9todos sanitizantes, com hipoclorito de s\u00f3dio e calor visando a elimina\u00e7\u00e3o do parasito. Chegamos ao tratamento t\u00e9cnico aplicado aos frutos, chamado de branqueamento, realizado a 80 graus celsius por dez segundos. O Trypanosoma cruzi n\u00e3o resiste \u00e0 imers\u00e3o do fruto nessa temperatura. No caso da bebida, o processo de pasteuriza\u00e7\u00e3o \u00e9 eficiente para eliminar o protozo\u00e1rio. At\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o t\u00ednhamos essas respostas\u201d, conta Ana Caroline de Oliveira, doutoranda da UFPA, que realizou a parte experimental da pesquisa na UFPR sob orienta\u00e7\u00e3o de Vanete Soccol.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/box.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18947\" src=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/box.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"432\" srcset=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/box.jpg 1000w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/box-300x130.jpg 300w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/box-768x332.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A resist\u00eancia do T. cruzi chamou aten\u00e7\u00e3o. \u201cChegamos a conclus\u00e3o de que o protozo\u00e1rio causador da doen\u00e7a da regi\u00e3o Amaz\u00f4nica \u00e9 mais resistente tanto \u00e0 temperatura quanto a concentra\u00e7\u00f5es de sanitizantes. Descobrimos que ele sobrevive 24 horas na bebida e, no fruto, encontramos a presen\u00e7a por at\u00e9 32 horas. Tempo suficiente para permitir a contamina\u00e7\u00e3o por ingest\u00e3o\u201d, destaca Ana Caroline.<\/p>\n<p>O projeto tamb\u00e9m desenvolveu o m\u00e9todo PCR real time (PCR \u2013 Rea\u00e7\u00e3o de cadeia em polimerase em tempo real) para detectar se h\u00e1 ou n\u00e3o T. cruzi presente no alimento. \u201cAntes identific\u00e1vamos apenas a presen\u00e7a do parasito, mas poderia estar morto e precisamos saber quando ele est\u00e1 vivo no hospedeiro, no a\u00e7a\u00ed, ou em outros alimentos. Foi a\u00ed que desenvolvemos a t\u00e9cnica PCR em tempo real, atrav\u00e9s da transcri\u00e7\u00e3o reversa\u201d, diz Vanete Soccol que coordena o projeto.<\/p>\n<p>O processo do PCR em tempo real dura cerca de duas horas, enquanto o convencional pode levar dias para apresentar os resultados. Anteriormente estes testes eram feitos em animais de laborat\u00f3rio e consumiam muito tempo.<\/p>\n<p>\u201cUma ind\u00fastria n\u00e3o pode aguardar um longo tempo para comercializar o produto. \u00c9 necess\u00e1rio um m\u00e9todo r\u00e1pido, preciso e espec\u00edfico para esse micro-organismo. A t\u00e9cnica PCR em tempo real \u00e9 r\u00e1pida para detectar a presen\u00e7a do Trypanosoma cruzi no a\u00e7a\u00ed\u201d, afirma Ana Carolina.<\/p>\n<figure id=\"attachment_18943\" aria-describedby=\"caption-attachment-18943\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/MIOLO-af_revista_ufpr_ciencia-2018-129.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-18943\" src=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/MIOLO-af_revista_ufpr_ciencia-2018-129-300x290.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"619\" srcset=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/MIOLO-af_revista_ufpr_ciencia-2018-129-300x290.jpg 300w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/MIOLO-af_revista_ufpr_ciencia-2018-129-768x743.jpg 768w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/MIOLO-af_revista_ufpr_ciencia-2018-129.jpg 991w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-18943\" class=\"wp-caption-text\">Protozo\u00e1rio que causa doen\u00e7a de Chagas vive no intestino dos barbeiros. Foto: Gabriel Jabur\/Ag\u00eancia Bras\u00edlia<\/figcaption><\/figure>\n<p>A colabora\u00e7\u00e3o entre universidades permitiu unir expertises. \u201cA parceria foi fundamental, pois a experi\u00eancia da UFPR com o Trypanosoma cruzi j\u00e1 era grande, e desenvolver um m\u00e9todo para detectar o protozo\u00e1rio em a\u00e7a\u00ed n\u00e3o era tarefa f\u00e1cil. Ou seja, colaborando entre institui\u00e7\u00f5es conseguimos cumprir as metas\u201d, avalia Herv\u00e9 Rogez, coordenador do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Biotecnologia e do Centro de Valoriza\u00e7\u00e3o Agro-alimentar de Compostos Bioativos da Amaz\u00f4nia da UFPA.<\/p>\n<p>O projeto, denominado \u201cImplanta\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos r\u00e1pidos ou alternativos para o monitoramento do Trypanosoma cruzi\u201d, prop\u00f5e um controle de qualidade para ind\u00fastrias e pequenos produtores, realizando amostragem por bateladas.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora Vanete Soccol da UFPR, o m\u00e9todo \u00e9 essencial para a exporta\u00e7\u00e3o do a\u00e7a\u00ed, realizada pela regi\u00e3o Amaz\u00f4nica. \u201cJ\u00e1 provamos que o protozo\u00e1rio sobrevive na pasta do a\u00e7a\u00ed. Se houver contamina\u00e7\u00e3o, o produto poder\u00e1 ser rejeitado. Queremos que essa cadeia alimentar n\u00e3o tenha risco\u201d, indica.<\/p>\n<p><strong>Maior controle de qualidade<\/strong><\/p>\n<p>O desenvolvimento do m\u00e9todo da pesquisa para detec\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de Trypanosoma cruzi vivo no material e a possibilidade de fiscaliza\u00e7\u00e3o das amostras do produto permitem a determina\u00e7\u00e3o de controle e melhoria de qualidade.<\/p>\n<p>De acordo com o professor da UFPA Herv\u00e9 Rogez, o m\u00e9todo r\u00e1pido e confi\u00e1vel permitir\u00e1 melhorar a qualidade do produto. \u201cPoderemos exigir boas pr\u00e1ticas de fabrica\u00e7\u00e3o de a\u00e7a\u00ed e teremos como fiscalizar amostras de forma adequada\u201d.<\/p>\n<blockquote class=\"alignright\"><p>Novo m\u00e9todo produz resultados em poucas horas e dispensa testes em animais<\/p><\/blockquote>\n<p>No m\u00eas de mar\u00e7o, representantes do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento e das Secretarias de Sa\u00fade do munic\u00edpio de Bel\u00e9m e do estado do Par\u00e1 reuniram-se para atualizar o regulamento t\u00e9cnico do padr\u00e3o de identidade e qualidade do a\u00e7a\u00ed. A normativa em vigor atualmente \u00e9 do ano de 2000, quando o a\u00e7a\u00ed ainda n\u00e3o tinha grande abrang\u00eancia em outros estados brasileiros e nem fora do Pa\u00eds. O novo padr\u00e3o nacional, ainda n\u00e3o aprovado, exigir\u00e1 que todo a\u00e7a\u00ed comercializado seja isento de Trypanosoma cruzi. O minist\u00e9rio vai passar a fiscalizar o controle de qualidade.<\/p>\n<p><span lang=\"pt-BR\">Ana Caroline afirma que a altera\u00e7\u00e3o vai trazer benef\u00edcios. \u201cSer\u00e1 um ganho muito grande para o consumidor, pois haver\u00e1 a garantia de que o produto \u00e9 fiscalizado. Tamb\u00e9m precisamos fortalecer o trabalho educativo fora de Bel\u00e9m. Uma vez determinada, a normatiza\u00e7\u00e3o ser\u00e1 expandida para todo o Brasil e alcan\u00e7ar\u00e1 desde pequenos estabelecimentos at\u00e9 grandes ind\u00fastrias que comercializam para <\/span>v\u00e1rias regi\u00f5es do Pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNossa maior perspectiva \u00e9 a aprova\u00e7\u00e3o dos novos padr\u00f5es de identidade e qualidade do a\u00e7a\u00ed. A consequ\u00eancia ser\u00e1 a diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de casos de doen\u00e7a de Chagas no estado do Par\u00e1 e no Pa\u00eds. Na sequ\u00eancia, o terreno ser\u00e1 prop\u00edcio para a inova\u00e7\u00e3o em a\u00e7a\u00ed, o suco com maior teor em antioxidante do Brasil\u201d, aponta o professor Herv\u00e9 Rogez.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo desenvolvido abrange pesquisa de Trypanosoma cruzi em matriz alimentar, podendo ser realizado em outros produtos.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s, como universidade, temos o objetivo de repassar a pesquisa para os \u00f3rg\u00e3os competentes. Estamos dispostos a transferir para quem precisar, quanto mais gente tiver acesso \u00e0 metodologia, melhores exames e resultados mais r\u00e1pidos ser\u00e3o feitos. N\u00e3o \u00e9 uma metodologia para ficar na prateleira, \u00e9 para ser transferida para a popula\u00e7\u00e3o\u201d, ressalta a professora Vanete.<\/p>\n<p><strong>Aprofundamento da pesquisa<\/strong><\/p>\n<p>A fase experimental do projeto analisou o fruto j\u00e1 colhido, adquirido em mercados locais de Bel\u00e9m. Uma amostra apresentou resultado positivo para a presen\u00e7a do protozo\u00e1rio.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foram analisadas 300 amostras de pasta de a\u00e7a\u00ed, mas em nenhuma foi encontrado Trypanosoma cruzi vivo. Entretanto, os pesquisadores afirmam que \u00e9 preciso manter a vigil\u00e2ncia.<\/p>\n<blockquote class=\"alignright\"><p>O a\u00e7a\u00ed garante o sustento de milhares de pessoas na regi\u00e3o Amaz\u00f4nica. A maior parte da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 voltada para a agroind\u00fastria<\/p><\/blockquote>\n<p>Vanete Soccol explica que a pasta \u00e9 espessa, o que gera novas demandas para a pesquisa. \u201cH\u00e1 muito material de gordura, queremos desenvolver uma forma de recupera\u00e7\u00e3o do parasito dessa pasta. A nossa metodologia recupera 87%, o pr\u00f3ximo passo \u00e9 melhorar a taxa para termos 100% de recupera\u00e7\u00e3o na pasta do a\u00e7a\u00ed. Estamos estudando as propriedades f\u00edsicas e qu\u00edmicas da pasta para encontrar um surfactante capaz de dissolver a gordura e recuperar a quantidade total de Trypanosoma\u201d, indica a professora.<\/p>\n<p><strong>Trabalho junto aos produtores<\/strong><\/p>\n<p>O a\u00e7a\u00ed garante o sustento de milhares de pessoas na regi\u00e3o Amaz\u00f4nica. A maior parte da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 voltada para a agroind\u00fastria. Em outros locais do Brasil existem frutos similares, como a ju\u00e7ara &#8211; uma palmeira nativa da Mata Atl\u00e2ntica. Al\u00e9m do controle de qualidade em larga escala, tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio olhar para a produ\u00e7\u00e3o dos pequenos produtores.<\/p>\n<p>Herv\u00e9 Rogez conta que desde 1998 \u00e9 realizado um trabalho educativo de melhoria da qualidade. \u201cFazemos esse trabalho junto aos produtores, ao longo da cadeia produtiva do a\u00e7a\u00ed. V\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e associa\u00e7\u00f5es est\u00e3o envolvidos\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso ensinar os processos. Se algum fruto fica de fora, sem ter contato com a temperatura determinada pelo m\u00e9todo, o protozo\u00e1rio permanecer\u00e1 vivo. O trabalho educativo \u00e9 muito importante, caso contr\u00e1rio vamos continuar tendo casos de doen\u00e7a de Chagas\u201d, explica a pesquisadora Vanete Soccol.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\">\ud83d\udcd6 Publicado originalmente na Revista Ci\u00eancia UFPR (V. 3, n\u00ba 4,\u00a02018).<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A doen\u00e7a de Chagas \u00e9 conhecida pela forma cl\u00e1ssica de transmiss\u00e3o, por meio do bicho barbeiro. 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