{"id":18336,"date":"2019-12-23T09:11:24","date_gmt":"2019-12-23T12:11:24","guid":{"rendered":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/?p=18336"},"modified":"2023-06-02T17:34:48","modified_gmt":"2023-06-02T20:34:48","slug":"contato-de-risco-composto-quimico-raro-fora-do-brasil-pode-afetar-fertilidade-masculina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/contato-de-risco-composto-quimico-raro-fora-do-brasil-pode-afetar-fertilidade-masculina\/","title":{"rendered":"Contato de risco: composto qu\u00edmico raro fora do Brasil afeta fertilidade masculina"},"content":{"rendered":"<p>Ftalatos s\u00e3o subst\u00e2ncias qu\u00edmicas das quais pouca gente ouviu falar, mas a que certamente todos j\u00e1 foram expostos. Esses compostos, cuja toxicidade para a fertilidade humana tem se mostrado quest\u00e3o relevante para a ci\u00eancia, chegam ao organismo humano por meio da exposi\u00e7\u00e3o do corpo a objetos que fazem parte do cotidiano de popula\u00e7\u00f5es do mundo todo. Um desses compostos, que mostrou alto potencial de interfer\u00eancia no sistema hormonal humano, tem sido objeto de estudos de pesquisadores da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), especialmente porque parece ser t\u00edpico do Brasil.<\/p>\n<p>Em um estudo do qual participaram 50 gr\u00e1vidas de Curitiba, pesquisadores dos departamentos de Farmacologia e de Fisiologia da UFPR comprovaram a presen\u00e7a de um ftalato raramente encontrado no organismo de pessoas fora do Brasil. Os resultados da pesquisa est\u00e3o no artigo &#8220;<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0160412018306901\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Unexpected, ubiquitous exposure of pregnant Brazilian women to diisopentyl phthalate, one of the most potent antiandrogenic phthalates<\/a>&#8220;, publicado no volume 119 da revista cient\u00edfica <em>Environment International<\/em>. Tamb\u00e9m participaram do estudo cientistas da Ruhr University Bochum, da Alemanha, e da Icahn School of Medicine at Mount Sinai, de Nova York.<\/p>\n<blockquote class=\"alignright\"><p>O Brasil \u00e9, at\u00e9 agora, o \u00fanico pa\u00eds com registros de popula\u00e7\u00f5es constantemente expostas ao DiPeP<\/p><\/blockquote>\n<p>As gestantes foram monitoradas ao longo da gesta\u00e7\u00e3o e, em todas as amostras, foram encontrados metab\u00f3litos do ftalato em quest\u00e3o, chamado de Diisopentil ftalato (DiPeP). Constatada a presen\u00e7a constante dessa subst\u00e2ncia, os pesquisadores testaram a tend\u00eancia dela a desregular o sistema end\u00f3crino. Esse efeito \u00e9 comum a todos os ftalatos, que s\u00e3o desprendidos no contato com pl\u00e1sticos male\u00e1veis, cosm\u00e9ticos, materiais de limpeza e rem\u00e9dios. No estudo com ratos, por\u00e9m, o DiPeP mostrou ter impacto mais grave do que a m\u00e9dia dessa subst\u00e2ncias, reduzindo significativamente a produ\u00e7\u00e3o de testosterona pelos test\u00edculos dos fetos masculinos.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, esse \u00e9 um indicativo de que o contato com o DiPeP por gr\u00e1vidas pode prejudicar o desenvolvimento reprodutivo de meninos ainda durante a gravidez. Na dose mais baixa utilizada no estudo (de um total de tr\u00eas), a exposi\u00e7\u00e3o ao DiPeP foi capaz de reduzir a produ\u00e7\u00e3o de testosterona dos test\u00edculos do feto para 1\/3 do verificado em grupos de controle. Na maior dose, a produ\u00e7\u00e3o ficou pr\u00f3xima de zero. Os resultados foram comparados com exposi\u00e7\u00f5es a outro ftalato mais comumente encontrado no organismo humano, o Di-n-butyl ftalato, que apresentou influ\u00eancia menos significativa na queda da produ\u00e7\u00e3o de testosterona.<\/p>\n<h2>Desequil\u00edbrio hormonal na gravidez ocasiona problemas em adultos<\/h2>\n<p>O estudo alerta para o risco de a exposi\u00e7\u00e3o a esse ftalato durante a gesta\u00e7\u00e3o de meninos ocasionar malforma\u00e7\u00f5es genitais no feto e baixa contagem de espermatozoides na vida adulta \u2014 este \u00faltimo problema j\u00e1 havia sido apresentado em outro estudo do Departamento de Fisiologia, publicado em 2017. Foram esses os efeitos que, em altas doses, a exposi\u00e7\u00e3o ao DiPeP provocou nos fetos de ratas gr\u00e1vidas.<\/p>\n<p>\u201cA exposi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica durante a gesta\u00e7\u00e3o \u00e9 mais grave porque gera efeitos adversos permanentes, que influenciam no desenvolvimento do feto\u201d, afirma o pesquisador Anderson Joel Martino Andrade, do Laborat\u00f3rio de Fisiologia End\u00f3crina e Reprodutiva Animal (Labfera) da UFPR. \u201cOs efeitos em indiv\u00edduos adultos s\u00e3o geralmente tempor\u00e1rios, porque os ftalatos s\u00e3o eliminados do corpo pelo metabolismo. Mas tamb\u00e9m \u00e9 preciso considerar que o fluxo dessas subst\u00e2ncias no organismo \u00e9 constante, por causa da exposi\u00e7\u00e3o frequente\u201d.<\/p>\n<p>Nos experimentos com cobaias realizados pelos cientistas, a exposi\u00e7\u00e3o ao ftalato foi em doses maiores do que o verificado na exposi\u00e7\u00e3o humana, a fim de viabilizar a investiga\u00e7\u00e3o das consequ\u00eancias do contato. Mas os pesquisadores alertam que pessoas t\u00eam contato com produtos cotidianos que desprendem (DnBP)ftalatos \u2014 o que gera efeito \u201ccumulativo\u201d de dif\u00edcil monitoramento.<\/p>\n<blockquote class=\"alignright\"><p>Vidro e porcelana s\u00e3o alternativas para que gr\u00e1vidas reduzam contato com subst\u00e2ncias qu\u00edmicas<\/p><\/blockquote>\n<p>\u201cA descoberta da exposi\u00e7\u00e3o ao DiPeP no Brasil foi uma grande surpresa, porque, numa perspectiva mundial, consideramos esse ftalato irrelevante em termos de produ\u00e7\u00e3o, uso e, por consequ\u00eancia, exposi\u00e7\u00e3o [de humanos]\u201d, avalia o pesquisador Holger Koch, da Ruhr University Bochum, que participou do estudo da UFPR. Ainda que o DiPeP motive poucos estudos, Koch explica que a presen\u00e7a dele seria identific\u00e1vel na busca por outros derivados com cadeia similar \u2014 foi o que ocorreu.<\/p>\n<p>Os pesquisadores conclu\u00edram que o Brasil deve ter como fonte regular de DiPeP produtos muito consumidos no mercado dom\u00e9stico, considerando a frequ\u00eancia dos metab\u00f3litos nas amostras e as dosagens, que fogem \u00e0 regra dos estudos de biomonitoramento registrados no mundo. Koch observa que, em geral, as amostras de outros pa\u00edses mostraram raros sinais de DiPeP, e em concentra\u00e7\u00f5es baix\u00edssimas.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, a fonte mais prov\u00e1vel do DiPeP que entra em contato com a popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o pl\u00e1sticos male\u00e1veis feitos \u00e0 base de um \u00e1lcool que \u00e9 subproduto da fermenta\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facares durante a s\u00edntese de etanol \u2014 o \u00e1lcool isoam\u00edlico. Como ftalatos s\u00e3o sintetizados a partir da mistura de \u00e1lcool com \u00e1cido ft\u00e1lico, soube-se de antem\u00e3o que a fonte espec\u00edfica de DiPeP \u00e9 um \u00e1lcool. Al\u00e9m de se encaixar na f\u00f3rmula que leva ao ftalato, \u00e1lcool isoam\u00edlico em larga escala \u00e9 caracter\u00edstico da economia brasileira.<\/p>\n<h2>DiPeP \u00e9 encontrado em pl\u00e1sticos male\u00e1veis \u00e0 base de \u00e1lcool isoam\u00edlico<\/h2>\n<p>\u201cTendo em vista a estrat\u00e9gia nacional de substituir combust\u00edveis f\u00f3sseis pelo etanol de cana-de-a\u00e7\u00facar, existe uma grande produ\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool isoam\u00edlico, o que pode ter favorecido a produ\u00e7\u00e3o de DiPeP para a ind\u00fastria local de plastificantes\u201d, afirma Martino Andrade. \u201cO DiPeP possui potencial para ser utilizado como plastificante em produtos pl\u00e1sticos \u00e0 base de PVC e como aditivo em outras aplica\u00e7\u00f5es industriais\u201d.<\/p>\n<blockquote class=\"alignright\"><p>Fonte prov\u00e1vel do composto que chega \u00e0 popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o pl\u00e1sticos \u00e0 base de um \u00e1lcool que \u00e9 subproduto do etanol<\/p><\/blockquote>\n<p>De acordo com os cientistas, o estudo aponta a necessidade de o Brasil discutir a necessidade de pol\u00edticas de regula\u00e7\u00e3o industrial espec\u00edficas, que espelhem as subst\u00e2ncias qu\u00edmicas com que a popula\u00e7\u00e3o convive no dia a dia. Os estudos tamb\u00e9m t\u00eam apontado a necessidade de o Brasil produzir mais estudos de biomonitoramento, assim como epidemiol\u00f3gicos e em modelos animais que demonstrem as rela\u00e7\u00f5es entre exposi\u00e7\u00f5es e efeitos adversos \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_18382\" aria-describedby=\"caption-attachment-18382\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-18382\" src=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Shanna-Swan_Roger-Meissen-Universidade-do-Missouri-m-1024x684.jpg\" alt=\"Parceira de pesquisas do Departamento de Fisiologia da UFPR, a professora Shanna Swan, do Mount Sinai Health System, em Nova York, investiga temas de fertilidade humana h\u00e1 40 anos Foto: Roger Meissen\/Universidade do Missouri\/Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"810\" height=\"541\" srcset=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Shanna-Swan_Roger-Meissen-Universidade-do-Missouri-m-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Shanna-Swan_Roger-Meissen-Universidade-do-Missouri-m-300x200.jpg 300w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Shanna-Swan_Roger-Meissen-Universidade-do-Missouri-m-768x513.jpg 768w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Shanna-Swan_Roger-Meissen-Universidade-do-Missouri-m-1536x1025.jpg 1536w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Shanna-Swan_Roger-Meissen-Universidade-do-Missouri-m.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 810px) 100vw, 810px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-18382\" class=\"wp-caption-text\">Parceira de pesquisas do Departamento de Fisiologia da UFPR, a professora Shanna Swan, do Mount Sinai Health System, em Nova York, investiga temas de fertilidade humana h\u00e1 40 anos Foto: Roger Meissen\/Universidade do Missouri\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<h2>Problema \u00e9 global, avalia cientista americana que \u00e9 coautora do estudo<\/h2>\n<p>Parceira de pesquisas do Departamento de Fisiologia da UFPR, a professora Shanna Swan, do Mount Sinai Health System, em Nova York, investiga temas de fertilidade humana h\u00e1 40 anos. Entre suas publica\u00e7\u00f5es mais importantes est\u00e3o os resultados da mais ampla compila\u00e7\u00e3o de estudos sobre fertilidade masculina, que abrangeu cerca de 42 mil homens no mundo todo entre 1973 e 2011, e o registro do m\u00e9todo por meio do qual \u00e9 poss\u00edvel relacionar a exposi\u00e7\u00e3o de fetos meninos a horm\u00f4nios masculinos \u00e0 fertilidade deles na vida adulta.Com base no que tem observado, \u00e9 taxativa em dizer que a queda de fertilidade \u00e9 um fator real e preocupante no mundo todo.<\/p>\n<p><strong>Distopias liter\u00e1rias est\u00e3o em alta, e uma delas, \u201cO Conto da Aia\u201d [livro de Margaret Atwood lan\u00e7ado em 1985, s\u00e9rie de TV desde 2017 pela Hulu], trata de uma crise de fertilidade e suas consequ\u00eancias [uma delas \u00e9 a explora\u00e7\u00e3o da gravidez em n\u00edvel econ\u00f4mico]. \u00c9 uma perspectiva pr\u00f3xima da realidade?<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO Conto da Aia\u201d reflete uma preocupa\u00e7\u00e3o real. A taxa de gesta\u00e7\u00f5es de aluguel tem aumentado paralelamente \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da contagem de espermatoz\u00f3ides.<\/p>\n<p><strong>Quais as principais explica\u00e7\u00f5es para o decl\u00ednio da qualidade de esperma no mundo todo?<\/strong><\/p>\n<p>Os decl\u00ednios na qualidade do esperma s\u00e3o muito r\u00e1pidos, de cerca de 1% ao ano, para serem o resultado de mudan\u00e7as evolutivas. Eles refletem uma combina\u00e7\u00e3o de fatores ambientais, como [exposi\u00e7\u00e3o a] produtos qu\u00edmicos e farmac\u00eauticos, e de estilo de vida, por exemplo, tabagismo, estresse, obesidade e dieta. Tanto diretamente quanto pela influ\u00eancia de fatores ambientais na leitura gen\u00e9tica, por exemplo, a epigen\u00e9tica [altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas motivadas por fatores externos ao organismo].<\/p>\n<p><strong>Como os ftalatos se inserem nesse contexto?<\/strong><\/p>\n<p>Avalia que h\u00e1 falhas em regula\u00e7\u00f5es estatais ou at\u00e9 desinforma\u00e7\u00e3o generalizada? Os ftalatos s\u00e3o uma classe de subst\u00e2ncias de exposi\u00e7\u00e3o onipresente, algumas das quais demonstraram alterar o desenvolvimento genital masculino quando o feto \u00e9 exposto. Na maioria dos pa\u00edses, os ftalatos, como a maioria dos produtos qu\u00edmicos, n\u00e3o s\u00e3o regulamentados ou s\u00e3o mal regulamentados.<\/p>\n<p><strong>Existem lacunas cient\u00edficas que impedem de entender melhor o fen\u00f4meno da queda de fertilidade? Como os pesquisadores brasileiros podem ajudar?<\/strong><\/p>\n<p>A maioria dos qu\u00edmicos comercializados n\u00e3o foi estudada. Um exemplo \u00e9 o fato de recentemente a Universidade Federal do Paran\u00e1 ter reportado a presen\u00e7a de ftalato antiandrog\u00eanico n\u00e3o identificado em amostras humanas antes. Como a qualidade do esperma est\u00e1 conectado \u00e0 sa\u00fade do homem? Contagem reduzida de espermatoz\u00f3ides, motilidade, morfologia e aumento do dano ao DNA esperm\u00e1tico est\u00e3o todos ligados \u00e0 infertilidade. J\u00e1 a m\u00e1 qualidade do esperma est\u00e1 associada \u00e0 dificuldade para concep\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, estudos recentes mostraram que homens inf\u00e9rteis e homens com baixa qualidade do s\u00eamen t\u00eam expectativa de vida menor.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a base da metodologia em que \u00e9 medida a dist\u00e2ncia entre os \u00f3rg\u00e3os genitais e o \u00e2nus dos fetos de meninos para explicar a exposi\u00e7\u00e3o a horm\u00f4nios durante a gravidez?<\/strong><\/p>\n<p>Tive a sorte de poder examinar a dist\u00e2ncia anogenital [AGD ou per\u00edneo, localizada entre os genitais e o \u00e2nus] em uma popula\u00e7\u00e3o na qual colhi amostras de urina pr\u00e9-natal e observei a concentra\u00e7\u00e3o de ftalato na gravidez em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 AGD. Este estudo teve inspira\u00e7\u00e3o em um conjunto de estudos toxicol\u00f3gicos que mostram que, em ratos expostos, no pr\u00e9-natal, a ftalatos capazes de reduzir a testosterona, os filhotes machos desenvolveram a \u201cs\u00edndrome do ftalato\u201d. Procurei essa s\u00edndrome em beb\u00eas humanos e a encontrei.<\/p>\n<figure id=\"attachment_18395\" aria-describedby=\"caption-attachment-18395\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-18395\" src=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/gr\u00e1vida-pregnant-Free-Photos-Pixabay-m-1024x576.jpg\" alt=\"Mulheres gestantes que participaram da primeira fase da pesquisa receberam orienta\u00e7\u00f5es sobre o risco da exposi\u00e7\u00e3o a ftalatos durante a gravidez. Foto: Free Photos\/Pixabay\" width=\"810\" height=\"456\" srcset=\"https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/gr\u00e1vida-pregnant-Free-Photos-Pixabay-m-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/gr\u00e1vida-pregnant-Free-Photos-Pixabay-m-300x169.jpg 300w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/gr\u00e1vida-pregnant-Free-Photos-Pixabay-m-768x432.jpg 768w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/gr\u00e1vida-pregnant-Free-Photos-Pixabay-m-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/ciencia.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/gr\u00e1vida-pregnant-Free-Photos-Pixabay-m-2048x1152.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 810px) 100vw, 810px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-18395\" class=\"wp-caption-text\">Mulheres gestantes que participaram da primeira fase da pesquisa receberam orienta\u00e7\u00f5es sobre o risco da exposi\u00e7\u00e3o a ftalatos durante a gravidez. Foto: Free Photos\/Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<h2><span style=\"color: #cf6766;\">PARA EVITAR ITENS QUE PODEM SER T\u00d3XICOS, GESTANTES DEVEM SUBSTITUIR MATERIAIS<\/span><\/h2>\n<p>Uma das preocupa\u00e7\u00f5es do grupo de pesquisadores da UFPR tem sido orientar as gestantes que participam dos estudos de biomonitoramento (que medem o impacto do ambiente sobre o organismo) sobre perigos nem sempre reconhecidos em objetos do cotidiano. Para mapear com mais precis\u00e3o as fontes de exposi\u00e7\u00e3o ao DiPeP, os pesquisadores da UFPR pretendem ampliar o estudo para um grupo maior de gestantes \u2014 cerca de 300, que come\u00e7aram a ser recrutadas em mar\u00e7o de 2019. A ideia \u00e9 verificar quais os h\u00e1bitos mais comuns entre as gr\u00e1vidas, em especial as que apresentarem maiores doses de exposi\u00e7\u00e3o ao ftalato.<\/p>\n<p>O pesquisador Anderson Martino Andrade conta que as gr\u00e1vidas que participaram da primeira fase da pesquisa receberam orienta\u00e7\u00f5es sobre o risco da exposi\u00e7\u00e3o a ftalatos durante a gravidez. A coleta das amostras ocorreu em 2015, entre gestantes acompanhadas em tr\u00eas unidades de sa\u00fade b\u00e1sica de Curitiba.<\/p>\n<blockquote class=\"alignright\"><p>Principais conselhos: reduzir o consumo de bebidas e alimentos em latas ou embalagens pl\u00e1sticas (dar prefer\u00eancia a vidro ou porcelana e limpar a caixa d\u2019\u00e1gua para poder usar a \u00e1gua filtrada da torneira), nunca aquecer comidas ou bebidas em recipientes pl\u00e1sticos e prestar aten\u00e7\u00e3o ao c\u00f3digo de reciclagem do pl\u00e1stico<\/p><\/blockquote>\n<p>Os cientistas entregaram a elas um folder com recomenda\u00e7\u00f5es quanto ao uso de pl\u00e1sticos, cosm\u00e9ticos, rem\u00e9dios e alimentos. Entre as orienta\u00e7\u00f5es est\u00e3o reduzir o consumo de bebidas e alimentos em latas ou embalagens pl\u00e1sticas (dar prefer\u00eancia a vidro ou porcelana e limpar a caixa d\u2019\u00e1gua para poder usar a \u00e1gua filtrada da torneira), nunca aquecer comidas ou bebidas em recipientes pl\u00e1sticos e prestar aten\u00e7\u00e3o ao c\u00f3digo de reciclagem do pl\u00e1stico, que traz dicas sobre a composi\u00e7\u00e3o dele.<\/p>\n<p>\u201cO c\u00f3digo no s\u00edmbolo de reciclagem traz uma escala de 1 a 7. Os pl\u00e1sticos 1, 2, 4 e 5 s\u00e3o os mais inertes. Os 3, 6 e 7, por\u00e9m, devem ser evitados porque liberam agentes que podem ser t\u00f3xicos\u201d, explica Martino Andrade. O pesquisador alerta que o fato de o pl\u00e1stico ser livre de bisfenol A (o BPA), proibido pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) em 2012, n\u00e3o garante seguran\u00e7a. \u201cO selo de \u2018BPA free\u2019 n\u00e3o significa que o pl\u00e1stico n\u00e3o exp\u00f5e o consumidor a ftalatos\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m que gr\u00e1vidas evitem agrot\u00f3xicos, consumindo alimentos org\u00e2nicos na medida do poss\u00edvel, al\u00e9m de consultar o m\u00e9dico antes de usar qualquer medicamento. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 recomend\u00e1vel o uso de perfumes (ou produtos com fragr\u00e2ncia, como sabonetes e hidratantes), esmaltes e maquiagem. Uma op\u00e7\u00e3o \u00e9 escolher produtos de higiene e cosm\u00e9ticos que tenham poucos produtos na composi\u00e7\u00e3o e tragam aviso sobre n\u00e3o conterem parabenos nem ftalatos.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\">\ud83d\udcd6 Publicado originalmente na edi\u00e7\u00e3o 5, ano 3, da Revista Ci\u00eancia UFPR (2019).<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ftalatos s\u00e3o subst\u00e2ncias qu\u00edmicas das quais pouca gente ouviu falar, mas a que certamente todos j\u00e1 foram expostos. 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