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Sobre CAssi Jones, o
Lima Barreto (1881-1922) é conhecido como o escritor que deu visibilidade ao subúrbio do Rio de Janeiro na República Velha. O subúrbio delimitado pela ferrovia foi pano de fundo e agente ativo da sua literatura, moldando sentimentos, hábitos e o destino de seus moradores.
Aqui, alguns trechos de obras que mostram o uso desse território pelo autor
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Sobre CAssi Jones, o
Onde acabavam os trilhos da Central, acabava a sua fama e o seu valimento; a sua fanfarronice evaporava-se, e representava-se a si mesmo como esmagado por aqueles 'caras' todos, que nem olhavam. Fosse no Riachuelo, fosse na Piedade, fosse em Rio das Pedras, sempre encontrava um conhecido, pelo menos, simplesmente de vista; mas, no meio da cidade... Ele percebia toda a sua inferioridade de inteligência, de educação; a sua rusticidade... Reduziam-lhe a personalidade de medíocre suburbano, de vagabundo doméstico, a quase coisa alguma.
Sobre Cassi Jones, o suburbano branco que seduz Clara em Clara dos Anjos, de 1922
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Sobre CAssi Jones, o
Tanto na ida como na volta, ferido como estava, Quaresma passara pela estação em que morava. O trem, porém, não parava, e ele se limitou a deitar pela portinhola um longo e saudoso olhar para aquele seu 'Sossego', de terras pobres e árvores velhas, onde sonhara repousar calmamente por toda a vida; e, entretanto, o lançara na mais terrível das aventuras. E ele perguntava de si para si, onde, na terra, estava o verdadeiro sossego... A sua sensação era de fadiga, não física, mas moral e intelectual.
A melancolia do protagonista de Triste Fim de Policarpo Quaresma (1915) ao perceber o fracasso de seu projeto patriota
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Sobre CAssi Jones, o
Inhaúma é ainda dos poucos lugares da cidade que conserva o seu primitivo nome caboclo, zombando dos esforços dos nossos edis para apagá-lo. É um subúrbio de gente pobre, e o bonde que lá leva atravessa umas ruas de largura desigual, que, não se sabe por quê, ora são muito estreitas, ora muito largas, bordadas de casas e casitas sem que nelas se depare um jardinzinho mais tratado ou se lobrigue, aos fundos, uma horta mais viçosa. Há, porém, robustas e velhas mangueiras que protestam contra aquele abandono da terra.
Do conto O moleque (1920)
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Sobre CAssi Jones, o
Como a casa me aborrecesse, não unicamente pela tristonha moléstia de meu pai, mas por ela em si, com quem nunca me acomodei, resolvi dar uma volta. Demorando-se o trem na estação de Todos os Santos, fui toma-lo na de Engenho de Dentro. O trem, banal como sempre; idiota e mascavado.
Trecho de Diário Íntimo escrito em janeiro de 1905. Neste ano Lima Barreto morava na Rua Boa Vista, nº 76, no subúrbio de Todos os Santos, na cidade do Rio de Janeiro. O livro traz registros do diário do escritor e foi publicado na década de 1950, depois da sua morte.
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Sobre CAssi Jones, o
Uma tarde, tomei o trem de subúrbios e fui em demanda da casa das pobres senhoras. Viajei despreocupado... A observação mais demorada que fiz, foi a da grotesca e imprópria edificação dos subúrbios, com as suas casas pretensiosas e palermas, ao jeito das dos bairros chics, a falta de jardins e árvores, realçada pelos morros, pelados, pedroucentos, que, de um lado, correm quase paralelamente ao leito da estrada e quase nele vêm tocar.
Trecho de Cemitério dos Vivos (1920), obra autobiográfica em que Lima Barreto registra suas experiências no Hospital Nacional de Alienados, onde foi internado devido ao alcoolismo
Texto e edição Camille Bropp Foto Estrada de Ferro Central do Brasil (Linha do Centro), Estação Central do Brasil, Km 0, circa 1903. Foto: Marc Ferrez/Acervo IMS
(SDC/Sucom/UFPR)