Na divisa entre Paraná e São Paulo, o Vale do Ribeira abriga, em 28,3 mil quilômetros quadrados, paisagens que fizeram a região ser considerada Patrimônio da Humanidade em 1999, além de comunidades tradicionais indígenas e quilombolas. Somado a isso, um episódio histórico faz a fama do vale: foi o local escolhido para guerrilheiros da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), liderados pelo ex-militar Carlos Lamarca, receberem treinamento em 1970.

A passagem do grupo paramilitar pelo vale incluiu uma emboscada preparada pela polícia e pelo Exército que levou 41 dias de guerra à região, terminando com a fuga de Lamarca, bombardeios com napalm, prisões e mortes (inclusive de militares). Foi a chamada Operação Registro, uma memória que até hoje impacta a vida de moradores.

O projeto reúne cerca de 20 pesquisadores que se dedicam a diferentes abordagens da história do vale, da educação recebida por indígenas e quilombolas à documentação das lembranças das população.

Esse caldeirão está no centro do projeto de pesquisa “Indígenas, Quilombolas e Napalm: uma História da Guerrilha do Vale do Ribeira”, desenvolvido no Laboratório de Pesquisa em Educação Histórica (Lapeduh) da UFPR desde 2016. Coordenado pela professora Maria Auxiliadora Schmidt, o projeto reúne cerca de 20 pesquisadores que se dedicam a diferentes abordagens da história do vale, da educação recebida por indígenas e quilombolas à documentação das lembranças de moradores, guerrilheiros e militares em vídeo, texto e fotografias.

Com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), por meio do edital “Memórias Brasileiras”, histórias colhidas pelo projeto se tornarão um livro didático em quadrinhos, ilustrado por Robson Vilalba, que deve ser lançado no fim do ano e será distribuído gratuitamente.

📖 Publicado originalmente na edição 4, ano 3, da Revista Ciência UFPR (2018).
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